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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

18
Fev13

Aos pares

Maria do Rosário Pedreira

Em determinadas épocas perfilam-se pares de autores que atingem um grau de sucesso semelhante. São, pois, concorrentes, seja nas vendas, seja na notoriedade e nos prémios alcançáveis. Por vezes, tornam-se adversários – e isso leva a que, tantas vezes estupidamente, se pense que quem lê e gosta de um não terá pelo que o outro faz grande atracção ou genuíno prazer. Dizer que quem adora Saramago não pode gostar de Lobo Antunes – ou vice-versa – é uma tolice, embora possamos pender mais para um do que para outro por terem estilos francamente diferentes. Nos meus tempos de faculdade, era-se mais Herberto Helder ou mais Eugénio de Andrade, por exemplo, como se não se pudesse ser isso tudo e ainda mais (Sophia, Ruy Belo, Jorge de Sena ou Ramos Rosa). No Brasil, se vou como poeta a algum encontro, logo querem saber se sou adepta de Drummond de Andrade ou de Manoel Bandeira; e um amigo italiano que escreve poesia perguntou-me uma vez se eu era dos que amavam Ungaretti ou dos que preferiam claramente Montale. Enfim, esta coisa de um contra o outro não me agrada. Porque não aos pares?

4 comentários

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    Anónimo 18.02.2013

    "sôbolos rios que vão" é também uma pérola.
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    Manuel 18.02.2013

    imagino que se refira às redondilhas de Camões "Sôbolos rios que vão por Babilónia, me achei"... Essas, sim, uma pérola. Quanto ao livro de António Lobo Antunes, não sei, não consigo lê-lo. Sinto sempre que ele está-se a borrifgar para o leitor e não gosto disso. Gosto que haja um trabalho de organização do texto e não gosto da sorte de quem não o faz.
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    José Diogo 18.02.2013

    António Lobo Antunes está-se mesmo, creio, borrifando para os leitores e não sei se me interessava muito se não estivesse. Não me parece que tenha a mínima pretensão a agradar uma maioria ou sequer muitos.

    Dizia Saramago (e que curioso que se adapte tão bem a Lobo Antunes) "O caos é uma ordem por decifrar". Tudo parece tão difícil e depois há uma vaga estranha de clareza. Se ler António Lobo Antunes fosse fácil não o lia. A sua genialidade está, parece-me, na aparente (?) anarquia.
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