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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

30
Jan13

Post mortem

Maria do Rosário Pedreira

Quando morre alguém conhecido, não raro nos dias e semanas seguintes os jornais e televisões dedicam páginas e horas de encómio à figura quando, frequentemente, se esqueceram dela enquanto estava viva. Muitos escritores esquecidos tornaram-se, pela morte, autores incontornáveis e determinantes na história da literatura dos seus países. Muitos escritores médios, se não medíocres, apareceram depois de mortos como figuras de proa no contexto da época e grandes visionários. Lembro-me, por exemplo, de um autor que os «confrades» consideravam bastante mediano (embora vendesse muitos livros) ser brindado, depois da morte, com cinco páginas de elogios num só jornal, para espanto de muita gente que sabia o que se pensava dele. Mas, nisto de post mortem, o contrário é também possível e, passado o período do luto, há quem retire prazer de bater no ceguinho, pôr a nu a sua vida e dizer que andámos todos enganados achando que esse homem ou essa mulher eram excepcionais. Recentemente, a «vítima» foi Steve Jobs que, enquanto foi vivo era praticamente só um génio da informática, mas depois de morto se transformou num personagem verdadeiramente disgusting, que tratava mal as namoradas e era até avesso a tomar banho. Enfim, lembro-me de a grande Agustina ter escrito um álbum sobre a sua vida e não ter incluído nele o marido. Quando lhe perguntaram porquê, respondeu, muito simplesmente, que ele ainda estava vivo... Quem sabe sabe.

2 comentários

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    Artur Águas 30.01.2013

    Já que citou o Karajan, confesso: que falta que me faz ouvir na antena 2 a Filarmónica de Berlim conduzida pelo Karajan! Têm gravações de um rigor inultrapassável ! Há 30 anos, todos os dias se ouvia Karajan na rádio clássica. Estranhamente, nos nossos dias, praticamente desapareceu do programa da estação. Parece que o opróbio post mortem lhe advém de em jovem ter sido soldado nazi. Dá vontade de lembrar: também o Papa !
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