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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Set13

O mal-amado

Maria do Rosário Pedreira

Raramente um protagonista masculino é tão frágil como o de Maldito Seja o Rio do Tempo, de Per Petterson, o norueguês que se celebrizou com Cavalos Roubados, romance que lhe valeu muitos prémios e a tradução em cerca de cinquenta países. Este novo livro (que merecia, de resto, um maior cuidado a nível da redacção e da revisão na edição portuguesa – encontrei «verãos» por «verões» mais de uma vez, só para dar um exemplo) fala-nos de um homem de 37 anos a quem, de repente, parece ter caído o mundo em cima: já não lhe bastava o facto de a mulher lhe ter pedido o divórcio (e este amor tem muito que se lhe diga), de ter deixado de acreditar no comunismo e percebido que fez demasiadas asneiras no passado em nome da ideologia (como deixar a universidade para trabalhar numa gráfica, inspirado na revolução cultural de Mao), e ainda descobre que a mãe tem um cancro e, provavelmente, pouco tempo de vida. Decide, pois, ir ter com ela à casa de Verão que possuem numa pequena povoação da Dinamarca (donde ela é oriunda) com o intuito de a apoiar; mas é ela quem, afinal, lhe dá força e mimo, embora de um modo frio, quase bergmaniano, dizendo-lhe, por exemplo, que nunca percebeu como quis ele pertencer à classe operária se desde sempre fazia parte dela. A Noruega deste livro é, de resto, completamente nova para mim, que só conheço a fama que o país tem de ser o melhor do mundo para viver e ignorava as vidas duríssimas dos que trabalham nas fábricas, metade do tempo de noite, e sempre com tanto frio. Maldito Seja o Rio do Tempo (curiosamente, um verso de um poema de Mao sobre a saudade da infância) é um romance admirável sobre relações familiares complexas, sobre as vidas que chegam ao fim e as que, tendo hipótese de recomeçar, continuarão ainda mais apagadas do que as que se extinguiram. Per Petterson é um autor que merece a nossa atenção.

3 comentários

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    Anónimo 16.09.2013

    Ó Severino, o Aprazível Suicídio em Grupo fez-me rir até às lágrimas, de tão divertido que é.
    Toda a gente devia ler esse livro em vez de tomar comprimidos!
    Mas eu já conhecia o Paasilinna da «Lebre de Vatanen».
    Quanto à Morte de um Apicultor, pode ler-se em 2 horas, mas fica-se a pensar nele durante muito tempo...
    Antonieta
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    ASeverino 16.09.2013

    Li "A LEBRE DE VATANEN " mais ou menos na mesma altura (em 2011) mas creio que gostei mais do suicídio (mas ao fim de dois três meses já não me lembro da maioria dos livros que li, excepto daqueles que me extasiaram).
    Neste ano de 2013 só três me extasiaram:
    -A PASTORAL AMERICANA - Philip Roth
    -A FILHA DO COVEIRO - Joyce Carol Oates
    -TUDO O QUE SOBE DEVE CONVERGIR - aliás não foi propriamente este livro mas o que me extasia é toda a escrita desta absoluta e magistral escritora: FLANNERY O'CONNOR (SANGUE SÁBIO é imperdível).
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