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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Jan20

Crónica e ensino

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica, e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-dez-2019/uma-banana-para-cambridge-11639060.html

Uma reflexão para o fim-de-semana... Li num jornal que uma grande percentagem de professores no activo se reformará nos próximos anos. Ora, estando os cursos vocacionados para o ensino às moscas ou tendo até, em alguns casos, desaparecido das universidades por falta de alunos interessados, como se fará face a esse vazio? Não terá sido prematuro dizer que havia professores a mais?

16
Jan20

Palavras mágicas

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui disse váras vezes que existem algumas palavras que, num título, são meio caminho andado para o sucesso do livro. A palavra «F*», como regra geral aparece, é uma delas, mas em Portugal «Salazar» também é quase garantia de êxito de vendas (Freud explicaria). Nos últimos anos, tudo o que inclua «Auschwitz» no título também costuma fazer as vendas disparar, e até se multiplicaram os romances traduzidos sobre o período da Segunda Guerra Mundial que, há trinta anos, quando eu comecei na edição, eram um fiasco (até se dizia que era por não termos entrado na guerra). Bem, mas esta questão de Auschwitz não é só portuguesa, e houve até um escritor que se queixou da profusão de livros com a palavra no título, até porque escreveu sobre os campos sem ter de a usar. Trata-se do autor de O Rapaz do Pijama às Riscas, o irlandês John Boyne, que, talvez por achar a concorrência desleal, desabafou sobre o facto no Twitter para receber, consternado, uma resposta do Museu de Auschwitz dizendo que o seu romance estava cheio de imprecisões e que, por isso, o iriam tirar da loja do museu. Ui, estes polacos não são para brincadeiras. E agora, senhor Boyne, que palavra mágica para lhes responder?

15
Jan20

Presentes bonitos

Maria do Rosário Pedreira

Na voragem das festas, nem sequer temos tempo de respirar fundo. E, bem vistas as coisas, agradeci um presente especial com um cartão banal e aproveito ter um blogue público para corrigir a situação. Fiz, como já aqui devo ter contado, a letra de um fado para a Livraria Lello no ano passado (cantado por Patrícia Costa) e umas quantas sessões dedicadas a autores de livros que publico, mais recentemente relacionadas com os 50 anos de vida literária de Mário Cláudio. Mas não sou visita assídua nem tenho lá amigos propriamente chegados. Foi, por isso, muito bonito que me tivessem enviado da Lello um livrinho de poesia espanhola tão bem escolhido (Caídas, de Teresa Soto) e a ele tivessem acrescentado um cartãozinho que dizia (resumo) que aquele pequeno exemplar fora resgatado de uma livraria em fim de vida na cidade de Palma de Maiorca (a Librería-Peluquería Los Oficios Terrestres); e que, como cada livro merecia um lar, não tinha conseguido virar costas e era agora para o meu que o mandavam de boa vontade. Com as pressas, fiz o que faço sempre que recebo livros de presente (e o que faz o nosso Presidente, que também nunca se esquece de agradecer um livro que lhe enviemos), mas claramente não bastava: contar esta história delicada é o mínimo que posso agora fazer.

14
Jan20

Escolhas

Maria do Rosário Pedreira

Não sei se sabem, mas a FLIP, celebérrima festa literária brasileira anual, não tem sempre o mesmo curador (no passado, estiveram nesse lugar pessoas como Paulo Werneck, que é um dos actuais jurados do Prémio LeYa, e Josélia Aguiar, autora da biografia de Jorge Amado). Ora, a curadora deste ano, Fernanda Diamant, ao anunciar o autor homenageado (a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop, que viveu muitos anos no Brasil), não sabia que estava a largar uma autêntica bomba. É que  Bishop não só não é uma autora nacional, como têm sido, creio, todos os escolhidos pelos curadores anteriores (e, segundo alguns intelectuais brasileiros, o Brasil está a precisar como nunca de se afirmar culturalmente por causa do governo ignorante e anti-cultura que tem), mas também é uma mulher que escreveu coisas muito desagradáveis sobre o país-irmão do "alto do seu horror às massas", como diz Alexandra Lucas Coelho num artigo do Público, e além disso aplaudiu o golpe militar de 1964. Todos pedem, claro, que não se deixe de ler a poesia de Bishop, que encontrou no Brasil a paixão da sua vida (a arquitecta Lota de Macedo Soares) e viveu ali uma relação certamente difícil nos anos 1950; mas ficam sentidos por, com tanta literatura brasileira no cânone, Diamant ter ido buscar um nome tão polémico. Mesmo entendendo que pensou mais no lado lésbico e feminista de Bishop, que é sempre um tema muito caro no Brasil, podia ter pensado duas vezes.

13
Jan20

Rebobinar

Maria do Rosário Pedreira

Ora então cá estamos nesta segunda-feira, eu já refeita ou a caminhar para isso, o blogue a voltar à sua vida normal, o trabalho todo embrulhado na minha mesa. Rebobinemos então para falar de um grande senhor, já tanta vez indicado ao Nobel, chamado Milan Kundera, sobre cujos livros já aqui tenho escrito várias vezes. Na oposição quando a Checoslováquia era dominada pela ditadura comunista, Kundera exilou-se, como sabem, em Paris e mais tarde começou até a escrever os seus livros directamente em francês. Perdeu a nacionalidade checa e os seus romances foram proibidos na pátria (A Insustentável Leveza do Ser só veria a luz checa em 2006!) mas, apesar de ter reatado laços com o país natal (hoje República Checa) na sequência da queda do regime pró-soviético (até já escrevi uma crónica sobre este assunto que aqui partilhei), só agora, 40 anos depois, lhe é devolvida a nacionidade e apresentados pedidos de desculpa pelo embaixador em Paris em nome do Governo (e pessoalmente, indo ao seu apartamento, o que tem outro peso). Corrijam-se outras injustiças como esta e teremos um mundo mais feliz.

06
Jan20

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Espero que as vossas férias tenham sido boas. Ultimamente, deu-me para os alemães, sei lá porquê (talvez ande a tentar apanhar o comboio, já que, durante décadas, nem tínhamos noção do que se estava a escrever para esses lados do mundo). Leio um pequeno livro de Daniel Kehlmann, autor nascido em Munique mas que cresceu em Viena e vive hoje entre Berlim e Nova Iorque (caramba). É um escritor muito elogiado pelos seus pares de língua inglesa (McEwan e Jonathan Franzen, por exemplo) e este seu Devias Ter-Te Ido Embora, que fala de um argumentista que vai passar uns dias com a família a uma casa de montanha para terminar um guião de uma série e aí descobre coisas reais ou imaginárias que não são nada agradáveis, lembrou-me a dada altura algumas coisas do universo de Paul Auster e, por outro lado, uns laivos de Murakami, pelo menos, do Sputnik, Meu Amor. Ainda não sei como vai acabar, mas não tardarei a descobrir, pois é bastante pequeno. Mas, sosseguem não conto.

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