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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Jun20

Um pintor e uma Autora

Maria do Rosário Pedreira

Um dos livros que ficou impedido de ver a luz em Março por causa da pandemia foi o novo título de Isabel Rio Novo, Rua de Paris em Dia de Chuva, «cruzado» de ficção e biografia de uma forma magistral. Na capital francesa, vivem-se tempos de profundas transformações, com a abertura das grandes avenidas e o despertar de uma nova corrente artística, o Impressionismo, que irá alterar o olhar dos indivíduos sobre a arte e o mundo. Mas que história de amor à distância poderão experimentar o protagonista deste romance – um diletante chamado Gustave Caillebotte, amigo e mecenas de pintores como Monet e Renoir e, afinal, ele próprio um artista de primeira linha – e a sua Autora, que há anos persegue a história deste milionário triste e decide agora escrever sobre ela? Combinando o impulso histórico com a tentação do fantástico, Isabel Rio Novo – duas vezes finalista do Prémio LeYa – oferece-nos uma peça literária fascinante acerca do poder da arte, que a confirma como uma das vozes mais relevantes da ficção portuguesa contemporânea. Esta é, obviamente, a minha recomendação para hoje.

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15
Jun20

Uma nova Eneida

Maria do Rosário Pedreira

Tenho falado aqui várias vezes da Odisseia, da qual gosto particularmente, mas acho que nunca falei da Eneida, de Virgílio, um poeta que é mais ou menos o equivalente latino do grego Homero. E trago-a aqui hoje porque soube que foi feita recentemente uma nova tradução deste clássico, ainda por cima em verso, que é como convém, e parcimoniosa nas notas (que atrapalham sempre um pouco a leitura, embora façam falta). A epopeia de Virgílio, aonde Os Lusíadas, entre outras obras, foram beber, foi escrita no século I a. C. e tem como protagonista o chefe troiano Eneias (que também aparece na Ilíada), relatando a sua longa viagem por mar a seguir à guerra, em busca de uma nova pátria. A obra, pela sua enorme importância  na literatura ocidental, vem sendo traduzida para o português desde o século XVII, umas vezes em prosa, outras em verso; Agostinho da Silva, por exemplo, traduziu-a em verso nos anos 1990. E é também em verso que sai agora esta nova edição pela Cotovia, com tradução de Carlos Ascenso André, professor emérito da Universidade de Coimbra e um latinista que também já traduziu Ovídio. Para acompanhar a onda, hoje recomendo justamente Ovídio, Arte de Amar, que, lido fora do contexto, pode irritar bastante algumas feministas mais radicais.

12
Jun20

Pelas próprias mãos

Maria do Rosário Pedreira

Por causa do homicídio de George Floyd, um negro americano que só tinha passado um cheque sem cobertura e foi morto por um polícia branco e sádico que o asfixiou diante de uma data de pessoas indignadas, muitas cidades norte-americanas estão agora a ferro e fogo, e os protestos estenderam-se à Europa, onde tem havido muitas e manifestações anti-racistas. O polícia em causa foi detido por ter decidido sozinho o destino de Floyd, sem respeito pela lei ou pela vida (esperemos que se faça justiça, claro). E, embora este assunto pareça intempestivo num blogue sobre livros, não o é, porque o que aqui me traz hoje, para matar saudades de um tempo em que me dedicava bastante a esmiuçar palavrinhas, é justamente uma palavra que tem que ver com a atitude desse polícia, «linchar». Se não sabiam, ficam a saber: no século XV, na cidade irlandesa de Galway, um senhor chamado James Lynch, que era uma espécie de presidente da Câmara, tornou-se conhecido por mandar para a forca o próprio filho depois de este ter matado um homem. Desde então, o verbo «to lynch» (em português «linchar») passou a significar fazer justiça pelas próprias mãos ou matar alguém (em grupo ou não) sem recurso a julgamento legal por uma ofensa cometida. Os linchamentos de negros repetem-se todos os anos nos EUA. Como diz uma amiga, neste momento não basta não ser racista, é mesmo preciso ser anti-racista.

Ligado ao racismo, recomendo um romance de James Baldwin que trata sublimemente deste assunto, Se Esta Rua Falasse. E um documentário notável, I'm not your negro, de Raoul Peck, sobre o genial Baldwin, que passou na RTP não há muito tempo. Gozem os feriados!

