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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Mai13

A ciência do papel

Maria do Rosário Pedreira

Desde os anos 1980 que se publicam estudos sobre as diferenças produzidas no cérebro humano entre as leituras feitas em papel e num ecrã. Li há dias um artigo publicado na Scientific American que, reconhecendo a popularidade cada vez maior dos tablets e e-readers, aponta claras vantagens para a leitura em papel, nomeadamente de livros e textos mais longos. Depois de centenas de experiências «laboratoriais», conclui-se que as pessoas dão francamente mais atenção à tinta do que aos pixels e retêm melhor a informação no papel, tendo claras dificuldades em localizar passagens num dispositivo que só mostra uma página de cada vez. Parece que a relação com o todo é, afinal, da máxima importância e que não perder de vista a capa e a contracapa, saber o que já se leu e o que ainda falta, ter duas páginas permanentemente debaixo de olho e oito cantos à vista, poder folhear com facilidade para trás e para diante, contribuem para um mapeamento do texto muito mais rigoroso e uma aprendizagem mais eficaz. Também se conclui que o toque, o cheiro, o tamanho, a forma, o peso, tudo isso é valorizado pelo leitor que, no ecrã, tende a considerar a página digital intangível e efémera… Hum… Está visto que vamos ainda ter papel por muitos anos.

3 comentários

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    Paulo Oliveira 03.05.2013

    A mim cheiram-me mais - os livros de Torga! - a serranias pedregosas. Quanto aos livros, só contam realmente quando em papel. Os eletrónicos poderão ser, quanto muito, boas ferramentas de trabalho. Mas vão existir cada vez mais, claro!
  • Sem imagem de perfil

    Beatriz Santos 05.05.2013

    Paulo

    Lobo Antunes era literal e não metafórico; referia-se ao cheiro efectivo que tinham os livros de Torga que se vendiam na feira do Livro numa barraquinha peculiar, vindos das mãos dos transmontanos, vestidos com seus fatos típicos. Dava gosto vê-los no seu inteiro camponês, pareciam esculpidos. E eram talvez os livros mais baratos da feira. Tinhamos de separar as folhas e é verdade que cheiravam a bosque. Penso que seriam, talvez, edições de autor. Tanto aparato há na Feira e nunca eu vi nada que tanto me atraísse, como aquela singeleza de um livro me ser passado pela mão próxima da terra.

    Não vejo serranias pedregosas. Na realidade vejo um homem sempre e em tudo. E um sofrimento fundo a marulhar. Mas acredito que serras e pedras lhe moldaram o carácter. Também somos o donde vimos.
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