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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Abr13

Criação e criatura

Maria do Rosário Pedreira

Antes que me esqueça – até porque devemos sentir-nos gratos pelo seu bom trabalho –, a tradução do livro que hoje me ocupa é de Francisco Agarez (ou, melhor, do extraordinário Francisco Agarez). A obra, absolutamente genial, é assinada por Philip Roth, o decano dos romancistas norte-americanos. Chama-se Engano e tem letras gordas e páginas arejadas, pelo que parece de leitura relativamente rápida; mas não nos iludamos: a sua aparente acessibilidade tem os minutos contados, tratando-se de um livro bastante complexo que só podia ter sido escrito por um craque. Falar dele é perigoso, porque tudo o que se diga ajuda ou desajuda o leitor (e ele tem mesmo de partir sozinho nesta aventura). Por isso, referirei apenas que é um romance sobre a criação literária (não por acaso, uma das principais personagens é um escritor norte-americano chamado Philip) e as criaturas (ficcionais, bem entendido, embora não haja nada tão real como elas – ou talvez eu me ou vos engane dizendo isto, mas faz parte do jogo do autor). Dois amantes (um homem e uma mulher, ela inglesa) encontram-se num estúdio em Londres onde não há sequer espaço para uma cama – razão talvez para que o orgasmo seja provocado não pelo sexo, mas pelas conversas, que são inteligentes, algo angustiantes, desarmantes e, como não podia deixar de ser em Roth, também sobre os judeus e o preconceito que existe em relação a eles. Este é um daqueles livros que se podem ler e reler toda a vida e que têm essa rara virtude de constantemente nos enganar, como os dois protagonistas enganam os respectivos cônjuges (ou talvez não). Só lendo. E deve ser lido.

 

3 comentários

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    ASeverino 24.04.2013

    Caro Xavier, bom dia
    Opiniões e gostos - respeito-os!
    Sabes Xavier, é que tal como noutras situações da vida, nomeadamente na música, também na literatura se aprende a gostar!
    E até o aprender a gostar dá trabalho, mas depois desfruta-se de muito, muito prazer, como é a leitura dum livro de Philip Roth!
    Claro que é pesado, leitura difícil, daquela que nos obriga a pensar, mas de marketing é, que, peço desculpa, não tem, na minha opinião, absolutamente nada...mas marketing, porquê? que marketing? em que sentido, não percebi?
    E que me dizes de Vergílio Ferreira?
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    Xavier 24.04.2013

    Bom dia, Severino.

    Pois, é, isto de gostos... Acho os livros de Roth (bem, os dois que li, para ser correcto) mal acabados, que se há-de fazer, desequilibrados, repetitivos.... Li-os, confesso, com muito esforço e achei que não era precisa tanta palha...
    Já Virgílio (provavelmente era Vergílio mas custa-me...) Ferreira isso é outra história: um grande, grande escritor. O meu preferido: Manhã Submersa. Apesar de me ter ficado sempre a sensação de que o último capítulo ficou mal esgalhado... Enfim, sou um crítico nato, eu sei.
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