Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Abr20

Voar com livros

Maria do Rosário Pedreira

As viagens de avião estão praticamente proibidas; e não me parece que, terminado o período de confinamento, as pessoas tenham a mesma vontade de fazer planos de viajar de avião nas próximas férias. Afinal, a doença foi-se transmitindo de país para país por causa de haver tanta gente a viajar de um lado para o outro e, portanto, é bem possível que o turismo desacelere e as pessoas, enquanto se lembrarem da pandemia, fujam de ir para longe, até com medo de ficar retidas num lugar estranho. As companhias aéreas já estão de rastos, e os aviões estão estacionados nos aeroportos sem serventia. Quiçá mais tarde os transformem em algo menos poluente e mais bonito... Em Iztapalapa, no México, um avião abandonado foi transformado numa biblioteca digital infantil que as escolas visitam regularmente e cujo projecto se chama Voando para a Utopia. Os bancos foram removidos, dando lugar a espaços de leitura e pesquisa. Existem cerca de 25 computadores e estantes com obras impressas. As crianças podem ainda visitar a cabina do avião e experimentar um simulador de voo para ver como é andar de avião a sério. Uma ideia bonita da prefeitura da cidade. Vejam como tudo se pode transformar sempre noutra coisa. Mais bonita e interessante.

avion.jpg

download-2.jpg

Para hoje a sugestão de um romance que tem que ver com viagens e é mesmo um livro bem-disposto. Chama-se Notícias do Paraíso e escreveu-o o britânico David Lodge.

15
Abr20

Tempo de ouvir

Maria do Rosário Pedreira

Lançar um livro novo neste cenário que hoje enfrentamos seria para qualquer escritor uma espécie de suicídio. As livrarias físicas estão todas fechadas e contar apenas com as virtuais seria provavelmente queimar para sempre a obra, já que, passada a pandemia e os perigos, essa não seria considerada novidade e afogar-se-ia no meio de tantas que já estarão em fila de espera, ansiosas por ocupar mesas e prateleiras. Mas lançar um livro novo em formato diferente do do papel já está a acontecer, e até Rodrigo Guedes de Carvalho tem o seu audiolivro do romance Margarida Espantada disponível para venda a quem o quiser ouvir (com a sua voz, reparem), o que pode ser uma experiência bem interessante. E, num tempo em que pensei que a tónica seria ler, multiplicam-se curiosamente as ofertas para ouvir textos e livros. A Casa Fernando Pessoa oferece um serviço para ler poemas ao telefone a quem ande longe das redes sociais (uma companhia bonita para quem esteja sozinho); a TSF tem uma rubrica («Com os livros estamos mais próximos») em que voluntários (eu ou qualquer dos Extraordinários podemos fazê-lo) gravam leituras de excertos de livros e põem-nas a circular (deixo-vos um link com Nuno Carmarneiro lendo uns parágrafos de Os Passos em Volta, de Herberto Helder, para verem como é); nas redes sociais, abundam vídeos de pessoas a ler os próprios livros ou textos alheios. Pode ser que, se se tomar o gosto a algum texto através do ouvido, se vá depois espreitá-lo com olhos de ler. Oxalá.

https://www.tsf.pt/programa/com-os-livros-estamos-mais-proximos/emissao/nuno-camarneiro-escritor-e-professor-universitario---os-passos-em-volta-de-herberto-helder-12029488.html

Hoje recomendo um livro de ciência muito bonito que se lê como um livro de aventuras e explica como depois de tantos desastres ainda cá andamos (os seres humanos). Chama-se em português A Vida É Bela e escreveu-o Stephen Jay Gould, um paleontólogo brilhante e com muito humor. Nos EUA de certeza existe audiolivro.

