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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

29
Nov19

Crónica e livros de Natal

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica. Ela aqui vai:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-nov-2019/ler-eou-escrever-11518084.html

Para quem quiser oferecer livros no Natal, haverá uma Festa do Livro que começa já no dia 3 de Dezembro e vai até dia 24, todos os dias das 10h00 às 20h00, em Oeiras. Irá decorrer no Centro Comercial Galerias Alto da Barra (ao lado da NATO)  e será organizada pela BooksLive by BL Livreiros. A Livraria irá contar com milhares de livros e também com uma oferta cultural variada, com horas do conto e sessões de autógrafos. A não perder.

28
Nov19

Língua portuguesa em crise

Maria do Rosário Pedreira

No mesmo dia em que leio a notícia de que a UNESCO oficializou o dia 5 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, leio também como esta é tão maltratada nas nossas televisões. Em tempos, trabalhou comigo uma rapariga que tinha feito uma especialização em legendagem e tradução e se queixava de não arranjar colocação em nenhum dos canais existentes porque o trabalho era realizado havia anos pelas mesmas pessoas, que levavam pouco e por isso não eram substituídas. Eu não vejo muita televisão, embora já tenha apanhado erros cabeludos nos rodapés; mas desconhecia que estes são cada vez mais regulares; e Isabel A. Ferreira, no blogue O Lugar da Língua Portuguesa, conta: «A legendagem em Portugal é uma vergonha nacional. Diz da pobreza cultural e linguística em que o país está mergulhado.» E a seguir fala de «ignorância«, «analfabetismo», «falta de brio profissional» e, claro, da «forretice dos empregadores, que pagam uma ninharia». Então, o problema persiste? Pior, agrava-se: no artigo de Isabel A. Ferreira mostra-se a fotografia do ecrã de um telejornal da SIC em que, no rodapé, além de uma falta de concordância entre sujeito e predicado (que também é cada vez mais comum, mesmo na oralidade, em entrevistas), a palavra «produzido» aparece «pruduzido»… Enfim, criam-se especializações para quê, se depois o trabalho é sempre para quem leva menos dinheiro? Não há profissionalismo... nem vergonha. E a língua portuguesa ressente-se.

27
Nov19

Rapazinho com cem anos

Maria do Rosário Pedreira

Já ouviu falar de Lawrence Ferlinghetti? Se não costuma ler poesia, é natural que não, embora seja um dos nomes mais importantes da Beat Generation em matéria de poetas (com Allen Ginsberg, autor do famoso Uivo, e Gregory Corso). Mesmo assim, é difícil que não venha a ouvir falar dele nos tempos mais próximos em Portugal. É que o senhor Ferlinghetti (faço a devida vénia quando escrevo «senhor»), quase a completar cem anos, sabe-se lá como ainda conseguiu sacar um livro da cartola. Surpresa das surpresas, desta vez trata-se de um romance! Ao que parece, é semi-autobiográfico e preenchido por memórias do escritor. Chama-se (que título tão bonito) Rapazinho, e o agente de Ferlinghetti (que também já tem a linda idade de 98 anos) já o vendeu em não sei quantos países. Por cá, sai na Quetzal, que, ao anunciá-lo, refere: «É uma fonte de conhecimento literário com alusões ao mundo e à vida literária do autor, à sua geração, e um convite ao maravilhamento. Um romance leve, luminoso e destinado a recordar o mundo como ele devia ser.» Vamos ter de conferir.

Em tempo, a pedido da Maria, ponho a capinha.

