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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

07
Jun19

Crónica

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de partilhar a crónica:

 

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/25-mai-2019/interior/omitir-ou-debater-10935928.html

 

Para quem gosta de mapas, como é o meu caso (mais de olhar para eles do que de segui-los), as Edições 70 publicaram recentemente o livro História do Mundo em 12 Mapas, que reproduz os diferentes mapas do mundo criados ao longo dos séculos e a influência que tiveram na nossa percepção do mundo. Desde a Grécia antiga ao Google, é a não perder.

 

06
Jun19

Tríptico

Maria do Rosário Pedreira

Empregado de um homem de leis velho e respeitado, Hans Kunsperger sempre invejou o patrão. Mas não foi apenas o desejo de ficar com as suas coisas que o levou a tomar a decisão de o assassinar lentamente. A sua maior ânsia consistia em furtar-lhe o sonho por tantos anos acalentado de encomendar um tríptico representando a Crucifixão, a Deposição e a Ressurreição de Cristo para oferecer à igreja onde fora baptizado. É este tríptico que levará Kunsperger até ao estúdio de Lucas Cranach, pintor de créditos firmados e amigo de Martinho Lutero, onde conhece os dois filhos do artista, um dos quais terá um papel determinante na conclusão da encomenda que verá muitos sucumbirem antes de ser finalmente entregue. Com a poderosa imaginação a que nos acostumou, Mário Cláudio, no ano que comemora o seu 50.o aniversário como escritor, oferece-nos, também ele, um tríptico notável de que é impossível afastarmos os olhos.

 

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05
Jun19

Pesadelo

Maria do Rosário Pedreira

Todos os escritores têm pesadelos, especialmente nas vésperas da saída dos seus livros. Em 2001, uns dias antes de ser publicado o meu segundo livro de poemas, sonhei que uma jornalista de quem eu não gostava me acusava de plagiar um poeta americano. Eu ia à procura do livro desse poeta e era obrigada a concluir que o meu era de facto uma mera tradução involuntária. Não conhecia o poeta, mas quem ia acreditar nisso? No sonho, o pior de tudo era que nem os meus amigos acreditavam em mim. Acordei nessa altura... Porém, nem o pior pesadelo pode equiparar-se ao que Naomi Wolf está a viver na realidade. A dias da saída do seu novo livro, a autora de História da Vagina recebeu uma lição horrível em directo num programa de rádio. É que a tese que defendia em Outrages: Sex, Censorship, and the Criminalization of Love assenta em casos de pessoas condenadas à morte por prática de sodomia e outros actos sexuais; só que a expressão «death recorded» nos documentos que consultou em vários tribunais não quer dizer «execução» ou «sentença de morte», como ela pensava, mas que o juiz se absteve de condenar o réu, convicto de que ele acabaria por receber o perdão real... A escritora nunca mais se vai esquecer disto, evidentemente,  o problema é que todo o livro se baseia em casos que, afinal, não aconteceram e dos quais ela partiu para fazer uma longa reflexão que, afinal, não tem sentido. O editor já deve estar a pensar em quantos livros vão ter de pôr no lixo. Ui, isto é que é mesmo um pesadelo.

 

04
Jun19

Novidades

Maria do Rosário Pedreira

Aqui há uns tempos, quando estava a reunir letras e poemas para fado oriundos de autores ditos eruditos (com obra publicada exterior ao fado) para uma antologia que ainda não saiu, descobri que Lídia Jorge era autora de uma série de textos que depois foram cantados, nomeadamente pela fadista Mísia. Foi uma boa surpresa, não só porque não lhe conhecia essa faceta, mas porque de facto a qualidade era francamente digna de nota. Agora, vem a notícia fresquinha da publicação do primeiro livro de poemas desta autora reconhecida cá e no estrangeiro pela sua obra ficcional. Ao que parece, Lídia Jorge escrevia poesia há muito mas só agora decidiu publicar uma selecção de 50 textos. A colectânea chama-se Livro das Tréguas e corresponde, segundo a autora, a «uma espécie de autobiografia consentida». Uma nova voz que vale muito a pena acompanhar.

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03
Jun19

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Falei de raspão neste livro que ando agora a ler quando me referi ao número de títulos recentes que se prendiam com a figura da mãe, muitas vezes em tom de luto e saudade. Mas, na verdade, Em Tudo Havia Beleza, de Manuel Vilas, sendo um livro sobre a orfandade, é muito mais uma homenagem ao pai, o verdadeiro herói do narrador, do que à mãe; fui induzida em erro por ter conhecido o seu autor como poeta em Cartagena das Índias e tê-lo ouvido dizer um lindo poema sobre a ausência da mãe que consta também das últimas páginas deste livro. Mas o pai aqui é o Bach dos pais, enquanto a mãe, com o seu terrível feitio, é «só» a Wagner (o autor gosta de música e atribui nomes de compositores aos seus familiares). Intitulado originalmente Ordesa (um monte aonde o autor ia passear com o pai em pequeno), este livro de memórias e desabafos é talvez das coisas mais ressentidas e magoadas que li até hoje, porque, por um lado, perder pai e mãe é uma solidão indizível, sobretudo para quem não se sente amado por ninguém (incluindo os filhos); e, por outro lado, está sempre presente a raiva imensa de um membro de uma família pobre que queria melhor para os seus pais e se zanga muito com quem teve tudo de mão beijada, como, é só um exemplo, os monarcas espanhóis. Confesso que esperava uma coisa um nadinha diferente, menos rebarbativa, mas este foi considerado livro do ano por muitas publicações espanholas diferentes e de diferentes quadrantes, o que quer dizer que deve ser lido por toda a gente.

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