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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

25
Jan13

Dupla alegria

Maria do Rosário Pedreira

É já neste fim-de-semana que a maioria das livrarias começarão a expor e vender o primeiro romance que lanço este ano. Para dizer a verdade, começo bem – não só porque o faço com um dos meus autores mais fiéis (publiquei toda a obra de João Tordo desde que se estreou), mas porque O Ano Sabático, assim se chama o livro, é – tenho a certeza – um dos melhores do escritor. E, por se tratar de uma história de gémeos, a alegria é, ainda por cima, dupla! Por um lado, teremos Hugo, um contrabaixista alcoolizado que abandona o Canadá para fugir às dívidas, regressando a uma pátria onde deixou a família e reside agora a esperança de se poder tornar alguém, antes que seja tarde de mais. Por outro, Luís, um pianista de sucesso que, depois de um encontro perturbador, trocará Lisboa por Montreal em busca de uma vida que não é a sua. Pelo meio, um tema musical que existe apenas na cabeça de ambos, nunca escrito na pauta, e bem assim um sonho de um que é concretizado no outro, uma rapariga que sara as feridas dos instrumentos musicais e conhece ambos, uma mãe implacável, uma irmã conciliadora, uma criança com muita graça. E grandes surpresas, página a página, multiplicadas por dois. Ou três. Identidade e Fraternidade. Não vai dar para não ler.

 

6 comentários

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    Manuel 25.01.2013

    Acho que a Bruna não diz isso, Sandra... Ela dá a entender que as duas facetas são importantes. Basta olhar para os autores que ela refere.
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    Anónimo 25.01.2013

    Bom, pareceu-me que a Bruna, ao contrário de todos os outros, não disse que as duas facetas eram importantes. É a primeira até a catalogar os autores segundo uma dicotomia marcada: por um lado estão os que privilegiam a "palavra" e por outro os outros para os quais o enredo é o mais importante. A Bruna confessa que é do primeiro grupo que mais aprecia.
    Mas é precisamente porque marcou bem essa diferença de "estilos", colocando o João Tordo no segundo grupo, que discordo inteiramente dela. Na minha opinão, a palavra e o enredo estão presentes na sua obra, e é por isso que gosto dele.
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    Sandra Neves 25.01.2013

    Também percebi assim. E, apesar de entender que os grandes escritores são aqueles que possuem as duas facetas (e não é fácil dispor de ambas), continuo a preferir, tendencialmente, os que conseguem transmitir, através da palavra, conteúdos ou matérias relevantes.
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    Manuel 25.01.2013

    Sim, mas convenhamos, poesia na escrita de João Tordo? Não. Os que a Bruna citou, sim, têm conteúdo na poesia. Isto não é uma crítica, há muitos, se calhar a maioria, leitores que detestam poesia e que se revêem mais em João Tordo do que nos autores elencados pela Bruna. Mas o seu a seu dono, em João Tordo não há um trabalho da palavra como naqueles autores.
    E a Bruna não foi dicotómica, basta ler os seus parênteses e os seus exemplos.
    Além do mais, ela nunca fala de CONTEÚDO, fala de ENREDO. Milan Kundera é um grande escritor, para mim o maior de todos na medida em que me faz vibrar como nenhum outro, e não previligia o ENREDO. E se tem CONTEÚDO, meu Deus (este meu Deus deve ser apenas entendido como interjeição, que sou agnóstico) :)
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    Sandra Neves 25.01.2013

    Manuel: decerto, a Bruna poderá indicar com maior precisão a intencionalidade do seu comentário. Mas a mim pareceu-me ter sido claramente dicotómica. No sentido de exemplificar autores que privilegiam mais este ou aquele segmento da literatura. Os que plenamente cumprem os dois são génios. E os génios são raros. Infelizmente.
    Mas, mesmo de entre aqueles que ela indica como focando-se num maior tratamento da linguagem há autores perfeitamente distintos entre si e com abordagens quase díspares da escrita.
    Vergílio Ferreira, Garcia Márquez e Mário de Carvalho são dos meus autores favoritos. Até por estarem próximos dessa genialidade que logra alcançar a perfeição da palavra e dar-lhe, em simultâneo, um conteúdo perfeitamente perceptível a uma primeira leitura. (Primeira. E não segunda ou terceira)
    Já tenho grande dificuldade em incluir nesse estilo José Luís Peixoto, bastante mais próximo do que é comum. Já Gonçalo M. Tavares recorre profusamente a arcaísmos num complexo linguístico difícil de desvendar...o que a meu ver não é positivo nem de louvar.
    Quanto à distinção entre enredo e conteúdo...É difícil engendrar um bom enredo. E mais custoso se torna ter conteúdo quando este não está presente. E conteúdo RELEVANTE para a sociedade na qual o livro é divulgado. E porquê? Porque a coragem de criticar o presente no espaço em que nos movimentamos implica capacidade crítica. Implica afrontar interesses instalados. Implica não agradar a todos. Implica ruptura. E nem toda a gente está disposta a isso...
    Os conteúdos abstractos e divagantes serão mais pacíficos...mas muito menos meritórios.
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