 

 

09
Jun20

Turismo nacional

Maria do Rosário Pedreira

Estamos a precisar de «facturar» para pôr de pé a nossa economia e, sempre que posso, compro produtos nacionais. Também penso fazer este verão férias exclusivamente em Portugal, o que já há muitos anos não acontecia (vivo com um iberista e damos sempre uma saltada ao país ao lado), evitando muito provavelmente o litoral e os ajuntamentos. Quem me pode dar ideias é, de certeza, Afonso Reis Cabral que, como sabem, atravessou o País de lés a lés, 739 km pela Estrada Nacional 2, do que resultou, aliás, um conjunto de textos magníficos que ia publicando diariamente no Facebook sobre a sua experiência e tiveram um acolhimento extraordinário do público. Amanhã às 22h00 passa na RTP2 o documentário produzido por Vasco Galhardo Simões e realizado por João Pedro Félix sobre esta viagem, que inclui filmagens da caminhada feitas com um drone e várias entrevistas ao autor e aos maravilhosos portugueses que se cruzaram no seu caminho, cuja generosidade proverbial levou a oferecer comida e dormida a um rapaz que não conheciam de lado nenhum. Vejam, que vale muito a pena.

Pelo post, já perceberam o que recomendo. O livro sobre esta viagem: Leva-me Contigo, de Afonso Reis Cabral. Até sexta e gozem bem os feriados.

08
Jun20

Desinfectar livros

Maria do Rosário Pedreira

Desde o início da pandemia que nos chamam a atenção repetidamente para a importância de lavarmos muitas vezes as mãos e desinfectarmos tudo o que trazemos da rua, o que tento cumprir escrupulosamente, mesmo quando me parece levemente exagerado (por exemplo, a embalagem de um remédio que trago da farmácia ou algo que vá direitinho para o congelador, o que, creio, deve matar os vírus todos). Há, aliás, quem defenda que, desde que abriram as livrarias, as pessoas têm lá ido muito pouco porque se sentem desconfortáveis pensando em quem já mexeu ou folheou determinado livro (bem, amigos Extraordinários, podem sempre levar luvas e, com as capas plastificadas dos livros, passar desinfectante ou álcool antes de começar a ler). Eu cá acho que o problema é outro: temos menos voltade de comprar em geral (estou segura de que os outros negócios também andam às moscas) e temos menos dinheiro para gastar. Mesmo assim, é verdade que um médico me disse que a primeira coisa que tirou da sala de espera do seu consultório nos tempos da Gripe A foram as revistas, porque as pessoas têm o péssimo hábito de lamber o dedo para passar a página e esse é um meio de contágio  muito eficaz. A este respeito da desinfecção de livros, vale, porém, a pena ler um artigo sobre como desinfectar colecções em tempos de pandemia. Não sei se as nossas bibliotecas, que já abriram ao público, não deveriam lê-lo. Aqui vai:

https://universoabierto.org/2020/06/01/como-desinfectar-colecciones-en-una-pandemia-2/

Hoje recomendo um romance maravilhoso em que a biblioteca confere poder a quem toma conta dela. Talvez já tenha falado dele aqui por outras razões, mas há que insistir nos bons livros: Casa de Campo, de José Donoso, com tradução de Sofia Castro Rodrigues.

05
Jun20

Próximo Capítulo

Maria do Rosário Pedreira

Hoje realiza-se a segunda sessão do Clube de Leitura Próximo Capítulo por mim orientada. A primeira foi no passado dia 22 para apresentar os 4 livros que iriam a votação dos membros do clube: dois de autores portugueses, dois de autores estrangeiros; dois de mulheres, dois de homens. (Não fiz de propósito, mas fui politicamente correcta.) Há dias, soube que a vitória calhou a O Nervo Ótico, de María Gainza, e fiquei admirada, pois tinha anunciado que os autores portugueses se tinham oferecido para falar com os leitores numa das sessões, mas o público não deu, pelos vistos, grande valor a esse dado. Enfim, às 18h30 de hoje iremos então trocar impressões sobre este livro de estreia híbrido e maravilhoso de uma argentina de boas famílias (embora arruinadas) que tem medo de andar de avião e propensão para pouco mais do que contemplar pintura e ler livros; boas ocupações, diria eu que, por causa dela, vou ter de relembrar qualquer coisa da minha experiência como professora (estão vinte e tal pessoas em casa a ouvir-me e a interpelar-me), o que já não acreditava que fosse acontecer-me enquanto editora. Bem sei que é sexta-feira e que apetece tudo menos encontros digitais, mas, se quiser aparecer pelo Próximo Capítulo, inscreva-se. Terei muito gosto em vê-lo por lá.