14
Abr20

Personagens

Maria do Rosário Pedreira

Enquanto não há assuntos melhores, vamos então falando das categorias que animam a ficção narrativa. Ontem comentava-se a necessidade ou «dispensabilidade» da intervenção do narrador nos diálogos, hoje falemos de personagens. Reparo com frequência que nos cursos de Escrita Criativa ensinam (e bem) que as personagens têm de ser bem recortadas, não podem ter apenas duas dimensões (o que acontece muito nos livros dos principiantes) e que o comportamento deve ser consistente com o que delas foi dito. E quase de certeza fazem exercícios de descrição de personagens, quiçá um pouco exaustivos, o que como exercício até está bem, mas nem sempre funciona numa história. Estou a ler, por exemplo, um romance inglês em que a narradora está permanentemente a dizer como estão vestidas as personagens com que se vai encontrando; e, mesmo que isso ajude a que as integremos em determinado meio ou classe social ou e diga algo essencial do seu carácter, a mim, pronto, irrita-me tanta descrição. Às vezes, enviam-me originais nos quais se vê bem que os autores não entenderam o que era construir personagens com densidade; esforçam-se tanto nas descrições das suas figuras que acabam a ser ridículos, acrescentando até o peso e a altura. Enfim, os actos e as atitudes são o que fazem as personagens acima de tudo; para mim, a descrição é apenas mais uma coisa, e nem sempre a mais importante.

Um romance que fez furor há uns anos, A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, tem uma deliciosa personagem, extremamente bem construída: Fermín Romero de Torres, um livreiro inesquecível. A tradução é de J. Teixeira de Aguilar.

13
Abr20

Ainda os diálogos

Maria do Rosário Pedreira

Desta vez foi o Extraordinário Guilherme Henriques que, na quarta-feira passada, me «desafiou» a comentar o facto de os diálogos numa narrativa deverem dispensar explicações do narrador; ou seja, eles devem ser vívidos e realistas o suficiente para o narrador não precisar de acrescentar adjectivos, verbos e advérbios a descrever ou indicar o tom com que a personagem fala. Por outras palavras, se eu sei que a personagem está furiosa, devo incluir a sua fúria no que diz, e não escrever a seguir ao travessão «disse Ana, furiosa» ou «irritou-se John» ou «disse José, espantosamente enervado». Sim, é verdade: um grande escritor será seguramente capaz de integrar nas falas das suas personagens o que elas estão a sentir, embora isso requeira obviamente um talento singular e não seja para toda a gente; mas, atenção, por vezes a achega do narrador não é meramente explicativa, é ela própria literatura (quantas fantásticas metáforas e metonímias há nessas «explicações» do narrador?), por isso já não tenho tanta certeza de que tenha de ser forçosamente como defende Henry Green. Por outro lado, quando eu escrevia livros juvenis, acrescentava deliberadamente informação desse tipo nos diálogos para que os miúdos aprendessem palavras novas; sobretudo verbos (indagar, sussurrar, retorquir, inquirir, comentar, pigarrear, atalhar...) e os tais advérbios ou locuções que Green «condena». Mas, claro, eu não sou uma especialista na matéria, falo como alguém que trabalha lendo, nada mais. Os académicos certamente terão opiniões distintas das dos editores.

Sobre esta matéria, recomendo hoje um livro genial de Philip Roth que se aparenta bastante a uma peça de teatro (desculpem repetir o autor, não era minha intenção, mas vem muito a propósito). Intitula-se Engano (grosso modo, trata das conversas de um escritor adúltero) e é inteiramente construído com diálogos. Mas o melhor é que raras vezes nos dizem quem está a falar e, se estivermos atentos, não temos qualquer dificuldade em saber. O Extraordinário Guilherme Henriques vai gostar. A tradução é do também extraordinário Francisco Agarez.

09
Abr20

Crónica e oralidade

Maria do Rosário Pedreira

Hoje ainda não era dia de crónica, mas, como amanhã é Sexta-Feira Santa (embora todos os dias sejam mais ou menos parecidos quando estamos metidos em casa), farei folga do blogue e, por isso, deixo já aqui o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-mar-2020/ah-fadista-11956806.html

A literatura começou a ser transmitida oralmente e hoje, por força das circunstâncias, está a regressar a literatura dita e ouvida, seja através das redes sociais (nas quais autores, actores e muitas outras pessoas lêem excertos de livros ou poemas próprios e alheios), seja através de programas de rádio e televisão que contemplam espaços de leitura, como o que se segue, da TSF (neste link, Nuno Camarneiro lê Os Passos em Volta, Herberto Helder):

https://www.tsf.pt/programa/com-os-livros-estamos-mais-proximos/emissao/nuno-camarneiro-escritor-e-professor-universitario---os-passos-em-volta-de-herberto-helder-12029488.html

Como amanhã não há post, recomendo uma extensa obra do tempo da literatura oral, mas que, graças da Deus, e para nossa enorme alegria e ilustração, foi sendo transmitida e registada até vir parar às nossas mãos: A Odisseia, de Homero, com tradução do escritor e professor Frederico Lourenço. Um dos mais belos livros do mundo e certamente um dos fundadores da literatura no Ocidente. Bom fim-de-semana a todos.

