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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Dez19

Boas Festas

Maria do Rosário Pedreira

Mais logo vou sair daqui da editora para um período de férias respeitável e só regressarei no dia 6 de Janeiro. Farei também gazeta aqui no blogue, ao qual só voltarei nessa segunda-feira de 2020, como é costume, com uma proposta de leitura. Espero que os Extraordinários tenham um excelente Natal, na companhia de amigos e família, e que não se empanturrem demasiado de guloseimas e fritos; que recebam muitos livrinhos de presente (e também os ofereçam); que não apanhem frio ou chuva ou gripe; enfim, que aproveitem a «quadra», como se dizia dantes, para descansar, ler, conversar, esquecer o ódio sistemático que estão sempre a impingir-nos sob a forma de posts, notícias, comentários, reportagens, debates, polémicas. E voltem ao activo retemperados, satisfeitos e, claro, com vontade de consultar as Horas Extraordinárias. Abraços de boas festas para todos, boas entradas em 2020 e, evidentemente, obrigada pela vossa companhia.

20
Dez19

Crónica e uma história

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica. O link aí vai:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/07-dez-2019/agendas-11589770.html

Contaram-me uma história deliciosa que envolve a poetisa Natércia Freire que, para quem não saiba, era uma católica fervorosa de missa quase diária. Vinha ela da igreja do Loreto, ali ao Chiado, quando ao descer a Rua Garrett encontrou um amigo das letras à porta da Livraria Bertrand, ponto de encontro dos escritores desse tempo. O tal amigo apresentou-lhe um intelectual brasileiro com quem estava, que ela não pareceu reconhecer, mas este saiu-se com a tirada de que na véspera os dois tinham até dormido juntos. Um escândalo, claro, naquela época, para uma senhora pura e recatada como era a poetisa, que corou e se preparou para defender a sua honra. Foi então que o brasileiro, sempre engraçado, esclareceu que tinha sido numa chatérrima conferência a que ambos tinham ido no dia anterior, coisa que só dava mesmo para dormir... Bom fim-de-semana. Descansem.

 

 

 

19
Dez19

Maturidade

Maria do Rosário Pedreira

Não é segredo que há muitos anos escrevi colecções de livros juvenis – e fi-lo sobretudo tentando fazer leitores. Quando comecei, dava aulas de Português e tinha como bitola a faixa etária das minhas turmas. Os livros estavam classificados para mais de oito anos, mas eu sabia que a maioria dos seus futuros leitores teria dez a doze anos. Escrevi mais tarde também alguns livrinhos soltos para meninos mais pequenos, com cerca de 40 páginas em letras gordas e bastantes ilustrações; e fiquei um pouco estupefacta quando, nos últimos anos em que acompanhei as Olimpíadas da Leitura, dedicadas ao 2.º ciclo do Ensino Básico (10-12 anos), apareceram não os livros das primeiras colecções, como seria natural, mas os pequeninos que eu via mais para crianças de 7-8 anos. Pois hoje, num site que recomendava livros para oferecer a crianças no Natal, reparei que a versão ilustrada de O Diário de Anne Frank, O Meu Pé de Laranja Lima e A História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar apareciam todos na faixa «Maiores de 12 anos». Bem, talvez hoje a maioria dos jovens atinja de facto, a maturidade mais tarde e ainda sejam acriançados aos 12 anos. Deve ser também por isso que é tão difícil um romancista de qualidade estrear-se antes dos trinta, digo eu.

18
Dez19

A nossa pessoa é Pessoa

Maria do Rosário Pedreira

Dantes, quando um português ia ao estrangeiro (no tempo da outra senhora, como se costuma dizer), só lhe falavam de Amália e Eusébio, como se Portugal não tivesse mais ninguém de jeito. E, se é bem certo que ainda existirão muitos que nos falarão dos conterrâneos Mourinho e Cristiano Ronaldo, a verdade é que felizmente já muita gente nos refere o poeta genial que foi Fernando Pessoa. Isto devemo-lo também a pensadores e estudiosos de outros países, como Antonio Tabucchi, por exemplo, que a ele se dedicaram de alma e coração e o divulgaram por todo o mundo. E ainda hoje jovens académicos como Jeronimo Pizarro, da Universidade dos Andes, na Colômbia, dirigem revistas de estudos pessoanos, como a Pessoa Plural, que no seu último número conta com o poeta Antonio Saez-Delgado como editor-convidado e Onésimo Teotónio de Almeida como co-editor. É um número especial com artigos de muitos especialistas em Pessoa vindos das Sete Partidas do Mundo e por isso altamente recomendável para quem quer ver como Pessoa se está mesmo a tornar a nossa Pessoa. Mais informação aqui:

 

http://pessoaplural.com 

 

Pessoa.png

 

17
Dez19

Presentes

Maria do Rosário Pedreira

O The Guardian manda sempre um email por esta altura do ano a lembrar que tem presentes de Natal absolutamente fascinantes, sobretudo para oferecer a quem já tem tudo. Entre eles estão, evidentemente, os cursos e palestras organizados pelo  próprio jornal com temáticas e orientadores de todas as áreas e quadrantes. Cá, não há infelizmente muita coisa desse tipo que se possa oferecer: nem as conferências que ocorrem ao longo do ano têm bilhetes que se comprem com tal antecedência (e costumam ser divulgadas quase em cima da hora), nem os nossos meios de comunicação promovem (ou promovem pouco) palestras e cursos. Eu própria já recebi com gosto bilhetes para espectáculos nos anos e no Natal (e também os ofereço), mas é o mais parecido que há com estas ideias que o The Guardian propõe. E livros, alguém ainda os quer? Mesmo os editores vieram entusiasmados da mais recente Feira do Livro de Frankfurt com os audiolivros... Penso que são bons enquanto se passa a ferro ou se fica preso no trânsito, e conheci até um belga que tirou um curso de espanhol com audiolivros que punha no leitor do carro. Mas ouvir um livro não é a mesma coisa do que ler um livro. Eu pedi alguns livrinhos de presente, mesmo correndo o risco de a minha casa um dia destes vir abaixo. Até quando haverá livros é que já não sei.

