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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Jul13

E Eça, hem?

Maria do Rosário Pedreira

Lembrei-me de Fernando Pessa a dizer «E esta, hem?» no fim das suas reportagens e não resisti… José Luís Peixoto reescreveu há meses Os Lusíadas para garotos e deram-lhe forte e feio nos jornais e no Facebook, por isso não sei o que lhe vai acontecer agora – a ele e a mais cinco autores, a quem o semanário Expresso pediu que prolongassem a história d’Os Maias até à fundação do jornal, em 1973. Vamos, pois, ver como vão Peixoto, José Eduardo Agualusa, Mário Zambujal, Rentes de Carvalho, Clara Ferreira Alves e Gonçalo Tavares imaginar, cada um num período específico, a história desta família que já passou pelos olhos de milhares de portugueses, nem que tenha sido na Escola Secundária, na qual foi leitura obrigatória ao longo de muitas décadas. Os estilos da narrativa prometem variedade; e sendo, como li, o pivot de todos os volumes o mesmo – Carlos da Maia –, a circunstância vai certamente causar alguma estranheza que pode ser igualmente enriquecedora. Eu, pelo menos, fico curiosa e desejosa de saber se este Maia tem mais sorte do que os seus antecessores… O primeiro volume sai já no próximo sábado. Com o Expresso, evidentemente.

2 comentários

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    Cristina Torrão 11.07.2013

    «explicar às crianças, que têm de perceber o contexto e a época em que as obras são escritas para as poderem valorizar» - sem dúvida. Mas é precisamente isso que eu acho que falta nesta reescrita!

    Eu sei que a tarefa é difícil, porque, a fim de se reescrever a obra para crianças, fazendo-as entender de que tratam os versos, qual a história que contam, terá de se proceder à "tradução" literal. Mas não haveria lugar para uma certa ironia, de vez em quando, dando a entender que a obra foi escrita noutro contexto, noutra época?

    Não sei se José Luís Peixto o fez, só li o Canto IX. Mas frases do género: «Os infiéis eram manhosos, versados em falsidades, e usavam as suas artes para convencer os mercadores a não comprarem um metro dessa fazenda" não me parece adequada aos tempos de hoje. Foi isso que Camões escreveu, mas não haver nem uma nota final a explicar que se devem colocar estas afirmações no contexto...
    Ou ainda: «Levava ainda Monçaíde, fiel e bonito. Inspirado pela pureza delicada dos anjos, quis fazer-se cristão. Ó feliz, abraçou-se à verdade» - esta última frase parece-me supérflua e eu optava por não a publicar, por exemplo.

    Em relação aos «Maias», eu não me refiro propriamente ao «spleen», ao carácter (ainda se escreve assim, ou não; confesso que não sei) deprimido, mas mais a uma incapacidade de reagir a certas situações, muito vincada em Pedro da Maia, para grande desgosto do pai Afonso. O filho Carlos, educado pelo avô para ser diferente, acaba por herdar bastante desse traço do pai, o que ajuda à tragédia. O que, no fundo, matou Afonso da Maia foi o facto de saber que o neto se tinha ido, mais uma vez, encontrar-se com a amante, depois de saber que ela era sua irmã! Essa fraqueza dele é que acabou por aniquilar o avô.

    Essa inação, a passividade, o «deixar-se levar», está muito bem caracterizada por Eça na sua personagem Artur de «A Capital».

    Já agora, aproveito para dizer que nada tenho contra o reescrever, dar continuação, ou mesmo inventar um pré-enredo para um clássico da literatura. Pelo contrário. Lembro-me agora do filme «Rapa Nui» (não sei se há o livro), sobre os antecedentes da história que culminou com a Jane Eyre e que adorei. Mas, quando se tem uma certa ideia, o confronto com algo que achamos descabido pode chocar, ou desiludir. É só isso.
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