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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Jun18

Corto, Bianca e Valente

Maria do Rosário Pedreira

«Animar», palavra a que associamos logo uma vertente positiva, vem de «ânimo» (e este pode estar de rastos, por isso se fala também de «levantar o ânimo» de quem anda em baixo e precisa de mimos). O ânimo, para quem não saiba, está relacionado com a «alma» (anima, em latim) e, como tal, o verbo «animar» significa igualmente dar alma (ânimo) a uma coisa morta ou sem vida. Mário Cláudio dá vida (e também memórias, ainda por cima secretas) a três personagens de BD muito distintas,  criadas respectivamente por Hugo Pratt, Hergé e Hal Foster – e logo à tarde, quando lançarmos o seu mais recente livro de que já aqui falei – intitulado justamente Memórias Secretas – haverá ainda outras pessoas que darão vida a estas três figuras de papel e farão de Corto, Bianca e Valente, lendo as memórias secretas que Mário Cláudio, detentor de alguns documentos raros e preciosos, lhes atribui. Assim, se estiver pelo Porto ou nas redondezas, não deixe de vir a esta sessão que promete ser bem original na Fundação Eng. António de Almeida. A apresentação estará a cargo da professora italiana Maria Bochicchio. O convite ai vai:

 

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06
Jun18

O bom regresso

Maria do Rosário Pedreira

Havia muita gente a perguntar-se por que diabo não estava já reunida em colecção própria publicada por uma editora a obra da grande escritora Maria Judite de Carvalho (1921-1998), que está longe de ser apenas a autora de Tanta Gente, Mariana, talvez a sua obra mais emblemática e lida, e ainda mais longe de ser apenas a mulher do escritor Urbano Tavares Rodrigues, embora a sua discrição a tenha feito viver sempre um pouco à sombra do marido (mas muitos dos críticos consideram-na mais talentosa do que Urbano). Há uns anos pareceu que a Babel iria dar conta do recado, mas não deu (nem desse, nem de muitos outros – a obra de Agustina, por exemplo), e a Minotauro, do Grupo Almedina, deitou agora a mão ao projecto e já lançou o primeiro volume, que reúne, além do livro de contos que já referi, As Palavras Poupadas, de 1961, colectânea que ganhou o Prémio Camilo Castelo Branco. Vão seguir-se, segundo o anúncio da Minotauro, outros cinco volumes, todos eles com capas que reproduzem pinturas de Maria Judite de Carvalho que, além de escrever, também era uma artista exímia com o pincel (no volume lançado, reconheço na capa a sua filha Isabel, que também escreveu obras de ficção). Portanto, vamos poder ler de fio a pavio a obra de Maria Judite de Carvalho e devemos fazer vénia à editora que se atirou à empresa. Agora, já não há razão para não ler esta enorme escritora.

 

320x.jpg

 

 



05
Jun18

Publicar e ser publicado

Maria do Rosário Pedreira

Este título podia ser a minha história de vez em quando. Mas – e ainda bem – não tem a ver com isso, mas com um debate que ocorrerá logo à noite na Feira do Livro de Lisboa. Temos vindo a assistir a um desinteresse gradual dos leitores pela literatura dita séria (a única que é literatura, embora muitos chamem literatura light ou comercial a um certo tipo de ficção sem sumo nem profundidade) e, como tal, precisamos de reflectir sobre o que o originou e o que podemos fazer para reverter a situação. Quando muita gente se junta a pensar, acabam por surgir ideias e, como tal, esperamos que isso aconteça hoje às 19h30 com a participação dos escritores David Machado, João Ricardo Pedro e Nuno Camarneiro (detentores de prémios nacionais e internacionais, todos ainda relativamente novos e com muito para dar se as pessoas quiserem continuar a ler literatura) e, além da minha pessoa (para falar do que é publicar), do moderador – o jornalista e crítico literário Luís Ricardo Duarte. À noite, nunca se sabe quem vai à feira – e espero que na plateia esteja mais gente do que no palco; por isso leve um casaquinho se arrefecer e vá lá fazer-nos companhia.