Rapazinho.jpg

 

26
Nov19

Canetas

Maria do Rosário Pedreira

Todos nós, que escrevemos – e não falo apenas de escrever para publicar, mas de redigir notas, letras, cartas, mensagens, listas, crónicas, poemas… –, temos sempre certas canetas de que gostamos mais. Actualmente, a minha preferida é uma caneta Uniball de tinta preta (uso também muito a vermelha quando estou a editar) que, por fora, é maioritariamente cinzenta e de que compro muitos exemplares ao longo do ano. Não cansa, é macia, nem fina nem grossa. Mas, quando era adolescente, a escolha era mesmo reduzida (lembram-se do anúncio Bic Laranja, Bic Cristal? Pouco mais havia...), pelo que fiquei muito contente quando, talvez por volta dos 14 anos, a minha avó me ofereceu uma esferográfica Parker, que era macia e contribuía menos para aquele calo que se formava no dedo médio de tanto escrever. Depois, num repente, apareceu tudo e mais alguma coisa, e a Parker ficou obviamente para trás, soterrada por marcas mais cotadas, como a Montblanc. E não é que hoje, no meio daquela publicidade que invade diariamente as nossas caixas de correio electrónico, me aparece um reclame da Parker, que eu já julgava mais do que defunta? Mostrava um modelo novo e dizia assim: «A Parker nasceu em 1888, na Grã Bretanha, como fabricante de canetas de luxo. […] quando a ocasião sugere um presente memorável, quando nenhum presente comum serve, escolha uma bela caneta Parker. Será uma lembrança que vai combinar com o seu bom gosto.» Bateu cá uma saudade… Qualquer dia ainda volto à velhinha Parker. (Passe a publicidade.)

25
Nov19

Contos portugueses na TV

Maria do Rosário Pedreira

Parece que a RTP vai fazer a adaptação de treze contos portugueses, uns clássicos, outros contemporâneos, num projecto em que – tanto quanto me foi dado entender – os realizadores serão também todos diferentes: 13 contos de 13 autores resultam em 13 telefilmes realizados por 13 realizadores. É claro que o projecto não se poderia chamar senão… Trezes. Para José Fragoso, o director de programas do canal público, este projeto é importante sobretudo pelo facto de as telenovelas serem muito comuns e as séries estarem a ser produzidas com uma regularidade assinalável, mas o telefilme ser um género bastante raro nas estações de televisão portuguesas e ser gratificante poder fazer cinema em Portugal para ser visto por todos. Desde «A Abóbada», de Alexandre Herculano (que achei uma chatice enorme quando o li na escola, desculpem a sinceridade), até «Miss Beijo», de Lídia Jorge, ou «As Cinzas da Mãe», de Cristina Norton, passando por textos de Eça, Namora, Cardoso Pires ou Mário de Carvalho, há muito a esperar em 2020 destas adaptações de textos literários portugueses e dos seus realizadores (que incluem António-Pedro Vasconcelos ou António da Cunha Telles, mas também outros mais jovens e desconhecidos). Os guiões serão escritos por Pedro Marta Santos (de quem já publiquei um romance que tinha sido finalista do Prémio LeYa), Patrícia Muller (também autora de romances), Miguel Simal e Leandro Ferreira. Vamos aguardar.

22
Nov19

Crónica e desassossego

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-nov-2019/modernices-11492841.html

Regressaram ontem, como acontece todos os anos, os Dias do Desassossego, que unem os escritores Saramago e Pessoa. Depois de uma conversa sobre Mário de Sá Carneiro que deve ter sido bem gira, hoje à tarde, no antigo Cinema Europa, a conversa também promete. Susana Moreira Marques modera o diálogo de António Pinto Ribeiro com Margarida Vale de Gato subordinado ao tema «Leitores feitos de livros», ou seja, cada um falará dos livros que o formaram enquanto leitor, que o acompanham pela vida fora e aos quais regressa uma e outra vez. Amanhã e domingo haverá programação musical, oficinas para crianças, cinema e teatro. O melhor mesmo é consultarem a página da Fundação José Saramago e escolherem a que querem assistir. Bom fim-de-semana.

21
Nov19

2020: Uma previsão

Maria do Rosário Pedreira

Há dois anos, iniciou-se no Museu da Farmácia uma actividade anual ligada aos livros muito interessante. Foi inicialmente um encontro de editores pequenos, médios e grandes, que falaram dos principais problemas da profissão e da actividade, dos livros que iriam publicar e dos que tinham perdido para outros. Escolhiam três livros para aconselhar, um dos quais publicado por um colega. Esse primeiro encontro foi muito concorrido (também lá estive) e, no ano seguinte, voltou a acontecer com tradutores, alguns dos quais conheço há muitos anos (Maria do Carmo Figueira, por exemplo) e sei que foi um sucesso. Hoje, vai ser a terceira edição e, desta vez, estarão autores sentados à mesa para falar do que é escrever hoje em Portugal e para o mundo e quais são os livros de 2020 que preparam ou aconselham. A conversa será, como sempre, moderada por Luís Caetano, cujos programas dedicados aos livros e à poesia são conhecidos por muitos. Se quer saber o que se vai publicar em 2020, vá lá. Até porque o Museu da Farmácia é belíssimo e vale muito a pena ser visitado.