08
Abr20

Um discurso adequado

Maria do Rosário Pedreira

Desafiada pelo Extraordinário António Luiz Pacheco, falo-vos então da adequação da linguagem às personagens de um romance. Na verdade, não é questão de somenos, porque uma falha nisto pode deitar por terra toda a construção romanesca. Há, aliás, entre os potenciais autores de que recebo originais muitos que não têm qualquer talento para os diálogos (escrevem o discurso directo como o indirecto e vê-se logo que ninguém falaria assim). O primeiro escritor que publiquei que fazia diálogos inteiramente credíveis e perfeitamente adequados aos falantes foi João Tordo, um escritor muito «anglo-saxónico», mas não por acaso soube à frente que era também guionista, o que terá tido bastante influência, uma vez que um guionista é sobretudo um escritor de falas. Tenho ainda outro autor (João Pinto Coelho) que me contou reproduzir em voz alta as conversas que escrevia para ver como soavam e emendar em conformidade. Quando edito um texto, não raro ponho à margem uma nota que diz «pouco oral», ou seja, estou a pedir ao autor que refaça as falas para que fiquem mais perto do que dizemos na realidade. Não podemos pôr um analfabeto a falar como um erudito, nem uma criança a falar como um adulto, embora também não possamos reduzir a linguagem infantil ao que ela é na verdade nos casos em que o narrador é uma criança, sob o risco de aniquilarmos qualquer réstia de literatura e o livro ficar uma estopada... Mas há que tornar qualquer diálogo minimamente verosímil e nem sempre é fácil conjugar o que é consistente com o que é bonito. Por isso, algumas pessoas nunca incluem diálogos nos seus livros...

Hoje recomendo um romance em que uma criança é o narrador, e a linguagem me parece extremamente adequada à idade e à personagem: Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer.

07
Abr20

Piratas sem querer

Maria do Rosário Pedreira

Torna-se cada vez mais difícil escrever para este blog, pois a Cultura parece ter parado, sido suspensa, adiada, cancelada (mesmo que muitos artistas não parem de nos animar no Instagram e no Facebook). No passado, utilizei muitos eventos como temas dos meus posts (festvais literários aos montes, leituras, debates em livrarias, idas de autores a escolas e bibliotecas); porém, o vírus agora ocupa tudo e, quando vemos um telejornal ou ouvimos o noticiário da rádio, parece que realmente não há nada para dizer que não seja sobre o estupor. Mas… não precisamos de andar informados, sobretudo com tanta contra-informação a chegar às nossas caixas de correio virtuais? É cada vez mais importante seleccionarmos os meios de comunicação fidedignos e os profissionais do jornalismo do resto. Ouvi-los, lê-los, vê-los na TV. Mas cuidado: sempre que um artigo nos enche as medidas, a tendência é partilhá-lo a correr nas redes sociais. Ora, sabia que isso é pirataria? Que a generalizada partilha sem regras dos conteúdos informativos põe em causa milhares de postos de trabalho, a credibilidade da própria informação e talvez mesmo a sobrevivência de algumas publicações? Eu, quando partilho aqui as minhas crónicas, faço-o ao final de duas semanas de terem sido publicadas para não prejudicar o jornal nem lhe tirar leitores. Agora, os órgãos de informação juntaram-se e pedem-nos que paremos com as partilhas abusivas de conteúdos jornalísticos. Conto com os Extraordinários para isto?

 

Hoje vou sugerir a leitura de Crónica de Uma Morte Anunciada, de Gabriel García Márquez. Um pequeno livro sublime. (Ontem esqueci-me completamente da sugestão, desculpem. O que vale é que ninguém deu por isso.)

