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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Jul13

Tudo por causa de uma vírgula

Maria do Rosário Pedreira

Quando, por vezes, recuso originais e aponto os erros que neles encontrei (de inverosimilhança, estrutura, previsibilidade, incongruência), falo também, se for o caso, de uma ortografia que deixa muito a desejar e até de uma pontuação deficiente. Alguns autores já me têm respondido que isso da pontuação é irrelevante, pois corrige-se facilmente, e que sou um bocado exagerada ao mencioná-lo. É óbvio que nunca recusaria um bom livro por ter simplesmente as vírgulas mal postas, não me interpretem mal, mas acho que saber pontuar faz parte do saber escrever – e uma vírgula no sítio errado pode inclusivamente mudar todo o sentido de uma frase. Que o diga o presidente da Câmara de Leiria, que acaba de ser brindado com uma queixa-crime num caso que se prende com a recolha de lixo no concelho. É que, segundo leio na imprensa, a uma deliberação da câmara foi, no contrato que se lhe seguiu, acrescentada uma vírgula – só uma – que alterou tudo e obrigou o município a prolongar a concessão da recolha do lixo a uma determinada empresa por mais cinco anos, o que implica o dispêndio da módica quantia de… quinze milhões de euros! E ainda acham que a pontuação não tem importância?

3 comentários

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    Jocamartinho 09.07.2013

    Caríssima Antonieta

    A seguir à mãe deve ser colocado um ponto e vírgula ou um ponto final. Em "do homem", coloca-se a vírgula.
    Assim,
    Um homem tinha um cão e a mãe; do homem, era também o pai do cão.
    Este texto caiu num exame de admissão a determinado pessoal da Função Pública.

    Sobre as vírgulas e a restante pontuação, confesso que não me importo de ler ou de deixar escapar nesta caixa de comentários, porque os textos são por nós publicados, tantas e tantas vezes sem revisão. No entanto, numa obra literária, a pontuação deve ser aprimorada segundo as regras ou, como em alguns casos de escrevinhadores pátrios, sem esse quindim.
    O livro que mais trabalho me deu a corrigir - e fi-lo porque se tratava do filho de um amigo - foi uma tese de doutoramento em Matemática. Às tantas, eu já não sabia se a pontuação ia ou não estragar as fórmulas e o conteúdo temático e técnico.
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    Pedro Almeida Sande 09.07.2013

    Jocamartinho Não há aí um d a mais. Do homem ou o homem?
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