04
Jun18

Somos Douro

Maria do Rosário Pedreira

No dia 1 começou o festival Somos Douro, que se estenderá até ao dia 17 deste mês e, dedicando-se especialmente aos jovens da região, abarca nada  mais nada menos de 19 municípios! Tem como comissária Anabela Mota Ribeiro e pretende envolver as comunidades locais nas actividades multidisciplinares que vão desenvolver-se e que, tomando como ponto de partida os binómios «ser/pertencer», «aprender/fazer», «descobrir/partilhar», contemplarão a relação dos intervenientes com o património (incluindo o Douro Vinhateiro que, não por acaso, tem o selo da UNESCO há dezasseis anos). Aproximar-se-ão lugares e estratégias, colocando um autocarro ao dispor dos interessados e fazendo com que os artistas visitantes trabalhem com os da geografia duriense (Camané, por exemplo, abriu o festival cantando com a Orquestra de Cordas de Vila Real em Lamego). Não faltarão escritores, evidentemente: depois de Pedro Mexia, Leonor Baldaque e Bernardo Pinto de Almeida (que participaram em conversas no fim-de-semana), hoje Ana Margarida de Carvalho estará em Santa Marta de Penaguião onde viverá por uma semana e fará uma oficina de escrita dirigida àqueles que gostam de escrever (mas estarão presentes muitos mais autores, entre eles o americano mais português que conheço: Richard Zimler). Até dia 17 o programa é intenso, dividindo-se por muitas áreas do conhecimento (a cientista Maria Manuel Mota, Prémio Pessoa, intervirá dia 7, e a historiadora Irene Pimentel no dia 13). Todas as actividades são gratuitas, e quem se queixa das coisas centralizadas, tem aqui uma boa oportunidade de ver que nem sempre é assim e de ir dar um pulinho ao Douro, além do mais, para encher o olho de paisagem.

01
Jun18

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Não ando a ler, já li, mas para o caso tanto faz porque é dele que vou falar hoje. Chama-se Na Memória dos Rouxinóis e escreveu-o Filipa Martins, autora que venceu o Prémio de Revelação da APE em 2004 com Elogio do Passeio Público (que também li há muito tempo) e escreveu pelo meio outros dois romances que não cheguei a ler (apesar de ter em casa um deles, Mustang Branco). Ora, o mais incrível neste livro publicado há uns meses, e lançado durante as Correntes d’Escritas, é que, se eu não soubesse de quem era, nunca diria tratar-se de um livro escrito por uma mulher (mesmo que na página da Wook o anunciem como um livro «feminino», não sei porquê e, aliás, nem concordo). Este facto é tão ou mais interessante porque, na verdade, o narrador desta história é um homem, bem como, aliás, as personagens que importam no livro: aquela à volta da qual tudo gira – Jorge Rousinol, galego, matemático, genial jogador de xadrez, que encomendou a própria biografia antes de morrer embora tenha sempre defendido o esquecimento contra a memória no momento de tomar uma decisão –, os seus pai e avô e Camilo, sobrinho do velho e namorado do narrador, que é quem anda a escrever a biografia do ilustre Jorge Rousinol. Bem, previno-vos que de modo nenhum se trata de um livro fácil, não apenas porque o seu enredo é intricado e contado em planos distintos, mas também porque esta escritora lança mão a um manancial de informação muito variada e tem tantas metáforas na manga (muitas delas extraordinárias) que, como poeta, tive até um bocadinho de inveja, mesmo que por vezes me pareça que essa «complicação estratégica» poderia, aqui e ali, ser aliviada com vantagem. Mas é um livro a ler com atenção, disso não tenho dúvidas, e por isso proponho-o aqui àqueles que gostam de deliciar-se com linguagens novas e romances que ensinam. Quem estiver curioso, pode também ler uma interessante entrevista com a autora, cujo link deixo abaixo. Boas leituras.

 

https://sol.sapo.pt/artigo/607452/filipa-martins-fui-ao-pedopsiquiatra-e-receitaram-me-livros

 

P.S. Depois de amanhã será a entrega do Prémio LeYa a João Pinto Coelho na Praça LeYa, Feira do Livro de Lisboa, às 18h30. Apareça.

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