16
Dez19

Prémio lusófono

Maria do Rosário Pedreira

No mesmo dia em que soube que alguns jornalistas da área da cultura estão a ser «dispensados» (mesmo que com indemnização) de uns quantos jornais e rádios portugueses e que os suplementos culturais tendem a passar a ser apenas online (para quê gastar papel quando os grandes diários portugueses têm tiragens de cerca de 3000 exemplares ou menos?), louvo a iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores de premiar a cultura lusófona com mais um galardão anual, atribuído a um criador de um país de língua portuguesa de qualquer disciplina artística (música, artes plásticas, litertaura...) e «destacando a importância da sua obra e o seu contributo para valorizar o património da lusofonia». O prémio funcionará sobretudo como consagração, ou seja, será atribuído a autores que tenham criado consistentemente ao longo da sua vida artística, e o montante será em breve anunciado. É bom saber que alguém se preocupa em recompensar os autores.

13
Dez19

Crónica e dança

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica, aí vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-nov-2019/vergonha-11566242.html

Deixo-vos uma nota sobre um assunto que só tem que ver com livros porque Hélia Correia escreveu O Bailarino na Batalha, romance que venceu o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, e me lembrei dela quando li o artigo. Aliás, Hélia Correia acha que a dança é algo maravilhoso e fica feliz quando vê crianças a dançar. Num interessante artigo de uma revista inglesa online leio que os alunos deviam levantar-se mais vezes das cadeiras nas escolas e... sim, dançar; que a dança deveria fazer parte do currículos, até porque as crianças estão muito menos activas fisicamente desde que vivem amarradas a jogos de computador, e a disciplina de Educação Física na escola comporta um lado de competição que vai contra o prazer simples de fazer exercício e descontrair. Leiam os romances e os poemas de Hélia Correia e façam intervalos para dançar. Bom fim-de-semana.

12
Dez19

Mortes limpas

Maria do Rosário Pedreira

Emprestaram-me um livrinho muito bonito do escritor italiano Alessandro Baricco para ler num fim-de-semana que iria passar fora da minha casa. Iria ter umas horas livres (poucas), e uma amiga lembrou-se de que este seria, em peso, tamanho e qualidade, o ideal para cumprir a função. E ainda bem, porque gostei mesmo muito deste Sem Sangue, um livro muito inteligente passado num período que se segue a uma guerra (não sabemos qual, mas envolveu experiências médicas terríveis, embora se diga que durou apenas 4 anos e se passe em território de nomes espanholados) que, na verdade, continua a viver dentro das personagens, demasiado marcadas para não se quererem vingar. Na primeira parte, um grupo de homens cerca a casa de Manuel Roca para isso mesmo, uma vingança, e o perseguido esconde a filha pequena numa cave para a proteger. Na segunda parte, é essa filha, já de cabelos brancos, quem se encontra com um desses homens que participaram da vingança e que, abrindo o alçapão e vendo-a lá escondida, não disse nada aos outros. É inesperado e belo, misterioso e cheio de frases para coleccionar. Leiam-no, se o encontrarem.

11
Dez19

Más notícias para Sua Majestade

Maria do Rosário Pedreira

Quando comecei a trabalhar com livros, lembro-me de que Portugal era ainda um país com fortes marcas do analfabetismo que se vivera em anos e anos de ditadura. Apesar de os intelectuais nessa época terem sido sobretudo influenciados pela cultura francesa, a verdade é que os índices de leitura do Reino Unido eram talvez os mais impressionantes para os editores portugueses e aqueles que estes sonhavam um dia igualar. Íamos à Feira do Livro de Londres e víamos gente a ler em todo o lado, nos bancos dos jardins e nos transportes, embora por vezes apenas literatura de supermercado, como então se dizia. Hoje, infelizmente, lá como cá, o que encontramos são pessoas com o nariz enfiado no telemóvel e o rosto que, se não se desvia um segundo para olhar o outro, ali sentado à sua frente, muito menos o faz por um livro aberto. Claro que isso só podia originar o que li numa notícia do The Guardian de sexta-feira passada: fecharam mais de 800 bibliotecas na Grã-Bretanha nos últimos dez anos. Um verdadeiro susto, que explica muito do que por lá está a acontecer.

10
Dez19

Arte e clima

Maria do Rosário Pedreira

Hoje deixo os livros para falar de pintura, o que, mesmo não sendo o assunto característico deste blogue, também não há-de ser nenhum escândalo para os Extraordinários, até porque tem que ver com uma forma de educar e passar informação a quem gosta de arte. O Museu de Prado está de parabéns, pois não só tem a nata do seu acervo apresentada num programa de televisão pelo magnífico Jeremy Irons (que o seu charme não nos desvie dos objectos artísticos...), mas também porque resolveu contribuir para alertar o público dos perigos das alterações climáticas através de quatro obras-primas que «corrompe» em jeito de animação, com a mudança de cores e tons e, mais importante ainda, inundando ou desertificando a paisagem em redor. A campanha chama-se «Muda Tudo» e é uma maneira de chamar a atenção dos perigos a que estamos hoje sujeitos que é profundamente original e sem histerismo. Vale mesmo a pena ver. O link que vos deixo é de uma revista onde apanhei o artigo que fala disto.

https://www.revistaad.es/arte/articulos/museo-prado-alerta-cambio-climatico-alterando-obras-arte/24471

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