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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Jan13

2013

Maria do Rosário Pedreira

Uma colega editora passou-me um artigo muito interessante – e assustador – sobre os números de 2012 em Espanha em matéria de vendas de livros (julgo que do jornal ABC). Fiquei deprimida: não só aquilo que safou o mercado é de um nível confrangedor (nem vale a pena citar títulos, porque são os mesmos em todo o lado) como já nem os livros médios (Isabel Allende ou Antonio Gala, por exemplo, que eram best sellers assumidos) ultrapassam os 2500 exemplares em três ou quatro meses – e estamos a falar de um país com cerca de 40 milhões de habitantes... Esta razia, se ainda cá não chegou, deve colher-nos em 2013 e mandar-nos ao tapete – e, além dos naturais constrangimentos (melhor nem pensar nisso), a situação aborrece-me especialmente porque, desde que comecei a trabalhar na LeYa, não tive nenhum ano que fosse literariamente tão rico como o que se avizinha. Pois é, pela minha mão, passam neste momento as páginas de muitos romances extraordinários – alguns de mulheres, para quebrar a rotina, e já não era sem tempo! E não consigo deixar de pensar na injustiça que é conseguir juntar tanto livro bom e tanto talento num só ano e saber que esse ano vai ser, infelizmente para quase toda a gente, de contenção, quando não de penúria. Quero, por isso, perdendo completamente a vergonha (mas é por uma boa causa), pedir que se guardem (ou que guardem uns trocos) para algumas obras que porei à vossa disposição em 2013 – para começar, O Ano Sabático, de João Tordo, que será o meu primeiro lançamento deste ano. Aos poucos, falarei de cada uma das obras em pormenor – e juro não juntar muitas no mesmo mês para vos facilitar a vida. Fiquem atentos.

4 comentários

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    José Catarino 18.01.2013

    Os livros valorizam com a passagem do tempo, como qualquer coleccionador confirmará, o que sucede apenas com raros automóveis.
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    Bruna Soares 18.01.2013

    Tenho muitos livros. Quando quero vender os que já li, ninguém me dá nada por eles. Ainda há pouco fui ao alfarrábio e disseram-me que não compravam livro a livro, só para cima da dezena. Que é como quem diz: a peso.
    Há dois anos que não compro um livro: leio-os na fnac ou nas bibliotecas municipais. A de Oeiras e a de Coimbra, por exemplo, têm autores novos e bons: Gonçalo M. Tavares, Luís Caminha, José Luís Peixoto, etc. QUal é a urgência de lê-los quando saem?
    Venham os ebooks. Mas, por favor, quem quer dar 6 euros por um ebook? Para isso continuo a sacar clássicos da internet, pelo menos tenho a certeza de que leio coisa boa: Machado de Assis, Camilo, Eça, etc., etc., etc.
    As editoras têm de começar a pensar bem no que querem: a próxima geração não sei, mas a seguinte já quase não vai ler em papel.
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    jose-catarino 18.01.2013

    Um amigo coleccionador disse-me que um exemplar da edição original da revista Orpheu custava 300 contos. Eu tenho uma edição facsimilada que custou poucos euros. Mesmo assim, ainda hoje me arrependo de não ter comprado por 40 contos uma edição facsimilada do Cancioneiro da Ajuda. Linda.
    Isto levanta duas questões distintas: o valor do livro (ou revista) enquanto objecto e enquanto conteúdo.
    Ora há dias, ao preparar para publicação como ebooks na Escrytos (Leya) uns romances meus, debati-me com essa questão. Fixei o preço em 4,99 pensando que por menos ninguém os levava a sério. Pensei mal? Afinal são 8 cafés, nem sequer chega para um almoço barato. Considerando que levei uns dois anos a escrever cada um deles, será caro?
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