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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Jul13

Tudo por causa de uma vírgula

Maria do Rosário Pedreira

Quando, por vezes, recuso originais e aponto os erros que neles encontrei (de inverosimilhança, estrutura, previsibilidade, incongruência), falo também, se for o caso, de uma ortografia que deixa muito a desejar e até de uma pontuação deficiente. Alguns autores já me têm respondido que isso da pontuação é irrelevante, pois corrige-se facilmente, e que sou um bocado exagerada ao mencioná-lo. É óbvio que nunca recusaria um bom livro por ter simplesmente as vírgulas mal postas, não me interpretem mal, mas acho que saber pontuar faz parte do saber escrever – e uma vírgula no sítio errado pode inclusivamente mudar todo o sentido de uma frase. Que o diga o presidente da Câmara de Leiria, que acaba de ser brindado com uma queixa-crime num caso que se prende com a recolha de lixo no concelho. É que, segundo leio na imprensa, a uma deliberação da câmara foi, no contrato que se lhe seguiu, acrescentada uma vírgula – só uma – que alterou tudo e obrigou o município a prolongar a concessão da recolha do lixo a uma determinada empresa por mais cinco anos, o que implica o dispêndio da módica quantia de… quinze milhões de euros! E ainda acham que a pontuação não tem importância?

3 comentários

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    Anónimo 09.07.2013

    Cristina, as reticências representam uma pausa ou uma ideia/frase que fica incompleta. Se for uma pausa (como é o caso desse exemplo, a palavra seguinte deve vir em minúsculas; se for for uma frase que fica incompleta, a próxima frase já tem de se iniciar com maiúsculas.
    Nos casos 2 e 3 está tudo correcto.
    Mas sobre a pontuação torna-se muito interessante reparar como ela evoluiu (e muito) ao longo dos últimos séculos. Até meados do século XIX, as vírgulas serviam sobretudo como «auxiliares de retórica» (a escrita ainda estava muito associada à oralidade, à leitura em voz alta); ou seja, nem sempre serviam para separação de orações (como hoje por regra sucede). Quando no ano passado fiz a edição científica de «O Estudante de Coimbra», de Guilherme Centazzi, originalmente publicado em 1840-41 (ainda com resquícios dessa «escola», tive necessariamente que fazer essas «correcções», se bem que em muitos casos tenha mantido o seu «estilo» de virgulação desde que não conflituasse com aquilo que são as normas actuais.
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    Pedro Almeida Vieira 09.07.2013

    Esqueci-me de assinar o comentário anterior. ;)
    Apareceu anónimo.
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