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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

15
Nov19

Crónica e mais centenários

Maria do Rosário Pedreira

Voltando ao que é uso e costume, aqui vai a crónica:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-nov-2019/plastificados-11462717.html

Este tem sido o ano de todos os centenários e de todas as festas, mas preparem-se porque para o ano há mais. Antes de todos, Amália Rodrigues, que nasceu em 1920 (embora a data seja incerta e ela festejasse em dois dias diferentes, sem saber qual o verdadeiro); mas também o dramaturgo Bernardo Santareno, que foi igualmente médico e que será objecto de uma grande exposição da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Autores. Não se esqueçam que Amália, além de fadista, foi autora de imensas letras de fado, entre as quais a do conhecidíssimo Estranha Forma de Vida, letras essas que estão reunidas numa colectânea publicada pela Cotovia. Leiam-nas!

14
Nov19

Congressos

Maria do Rosário Pedreira

Ontem falei de Torga e hoje falo de outros dois grandes: um anterior (Eça), outro posterior (Saramago). É que, quase ao mesmo tempo, vão realizar-se dois congressos dedicados aos escritores que pus entre parênteses. É já hoje que o nosso Nobel da Literatura é festejado no Palácio Nacional de Mafra – sítio mais do que apropriado – num encontro organizado por Miguel Real, com a participação de inúmeros especialistas nacionais e internacionais, estudiosos e interessados na obra do escritor, e em estreita colaboração com a Fundação José Saramago, parceira estratégica desta iniciativa, que vai até dia 18.​ Por seu turno, amanhã inicia-se na Sociedade de Geografia o congresso «Eça de Queiroz nos 150 Anos do Canal de Suez», que dura igualmente até dia 18 e tem uma extensão na Biblioteca Nacional. A organização é da revista Nova Águia, do Movimento Internacional Lusófono (MIL) e do CLEPUL (Faculdade de Letras) e conta com vários painéis que prometem ser originais. Os programas completos podem ser consultados nos links abaixo:

https://rotamemorialconvento.wixsite.com/congresso

https://queiroz150suez.blogspot.com/2019/10/programa-do-congresso.html

13
Nov19

Torga outra vez

Maria do Rosário Pedreira

Alguém me contou que Miguel Torga era forreta e raramente oferecia livros; e que era bastante avesso a autografar. Li também algures que uma vez, recebendo um recado de Amália Rodrigues dizendo que estava no andar de baixo em casa de amigos e, tendo descoberto que ele morava ali (ou tinha o consultório, já não sei), o queria conhecer, este mandou pela mesma via a resposta de que não tinha qualquer interesse no encontro com a fadista. Consta que não era um homem fácil, mas lá que era bom no que fazia isso não se pode negar – e se calhar só não ganhou o Nobel da Literatura por, no seu tempo, ser tremendamente difícil conseguir ser traduzido e publicado no estrangeiro. Não há, porém, qualquer dúvida de que era um escritor de mão cheia – e hoje, se quiser ser honesta, talvez lhe atribua uma boa parte da minha curiosidade livresca, pois foi, entre outras coisas, com os seus Contos da Montanha que, muito novinha, me apaixonei pela literatura. Depois vieram Os Bichos, os poemas, os diários; mas por acaso nunca li o seu único romance, Vindima, publicado em 1945, que, segundo um texto de Fernando Pinto do Amaral, trata das injustiças sociais vividas no Douro Vinhateiro nesse tempo e tem uma abordagem próxima do neo-realismo. O livro acaba de integrar aquela colecção que o Público está a fazer, de médicos-escritores, e sai dia 19. Vou decididamente espreitar.