 

06
Abr20

Artistas

Maria do Rosário Pedreira

Li algures que Churchill, quando lhe perguntaram porque gastava dinheiro com a Cultura num momento em que todos os fundos deveriam ser invstidos no esforço de guerra, respondeu: Mas porque fazemos a guerra senão pela Cultura? Foi uma excelente resposta, evidentemente; e, embora os governos raramente atribuam uma fatia essencial do seu orçamento à Cultura (e até há pouco tempo nem ministro tínhamos nesta área em Portugal), a verdade é que, se não fossem os artistas, o período de confinamento que estamos a viver seria mesmo impossível de suportar. Sim, como passaríamos um mês (ou mais) dentro de casa sem livros, filmes, séries, visitas virtuais a museus, música, jogos? Tudo isso é obra de artistas, e é a sua obra que hoje nos ocupa maioritariamente o tempo livre (para quem não está em teletrabalho, o tempo quase todo). Por isso, são de louvar medidas que algumas instituições tomaram para apoiar os artistas que, de um momento para o outro, ficaram sem possibilidade de realizar dinheiro: uma construtora de Braga está a pagar os salários dos actores do teatro daquela cidade, a Câmara de Lisboa abriu uma linha de apoio a artistas que não beneficiavam de qualquer ajuda do município e vai pagar já os contratos celebrados, a Fundação Gulbenkian criou um concurso nacional de apoios de emergência à cultura... Espero que estas iniciativas se alarguem e difundam por todo o País e ao longo destes meses terríveis. Por muito que algumas pessoas achem que viveriam muito bem sem os artistas, esta é a hora para fazerem o teste da verdade.

03
Abr20

Crónica e criatividade

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-mar-2020/falta-de-educacao-11921165.html

Noto que nestes tempos estou muito menos concentrada, que me custa muito mais ler um texto (a minha atenção está permanenemente a ser desviada por chamadas, apitos de emails, alertas dos jornais, notificações e também pensamentos negativos), mas acredito apesar de tudo que já haverá muita gente a criar com o pano de fundo dos tempos que estamos a atravessar; e, lendo a sempre interessante colaboração do meu confrade espanhol Adolfo García Ortega (abaixo o link), haveria realmente dezenas de ideias para contos ou mesmo romances. Basta ver as que ele enumera no seu texto.

https://www.zendalibros.com/dos-cabalgan-juntos-x/

 

Hoje recomendo A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano, com tradução de José C. Serra, uma pequena maravilha literária escrita com o rigor de um homem de ciência.

02
Abr20

Pequenas coisas

Maria do Rosário Pedreira

Geralmente, irritamo-nos por pequenas coisas, não por grandes: quando, por exemplo, nos alteram os planos de repente, ficamos fora de nós (eu, pelo menos, que gosto de planear tudo ao milímetro, fico). As pequenas coisas acabam por ter no nosso humor um peso maior do que as grandes; e é sobre as pequenas coisas que hoje vos falo, tendo como ponto de partida um convite que a Almedina fez ao escritor e historiador Sérgio Luís de Carvalho, que já foi (ou ainda é, não sei) director do Museu do Pão em Seia. Pois bem, ele foi encarregado de realizar um conjunto de pequenos videogramas de cerca de três minutos sobre curiosidades, bizarrias, factos estranhos e outras coisas igualmente pícaras da História de Portugal, com o título genérico História das Pequenas Coisas. Os primeiros episódios já estão online e deixo-vos abaixo o link do primeiro, que se intitula «Porque é que a famosa gripe espanhola não é espanhola?». Porém, se quer saber coisas sobre a origem histórica do termo «filho da mãe» ou sobre quem teve o primeiro acidente de carro em Portugal, aqui tem com que se entreter. E pode consultar o site da Almedina e procurar em «Observatório Almedina» para ver os outros episódios que vão sendo publicados. Há que passar bem o tempo, e de preferência a aprender, claro.

 https://www.youtube.com/watch?v=4TU5o_65jdA&t=52s 

Hoje recomendo Os Interessantes, de Meg Wolitzer, um dos livros grandes e dos grandes livros de que mais gostei nos últimos anos. Sobre a diferença de classes na última metade do século XX, com um grupo de adolescentes crescendo numa América em mudança.

A autora

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D