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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Fev21

Ocupar os miúdos

Maria do Rosário Pedreira

Não gosto de trabalhar em casa: o trabalho rende-me menos, não sei se por ter de pensar e fazer almoços e arrumar a cozinha (costumo despachar-me em meia hora na cantina ou então comer uma sanduíche na rua), se simplesmente porque o espaço é diferente e não há sítio na mesa para pousar tudo como no meu gabinete lá na editora. Mas de certeza que padecem muito mais os que têm filhos e são forçados a dividir o trabalho com a atenção e o acompanhamento dados às crianças. A partir do dia 15, porém, existe uma boa novidade: a Rádio Miúdos (uma rádio feita para e por crianças) inaugura uma espécie de «sucursal» chamada Canal Miudinhos para crianças dos zero aos seis anos, com histórias, canções, passatempos e brincadeiras para os que estão mortos de chatice enfiados em casa e precisam de se animar e deixar os mais velhos sossegados. Pais e educadores também terão um esaço para si no site do Canal Miudinhos, que os vai ajudar nestes tempos difíceis. O canal funciona dia e noite, mas fica tudo gravado num podcast para quem queira procurar e voltar a ouvir alguma programação específica. Segundo leio na newsletter da Rádio Miúdos, «no primeiro dia oficial de emissão do canal vamos poder ouvir a opinião de diversas figuras públicas portuguesas e também de educadores e pais que deixaram uma gravação de voz sobre o que pensam do Canal Miudinhos e o que querem lá ouvir.» Links abaixo para todos os interessados:


Canal Miudinhos

www.radiomiudos.pt

 

11
Fev21

Hungarices

Maria do Rosário Pedreira

Estava à procura de um livro de poesia de um autor brasileiro e encontrei por acaso um pequeno romance que não tinha chegado a ler até ao fim (tinha lá a marca no sítio onde fiquei e tudo). Depois lembrei-me que o levei há uns dez anos numa viagem de avião e que, ao regressar, tinha provavelmente livros urgentes para ler e o resto daquele ficou a aguardar melhores dias. Perdi-lhe o rasto (o Manel deve tê-lo arrumado entretanto na estante) e só agora voltámos a encontrar-nos. Tirei-o da prateleira e tive de o ler de fio a pavio. Chama-se Budapeste e escreveu-o Chico Buarque (sim, o grande Chico). É a história de José Costa, um ghost writer carioca (e eu, antes de recomeçar a leitura, achava que o protagonista era um tradutor...); por causa de um problema inesperado numa viagem aérea, José vai parar a Budapeste e acaba por lá ficar a aprender a língua esquisitíssima com uma mulher de pele incrivelmente branca com quem acaba por ter um relcionamento amoroso; José estava, porém, muitíssimo bem casado com Vanda, uma locutora de telejornal no Rio de Janeiro, de quem tinha um filho e para quem volta um dia, aborrecido com a professora húngara que o sufoca. O livro vai viajando entre Budapeste e o Rio, e o escritor-fantasma vai escrevendo livros para outras pessoas sem se importar com o anonimato até que, um dia, escreve um romance para um senhor alemão arrogante (um romance supostamente autobiográfico), e Vanda apaixona-se pelo livro (e quiçá pelo autor). Budapeste é cheio de voltas e reviravoltas e fala da identidade de um escritor e da relação entre anonimato e reconhecimento público. Não me lembrava nada do que tinha lido, caramba. Deve acontecer com muitos livros...

10
Fev21

Leipzig cancelada

Maria do Rosário Pedreira

É provável que já aqui o tenha dito: em 1997 trabalhei para a empresa que organizou a presença de Portugal como país convidado da Feira Internacional do Livro de Frankfurt. Foram dois anos loucos a preparar tudo, ao início com uma equipa operacional muito pequena, e só quem esteve nos bastidores sabe o que foi fazer pastas até às tantas da manhã, tirar milhares de folhas A4 com biografias de escritores de um camião TIR, ver desaparecer a decoração de uma parte do pavilhão da noite para o dia (não estava bem arrumada e os funcionários da limpeza deitaram-na no lixo) e ter de inventar outra coisa, arranjar champanhe e bolo de anos para a maravilhosa Agustina num hotel recém-estreado onde tudo corria mal e, por fim, ver um microfone dar uma de difícil na pior das alturas (sim, era a vez de o nosso ministro da Cultura falar na inauguração do Pavilhão de Portugal). Mas para quem estava de fora correu às mil maravilhas e, depois disso, a literatura portuguesa foi objecto de um Nobel, de muitos convites internacionais para Salões e Festivais e de imensas traduções. Este ano, estava previsto que a Feira de Lepzig (mais pequenina, mas importante) celebrasse a literatura portuguesa, mas, infelizmente, a COVID não deixou a nossa conselheira cultural, Patrícia Severino, realizar os seus muitos planos. Uma pena! Em todo o caso, vão publicar-se na Alemanha várias traduções de escritores portugueses, de Mário de Sá Carneiro, Hélia Correia, Cristina Carvalho e outros. Valha-nos isso. Melhores dias virão.