Por falar em pintura, hoje recomendo um romance que publiquei há uns anos, de Cristina Drios, sobre a pintura de uma tela de Caravaggio e o seu roubo nos anos 1960 na Sicília. Chama-se Adoração. Não o percam.

04
Jun20

100 anos de Ruben A.

Maria do Rosário Pedreira

Este ano comemora-se o centenário de um escritor de quem, infelizmente, já quase não se ouvia falar: Ruben A. (este A. é de Andresen, pois era primo de Sophia, embora também pudesse ser de Alfredo, o seu segundo nome próprio). Embora nascido em Lisboa, passou uma parte significativa da juventude no Porto e diz quem sabe que é um dos «Meninos de Ouro» do romance homónimo de Agustina. Muitos anos depois de ter tirado o curso de Histórico-Filosóficas em Coimbra e de ter já obra publicada, nomeadamente os diários, foi leitor no King's College de Londres, donde Salazar o tentou tirar, alegando que uma pessoa com as suas ideias e que escrevia como escrevia (moderno, pois claro) não podia estar a ensinar português. Voltou a Portugal e também passou pela edição, tendo ocupado um cargo na administração da Imprensa Nacional, e morreu cedo, com 55 anos. Ruben A. tem uma obra extensa, variada e  pouco conhecida, toda ela, creio, publicada pela editora Assírio e Alvim, que vai lançar na rentrée e num só volume a sua autobiografia, O Mundo à minha procura. Para quem queira tomar o pulso a este escritor, recomendo a edição na colecção Miniatura da Livros do Brasil do seu A Torre de Barbela, que foi talvez o livro que o celebrizou.

 

P. S. Peço a quem anda zangado com a língua portuguesa e com mais alguém que aqui vem ler os meus posts que não se sirva deste blog para isso. Compreendemos que nesta fase todos andem um pouco alterados, mas este não é o lugar mais apropriado para ajustar contas. Tenho apagado os comentários quando os vejo, porque avisei que o faria, mas dá trabalho e não é justo quando o problema não foi criado por mim. Espero não ter de pedir à SAPO o bloqueio do Anónimo em causa e que ele (ela) venha ler-me mas não agredir ninguém. Obrigada.

03
Jun20

Se não viu, que visse

Maria do Rosário Pedreira

Não sei se sabem, mas foi sobretudo desde que apareceu na saga de Harry Potter  uma bela escadaria vermelha que a Livraria Lello se tornou internacionalmente famosa. A autora, J. K. Rowling, tinha-se casado com um português e vivido alguns anos no Porto, pelo que todos pensaram que conhecia bem a livraria em causa e a tinha usado nas suas histórias. Fosse assim ou não, o que é certo é que, com o sucesso da série, a Lello passou a ser visitada por turistas de todo o mundo que queriam ver de perto a escadaria vermelha que o jovem feiticeiro subira nas suas aventuras. E ainda bem, porque assim, de caminho, viram uma das mais belas livrarias do mundo, se não a mais bela, e compraram livros (o que é sempre bom). No entanto,  numa entrevista recente, a senhora Rowling disse que não conhecia a Livraria Lello: nunca lá tinha entrado nem sabia da sua existência quando vivia na Invicta, ou seja, não tinha sido a livraria a inspirar as suas aventuras. Um bocado feio, diria eu, e triste (porque se viveu no Porto e nunca deu pelo edifício devia ser cegueta ou muito desinteressada). Mais valia ter ficado calada, porque a livraria respondeu-lhe com estalada de luva branca na sua página de Facebook, reproduzida, de resto, como anúncio em muitos jornais do último fim-de-semana. Veja aqui, porque merece atenção. Não sei quem foi que a escreveu, mas vê-se que é de alguém culto e com espírito.

https://www.facebook.com/LivrariaLello/posts/1658565817640084?__tn__=K-R

Não recomendo Harry Potter, mas apenas porque nunca li (espero que mo perdoem), mas, para crescidos, se gostam de séries, têm O Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrell, uma teatralogia que foi reunida pela Dom Quixote num único volume (a minha edição era da Ulisseia).