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20
Nov19

Soma e segue

Maria do Rosário Pedreira

As comemorações dos 50 anos de Mário Cláudio como escritor não param; depois de um momento alto no passado dia 9, em que foi possível mostrar a muitos as várias facetas deste autor prolixo através de um espectáculo que incluiu fado, poesia, teatro e uma entrevista ao vivo, amanhã inaugurar-se-á no Porto, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, às 18h30, uma exposição biográfica dedicada ao escritor, com livros, fotografias, manuscritos, objectos pessoais e muito mais. A curadoria é assinada por Jorge Velhote e Luís Barbot, o primeiro poeta e amigo de longa data de Mário Cláudio e o segundo seu primo direito, detentor por certo de fotografias de família e outras preciosidades. A exposição ficará patente até dia 4 de Janeiro. Mas não ficamos por aqui: nesta sexta à noite, a Livraria Lello abre também as suas portas a Mário Cláudio para uma conversa à roda da sua vida e obra. O momento contará com a presença do saxofonista João Guimarães a leitura de textos a cargo de Rui David. Apareçam, convites abaixo!

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19
Nov19

Cuba e Eça

Maria do Rosário Pedreira

Estive em Cuba em 1994, ano muito difícil para o país, mas, apesar de todas as dificuldades, adorei a viagem e adorei sobretudo os cubanos, que não tinham ponta de hostilidade nem ressentimento com os estrangeiros, ou não os mostravam. Portugal teve em Cuba alguns diplomatas conhecidos, mas o mais célebre de todos foi obviamente o escritor Eça de Queiroz, que foi cônsul em Havana. Amanhã vão celebrar-se os 500 anos da fundação da capital cubana e, simultaneamente, o centenário das relações diplomáticas entre Cuba e Portugal com a inauguração de uma exposição, Havana: Uma Cidade com 500 Anos de História, às 16h00, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, antecedida de uma conferência da escritora cubana residente em Portugal, Karla Suarez, sob o título Cuba e Portugal: Eça de Queiroz em Havana, às 14h00, no Auditório da Torre B. Esta palestra é aberta a todos os interessados. Eça sempre a bombar.

 

 

 

 

18
Nov19

Linguajar censurado

Maria do Rosário Pedreira

Acabo de publicar um livro infantil de David Machado, com ilustrações incríveis de David Pintor, que é o melhor presente que pode haver para crianças que estão a aprender a ler: Chama-se O Alfabeto Nojento e é completamente escatológico. Acho que os miúdos sempre adoraram histórias com cocós, arrotos, puns, etc., e que por isso vão aprender o alfabeto em três tempos com as partidas (nojentas) do protagonista. Mas há sempre o perigo de os pais bota-de-elástico não pensaram assim… No Brasil bolsonarista, por exemplo, uma autora de literatura juvenil, Luisa Geisler, acaba de ser «desconvidada» de uma feira no interior de Rio Grande do Sul por indicação do prefeito, que alegou ter um dos seus últimos livros palavrões e «linguajar inadequado». Enfim… Os adolescentes falam bem? Sem palavrões? Não é suposto os leitores identificarem-se com as personagens nestas idades? Querem fazer leitores ou não? A editora já se pronunciou contra a censura sofrida por esta autora, que foi duas vezes vencedora do Prémio Sesc de Literatura e duas vezes finalista do Jabuti, além de ter ganho o Machado de Assis e estado na lista de smifinalistas do Prémio Oceanos de Literatura. Espero que os pais portugueses não venham advogar um alfabeto limpinho contra este livro que agora publico…

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