Em tempo: Hoje começa o The Pessoa Festival com uma programação muito boa, conduzida por Mirna Queiroz, directora da revista Pessoa. Está tudo aqui:

https://www.revistapessoa.com/artigo/2862/the-pessoa-festival-chega-a-lisboa

 

12
Nov19

O país amigo

Maria do Rosário Pedreira

Durante e logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, entre 1947 e 1952, num programa levado a cabo pela Cáritas para poupar os mais novos à fome e à destruição de suas casas e cidades, Portugal recebeu várias crianças austríacas que vinham para morar com famílias que nem sequer conheciam: algumas ficaram por aqui meses, outras muitos anos, outras para sempre (cheguei a conhecer uma dessas raparigas que acabou por se casar com um português). Vinham de comboio de Viena até Génova, em cujo porto apanhavam o barco para Portugal, e depois eram distribuídas por vários pontos do país amigo, chegando a chamar «pais» a estes pais que as acolhiam e lhes davam carinho num momento de trauma. Muitas delas nunca mais se esqueceram de Portugal, onde fizeram tantos amigos, e voltavam para passar férias sempre que podiam. A escritora de literatura infanto-juvenil Rosário Alçada Araújo, contemplada com uma bolsa de criação literária da DGLAB, dedicou-se à investigação das «Crianças Cáritas» – assim ficaram conhecidas – e publicou recentemente O País das Laranjas, uma história ficcionada à roda de dois irmãos austríacos – Martha e Peter – que vêm para Portugal nesses anos da guerra. Ainda não o li, mas é um bom assunto para um romance juvenil num tempo em que os «refugiados» estão na ordem do dia e muita gente foge de países em guerra e procura um destino melhor. Quanto mais cedo os pequenos leitores tiverem conhecimento destas histórias, melhor. Parabéns à autora pela escolha do tema.

11
Nov19

Crónica e gastronomia

Maria do Rosário Pedreira

Excepcionalmente à segunda-feira, aqui vai o link da crónica:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/26-out-2019/eternos-meninos-11440133.html

Guida Cândido, autora do belíssimo e saborosíssimo Comer como Uma Rainha, que contém hábitos, modas, contributos e receitas de cinco rainhas portuguesas de várias épocas, acaba de ser sagrada vencedora do Prémio da Academia Portuguesa de Gastronomia, que lhe será entregue numa cerimónia em que estará presente o Primeiro-Ministro, no dia 27 deste mês. Parabéns, Guida Cândido! Há muito chefe mediático por aí, mas nada ultrapassa uma investigação a sério no âmbito da história da alimentação!

 

08
Nov19

Mário Cláudio

Maria do Rosário Pedreira

Hoje, a meio da tarde, viajarei para o Porto, onde amanhã realizaremos uma bonita festa (espero eu) em honra do escritor Mário Cláudio, que completa este ano 50 Anos de Vida Literária. Além de uma obra romanesca de grande dimensão (contos, romance e literatura biográfica), Mário Cláudio escreveu teatro, crónicas, poesia e letras de canções, pelo que vamos tentar mostrar ao público todas estas facetas em que foi premiado («Retrato», cantado por Carlos do Carmo com Bernardo Sassetti ao piano, é uma letra de Mário Cláudio que recebeu o galardão da Sociedade Portuguesa de Autores). Teremos connosco uma fadista, um actor, um diseur, músicos, e muitas outras pessoas (ao vivo e em filme) para animar a sessão. Tudo isto na Cooperativa Artística Árvore, local que tem que ver com a família do escritor e a sua obra (é a Quinta das Virtudes do livro homónimo). A entrada é livre. Se estiver no Porto, contamos consigo para cantar os parabéns e bater palmas.

Convite 9 Novembro.jpg

P. S. Para não misturar, a crónica virá na próxima segunda.

07
Nov19

Poeta do tudo e do nada

Maria do Rosário Pedreira

Já vi muitos booktrailers de romances e vídeos de leituras de poesia por profissionais, às vezes até com música de fundo; mas ver uma espécie de aula de poesia sobre um poema de Álvaro de Campos em pouco mais de três minutos pelo grande especialista em Fernando Pessoa que é Richard Zenith é gratificante e pouco comum. O estudioso norte-americano, que reside em Portugal e é o responsável pela edição da obra pessoana na editora Assírio & Alvim, tem um trabalho meritório e foi galardoado em 2012 com o Prémio Pessoa. Quando, há vários anos, deu à estampa, com Fernando Cabral Martins (outro dos especialistas em Pessoa), o volume Teoria da Heteronímia, gravou para o «Ípsilon» este vídeo que partilho abaixo, em que lê com a sua pronúncia deliciosa um dos últimos poemas do heterónimo Campos e faz uma breve análise, chamando ao nosso ex-libris literário o poeta do nada e do tudo. Só partilho agora porque foi só  recentemente que o descobri. Mas Pessoa nunca passa de moda.

