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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Jul13

Itinerários

Maria do Rosário Pedreira

Leio num jornal que, na Vidigueira – numa iniciativa que se chama Vidigueira Cidade do Vinho 2013 e integra a rede Os Caminhos de Vinha na Europa –, a autarquia promove o vinho da região através de um itinerário turístico que inclui a participação nas vindimas, um passeio guiado pelas vinhas e provas de vinhos. O néctar dos deuses, pelo menos de Baco, está na moda – e existe um turismo vinícola consolidado no Velho Continente e não só (na Califórnia, consta que também dá uvas). Mas, se às vezes parece que a cultura em época de crise está reduzida ao vinho e à gastronomia, não é bem assim – e contam-me que alguns operadores turísticos usam os livros como motivo de viagem (nunca houve tantos americanos no Louvre como depois de ter sido publicado O Código Da Vinci) e os escritores como guias (depois de ter escrito Dentro do Segredo, por exemplo, José Luís Peixoto foi requisitado para «mostrar» a Coreia do Norte a quem quis e teve dinheiro para o acompanhar). Na cidade de Dublin, há muitos anos, já havia itinerários para os turistas baseados no Ulisses, de Joyce (ainda guardo um mapa lá em casa), e no Porto lembro-me de ter sido traçado um caminho romântico a partir da obra de Camilo. Há muitas viagens literárias que gostaria de fazer, é um facto, embora saiba que nenhuma agência pode transportar-me a Macondo ou ao Coração das Trevas. Mesmo assim, não é má ideia inventar roteiros que nos levem a conhecer melhor os cenários dos livros que amámos. Ou usar essas viagens para despertar o interesse pela leitura a quem ainda não os tenha lido, claro.

6 comentários

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    ASeverino 17.07.2013

    Minas de São Domingos, o PAGO sabem o que era o PAGO? O meu pai ia lá, creio que à terça-feira...
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    mdiogo 17.07.2013

    Pago (por ser o dia de pagamento do salário) nome dado à feira. Pago Velho, tipo centro comercial, sempre aberto. Locais únicos que nunca conheceram o olhar atento de nenhum bom contador de histórias... que eu saiba.
    Saudações
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    Aseverino 17.07.2013

    Não sei se nada terá sido escrito sobre a MINA DE SÃO DOMINGOS (sempre dissemos a Mina e não as Minas).E tanta coisa para contar, e tanta vida para contar, mil e uma histórias absolutamente memoráveis e que mereciam ser contadas...Nunca ali, naquelas bandas, tivemos um grande escritor que as soubesse contar.
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    Anabela F. 18.07.2013

    Fiz o meu mestrado na Mina! Conheço aqueles caminhos e aquelas ruínas como as palmas das minhas mãos! Ou conhecia, porque foi há 20 anos (comecei a ir lá em 1993 e deixei de ir em 1998) e sei que está bem diferente. Muita matéria-prima literária por explorar, é certo! Sei que já serviu de cenário a filmes. Não tenho a certeza se ainda é assim, mas pelo menos parte daquele território é/foi alemão! Joguei ténis no campo de ténis abandonado. Espreitei ao portão do «palácio», que agora creio que é um hotel. Nadei na Tapada Grande e vi uma águia-pesqueira em plena pesca na Tapada Pequena. Percorri, de carro e a pé, muitos dos quilómetros da antiga linha de caminho de ferro entre a Mina e o Pomarão. Recolhi água das lagoas contaminadas, com pH muito ácido (inclusive do buraco da Mina). Andei de barco insuflável na albufeira quando estava cheia e, depois, andei no fundo da albufeira, num ano de seca, com um cenário indescritível! Comi os melhores caracóis do mundo! Conheci gente da Mina, que nos foram ajudando a descobrir os lugares e os acessos. Fiz saídas noturnas, com a Via Láctea bem nítida no céu. Ouvi o Bufo-real no outro lado do monte. O que eu revivi agora com tudo isto!
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    ASeverino 18.07.2013

    Ó Anabela pois eu fiz ali a minha infância mais pequenina, quantas vezes eu não fui da Corte Pinto à Mina (3Kms ), de charrete ...pela mão do meu tio preferido e esperava por ele sentado num banco corrido no Largo da Mina (onde se fazia o Pago), na venda em frente da paragem das camionetas que iam para Serpa,Mértola, Beja... enquanto ele fazia negócios (farinha)...oh minha infância bela, ainda os homens usavam chapéu e o meu pai até cajado usava (e era um jovem, muito jovem-o meu pai). Creio que quem explorava a Mina não eram os Alemães mas sim os Ingleses Beralt Thin & Volfram, creio que seria esta a empresa exploradora).
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