02
Jun20

Regressa / Não regressa

Maria do Rosário Pedreira

No que respeita ao confinamento imposto em Março por causa da Covid, tivemos, segundo penso (e muitos jornais estrangeiros também sublinharam), um comportamento exemplar. Talvez mais por medo do que por obediência (mas isso agora pouco importa), fechámo-nos em casa e evitámos a catástrofe que podia ter-se abatido sobre os nossos hospitais num momento em que a doença, noutros países, atingia números de mortos e infectados assustadores. Mas agora, que o desconfinamento está em marcha, parece que os ex-enjaulados se puseram todos ao fresco de um momento para o outro e estão a facilitar. Nem falo dos inevitáveis contágios em estruturas industriais, ou bairros onde não é possível, pelas fracas condições de habitabilidade, manter as distâncias, lavar as mãos a toda a hora, pagar máscaras, higienizar espaços, evitar a propagação; falo de uma juventude inconsciente que se abraça pelas ruas e esplanadas e não põe máscara porque tem sempre um copo de cervejinha na mão, achando que nada lhe toca (e se calhar não), mas podendo levar a doença para casa sem saber e prejudicar pais, avós e irmãos. A Feira do Livro de Lisboa regressa a 27 de Agosto, e a notícia, para quem gosta de livros e, sobretudo, trabalha neles, foi um bálsamo num ano em que as vendas caíram a pique e levarão muitos anos a voltar aos números anteriores à Covid. Mas, como o Primeiro-Ministro avisou, pode haver recuo se as pessoas não cumprirem à risca as regras e os casos não pararem de aumentar. Estou aqui a pensar que, se as coisas continuam como nos últimos dias, ainda é possível um cancelamento da feira. Temos de portar-nos bem se a queremos de volta.

 

Tinha-me esquecido da sugestão, desculpem: pois vou recomendar um livro que publiquei há muitos anos: Está Tudo Iluminado, de Jonathan Safran Foer. Um jovem americano muito esquisito com as comidas (é o próprio autor, de resto) procura na Ucrânia a mulher que terá ajudado o seu avô judeu a escapar aos nazis. Um choque de culturas e um regresso à história da família com personagens realmente especiais. (Obrigada, Bibi, por me lembrar de que faltava a recomendação.)

01
Jun20

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

E pronto, passou mais um mês e chegou aquele dia em que todos dizemos o que andamos a ler. Para vossa surpresa, leio neste momento um policial, algo que não é nem meu hábito, nem coisa da minha predilecção. Mas estava sem cabeça para o livro que tinha à cabeceira (sim, a minha concentração está bastante afectada pelo confinamento e gasto-a todinha no trabalho), pelo que me recomendaram este À beira do Abismo, de Raymond Chandler, a primeira aventura do detective Philip Marlowe, de 1939, considerada pelo The Guardian e pela revista Time um dos cem melhores romances de sempre. Não iria tão longe, mas, sim, a personagem de Marlowe é bem esgalhada e a trama das filhas malcomportadas do velho milionário, num escândalo que mete fotografias porno, uma bela intriga que distrai do vírus antes de se apagar a luz e adormecer.

Para hoje, já que falei de policiais, recomendo Um Céu demasiado Azul, de Francisco José Viegas, ou quaquer outro romance do mesmo autor com o inspector Jaime Ramos.

P. S. Tenho respeito por quem me lê, mas gostaria também de ter o seu respeito. Se escrevo sobre um assunto, comente sobre esse assunto. Se há alguém indisposto com o País, o vírus, o confinamento, o seu salário ou a sua vida, por favor não use este blog para reclamar disso. Peço ainda aos comentadores que se respeitem mutuamente, mesmo que estejam em desacordo, e que não se escondam no anonimato para se insultar.

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