https://www.publico.pt/2013/01/18/culturaipsilon/video/zenith-20130118-112604

 

 

 

06
Nov19

CLAX

Maria do Rosário Pedreira

Será esta sigla Clube de Leitura do Autor X? Bem, há muitos clubes de leitura, mas o CLAX parece diferente. Um autor de referência é desafiado pela EC.ON (uma escola de escrita criativa de Lisboa) a escolher quatro obras fundamentais da literatura universal ao longo de um ano. Trimestralmente, vai às instalações da escola para uma sessão de análise e debate com os «alunos» inscritos. Naquela que é já a 3.ª edição desta iniciativa, o coordenador do CLAX de 2020 será o escritor Gonçalo M. Tavares,  e as inscrições estão abertas desde de 1 de Novembro. Parece que há uma primeira reunião entre o coordenador e o grupo de interessados para definir as quatro horas e marcar o início da discussão e que as sessões ocorrem em Março, Junho, Setembro e Dezembro, dando tempo para a leitura dos livros à vontadinha. O número de vagas é limitado e sobre o resto está tudo no link abaixo. Alguém quer fazer apostas sobre os livros escolhidos por Gonçalo M. Tavares? Eu não arrisco.

http://escritacriativaonline.net/eventos/clax2020/

05
Nov19

Sena, rio de livros

Maria do Rosário Pedreira

Não falo do rio de Paris, falo do fulgurante rio de livros que foi o grande Jorge de Sena, de quem, no último sábado, se comemorou o centenário do nascimento. Escritor que tem ficado mais arredado das celebrações públicas do que seria desejável por este ser um ano dedicado a muitos outros escritores vivos e mortos (entre eles a Sophia por todos amada), mereceu mesmo assim o destaque de várias sessões dedicadas à sua obra e vai ter ainda, na recta final do ano, dois congressos que lhe serão dedicados, um em Lisboa e outro em Braga. Suspeito, porém, de que, ainda assim, é hoje um autor menos lido do que merecia, até porque é um dos mais versáteis e prolixos escritores portugueses (acho que foi o jornalista Luís Miguel Queirós que, no passado fim-de-semana, o comparou a Fernando Pessoa), tendo escrito poesia, romance, teatro, ensaio, tradução… Para os Extraordinários que ainda não lhe deitaram a mão, sugiro um dos maiores romances do século XX, Sinais de Fogo (de que Luís Filipe Rocha fez um excelente filme) e essa pequena maravilha que é O Físico Prodigioso, mas, claro, podia sugerir do mesmo modo os livros de contos, a poesia e até a correspondência. Afoguem-se neste rio.

 

04
Nov19

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Ando a ler livros curtos, porque estou numa fase de muito trabalho e só tenho aqueles minutinhos antes de dormir para ler umas páginas. Voltei a Julian Barnes, um dos meus escritores favoritos, e leio um livro (Os Níveis da Vida) que trata de uma questão que sempre me interessou muito e sobre a qual, de resto, escrevi nos meus poemas: o que acontece quando se perde para sempre a pessoa amada? Barnes começa por falar de balões de ar quente, de fotografia e da fabulosa Sarah Bernhardt, por quem se apaixonou o coronel Fred Burnaby, mas em vão; porém, acaba a escrever sobre a própria viuvez, o luto, a raiva, as reacções dos amigos ao seu desgosto e à sua recuperação (mas é possível recuperar da morte de alguém que se amou tanto?), as conversas que ainda mantém com Pat, a mulher com quem foi casado anos a fio e que lhe desapareceu em apenas 37 dias, entre o diagnóstico e a morte. Como sempre em Barnes, a inteligência é acutilante e não há lamechice nem goduras. Este é um livro especial com que me indentifiquei e que nos ensina muita coisa sobre o sofrimento e a separação de duas pessoas que, quando estavam juntas, tinham realmente um caminho comum. Querido Barnes.

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