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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

13
Mai13

Opostos ou nem tanto

Maria do Rosário Pedreira

Estará a partir de hoje disponível no mercado um maravilhoso romance que foi finalista da última edição do Prémio LeYa. Escrito por Ana Margarida de Carvalho, jornalista da revista Visão que já recebeu variados prémios, entre eles o cobiçado Gazeta, Que Importa a Fúria do Mar traz-nos duas personagens, duas gerações, dois tempos, dois Portugais distintos. Temos Joaquim, um dos últimos sobreviventes da primeira leva de ocupantes do campo do Tarrafal e, do outro lado (ou talvez do mesmo), Eugénia, uma jornalista ainda jovem que é chamada a entrevistá-lo e se interessa pelas suas histórias (a política e a pessoal) muito para além da curiosidade profissional. Estas duas figuras aparentemente antagónicas partilharão, porém, muita coisa juntas – memórias de infância, histórias de amores impossíveis, a fúria do mar e até um gato que, às tantas, deixa de ser de um deles para ser do outro. Cruel e lírico a um tempo, Que Importa a Fúria do Mar é uma estreia belíssima e invulgar na ficção portuguesa que nos faz desejar que a sua autora não fique por aqui e continue a temperar o jornalismo com a escrita literária.

 

5 comentários

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    Pedro Almeida Sande 13.05.2013

    Uma «discussão» replicada em fóruns ou blogues literários refere-se aos gostos individuais relevados pelas capas nas obras literárias.
    Um aspeto que se estuda na educação é o apuro de estilos de aprendizagem, com vista à perceção da diferenciação pedagógica. Cada um tem uma forma pessoal de «apropriação» do saber.
    Uma abordagem entre várias é a do PNL ou programação neuro linguística. O mapa da realidade que construímos como conjunto de representações subjetivo e único, é feito de acordo com uma seleção de três sistemas sensoriais: o visual, o auditivo, o cinestésico. Assim, a captação de sinais mais visuais (os Visuais), mais voltados para o sons (os Auditivos) ou para o tato , o cheiro e o gosto (os Cinestésicos).
    A abordagem pelo PNL permite-nos assim entender como alguns são impelidos por capas e como outros passam bem sem elas desde que lhes deem «o cheiro e o gosto» do conteúdo.
    Ainda sob esta coisa dos opostos ou nem tanto, há um artigo sob «os escritores que elas preferem», muito interessante e que elenca fazendo um print-screen » do charme dos diferentes autores.
    O que explica como o visual parece ser já um elemento fundamental para a escolha do autor. Autores como Miguel Torga e outros meões de altura e tristes de facha, com nariz alto no meio e não pequeno, seriam autores a que repugnaria a autoria: uma imagem parece valer cada vez mais do que mil palavras! Até a literatura parece cada vez mais metro... sensualizada !»
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    Pedro Almeida Sande 13.05.2013

    «sobre»
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    Jocamartinho 13.05.2013

    Caro Pedro
    Confesso que gosto de lê-lo em"Pela Escrita é que Vamos", que é, como aponta em pórtico, uma oficina da escrita, e que é igualmente, segundo diz, o prolongamento da secretária do autor.
    Verifiquei, por essa leitura que faço, que o comentário que exibe nesta oportunidade, presumivelmente em resposta ao meu, já o tinha exposto nesse seu blog em duas peças, antecedendo em uma hora a diferença entre a entrada que aí deu no seu espaço e esta do comentário que legitimamente usou.
    Repito: gosto de ler os seus apontamentos e referências, mas confesso que este, saído de lá, parece-me ter apanhado, em sentido figurado, outra carruagem, como já me aconteceu em sentido literal.
    Compreendo que queira chamar-me (a nós) para a minha reflexão sobre as capas e o conteúdo. Não me leve demasiado a sério, porque para mim, num livro, até conta o facto dele estar de lombada colada ou cosida à linha. Num livro, tudo conta, menos a chancela do editor, pois adquiro obras das oficinas sem olhar a amizades ou ressentimentos pretéritos.
    Dou ênfase à capa. Pudera! A capa é a garrafa onde repousa o licor, é o Armani do executivo, a jardineira do operário, a farda do militar, o isco do pescador, o engodo da presa. Depois, vem o interior, que aprecio em duas ou três passagens ao folhear aleatóriamente três pontos sensíveis - a primeira página, algures outra no meio e finalizo com uma outra perto do final (trabalho que alguns editores acham árduo). É a chamada leitura gratuita, que não dispenso, antes da aquisição da obra. Apenas dispenso o ritual retro quando vou determinado a comprar algum título de algum autor. Aí, nem tempo perco; recolho da prateleira e passo pela registadora.
    Não sei se já comentei aqui sobre o facto de eu ler um livro na totalidade, mesmo que não goste das primeiras páginas. Não abro excepções, a não ser naqueles cujo conteúdo não caia no cadinho da arte literária, como é o caso de um livro de estatística ou de um repositório de discursos políticos ou quejandos. Há aqui um escambo entre oferta e aquisição: pago, leio tudo.
    Daí ter ressalvado, em comentário anterior, que a minha apreciação puramente pessoal e subjectiva, tinha recaído em cerca de metade da obra lida e referida. Poderei, no prosseguimento e conclusão, mudar de ideias, mas se não cativa até meio, não terá pedalada para me conquistar no fim.
    Há um ditado que diz - "muitos comentadores desconsertam a noiva"; há outro aforisma que afirma - "ninguém se considera tão ignorante como o sábio, nem tão sabedor como o ignorante".
    Assim, não sendo eu sábio nem ignorante, considero-me um simples leitor. Como tal, digo o que tenho a dizer para quem o queira ouvir ou queira ler.
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    Pedro Almeida Sande 14.05.2013

    Caro Jocamartinho E diz muito bem e é sempre um gosto lê-lo; gostos não os discuto ou dirimo, já que fazem parte do nosso espaço de liberdade; a convergência daquilo que escreveu no seu comentário é muito maior do que aparenta e peca da minha parte por maior clareza. A reflexão feita vai no sentido da perceção do lastro que os livros cada vez mais parece carrearem; suspeito, para prover à sua sobrevivência e existência. Ab.
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