09
Fev21

Clubes de leitura

Maria do Rosário Pedreira

Com a pandemia e a obrigação de recolhimento, multiplicam-se as actividades culturais por via digital. Não é a mesma coisa que ter o autor ao nosso lado (hoje desaconselhável, claro); mas, uma vez que a programação televisiva é frequentemente repetitiva e desinteressante (pelo menos, para quem não tem os canais de séries e filmes de qualidade, e nem sempre), estas sessões fazem-nos companhia ao serão e, além disso, ilustram-nos e dão-nos boas orientações. Já aqui falei da comunidade de leitores do Museu da Farmácia, por exemplo, a que assisto regularmente, mas também poderia falar das conversas que a Quetzal está a promover entre o editor Francisco José Viegas e os seus autores (assisti na semana passada ao diálogo, muito bom, com Bruno Vieira Amaral), ou até de um clube de leitura conduzido por Analita Santos no Facebook que tem por nome O Prazer da Escrita e acontece mensalmente, num sábado à noite, de acesso livre. De momento, debruça-se sobre autores de língua portuguesa (Camilo Castelo Branco, Machado de Assis e outros), recebendo Lídia Jorge ainda este mês; mas prevê até ao fim do ano um ciclo sobre romances históricos e outro sobre poesia, portanto haverá obras para todos os gostos. Deixo-vos o link abaixo. A maioria destes encontros de que vos falo exigem apenas um computador (ou outro dispositivo electrónico) com câmara e microfone e são gratuitos. Muitos podem até fazer-lhe companhia ao jantar, em vez daqueles telejornais que se prolongam por horas e se comprazem com o horror, como se também não houvesse boas notícias.

https://www.facebook.com/groups/EncontrosLiterariosOPrazerDaEscrita

 

08
Fev21

Leiam!

Maria do Rosário Pedreira

«Leiam!» foi o apelo mais directo que Monsieur Le Maire, o ministro das Finanças, da Economia e da Recuperação de França, fez aos jovens de uma escola no passado dia 25 de Janeiro, chamando a atenção para a importância e o prazer de uma actividade que todos nós comungamos aqui no blogue: a leitura. Mas fê-lo com uma série de frases que eu, se tivesse paredes livres, colava com fita-cola por todo o lado para que todos lessem, de tal forma são claras, apropriadas e direitinhas ao osso. A que mais me tocou foi «Os ecrãs devoram, os livros alimentam», mas há outras igualmente boas, como a que compara a escravidão dos jovens em relação ao digital com a liberdade que proporciona um livro, ou a que vê o acto solitário da leitura como uma abertura ao mundo. Correndo o risco de ir bater com o nariz na porta (quantos que aqui passam saberão o francês suficiente para compreender?), vou divulgar o link deste magnífico vídeo, não só pelo que diz, pela forma como o diz, mas também pela função que ocupa a pessoa que diz: um ministro das Finanças e da Economia. Nem pedia tanto. Gostaria que cá em Portugal os responsáveis pela pasta da Cultura dissessem e sentissem um cagagésimo do que diz e sente Monsieur Le Maire. Já seria certamente bom.

https://www.facebook.com/blm27/videos/227839902155626

 

05
Fev21

Excerto da Quinzena

Maria do Rosário Pedreira

Este saiu excepcionalmente longo (não vou repetir este tamanho) mas é só porque a história merece. Boa leitura.

Depois da conversa sobre os gira-discos e os seus diferentes méritos, o senhor Jo pediu a Suzanne que lhe abrisse a porta da casa de banho para poder vê-la toda nua, a troco do que lhe prometeu o último modelo de La Voix de Son Maître e discos ainda por cima, as últimas novidades de Paris. De facto, enquanto Suzanne tomava duche, bateu discretamente à porta da casa de banho.

– Abra – disse o senhor Jo muito baixinho. – Não lhe toco, não me mexerei, vou só olhar para si, abra.

Suzanne imobilizou-se e fitou a porta da casa de banho mergulhada na penumbra e por trás da qual estava o senhor Jo. Ainda nenhum homem a tinha visto completamente nua, salvo Joseph, que às vezes entrava para lavar os pés quando ela estava a tomar banho. Mas, como isso nunca deixara de acontecer desde crianças pequenas, não contava. […]

– É só o tempo de a ver – suspirou o senhor Jo. – Joseph e a sua mãe estão do outro lado. Suplico-lhe.

– Não quero – respondeu debilmente Suzanne.

[…] A recusa tinha-lhe saído maquinalmente. Tinha sido Não. Imediatamente, não imperiosamente. Mas o senhor Jo continuava a suplicar, enquanto esse não se invertia lentamente e Suzanne, inerte, emparedada, se deixava convencer. Ele ardia de desejo de a ver. […] E o que ali estava não fora feito para ser escondido mas, pelo contrário, para ser visto e fazer o seu caminho através do mundo, o mundo a que pertencia, apesar de tudo, aquele ali, aquele senhor Jo. Mas foi só quando estava quase a abrir a porta da sala escura para que o olhar do senhor Jo penetrasse e a luz enfim se fizesse sobre este mistério que ele falou do gira-discos.

– Amanhã terá o seu gira-discos – disse. – Amanhã mesmo. Um magnífico La Voix de Son Maître. Minha Suzanne querida, abra por um segundo e terá o seu gira-discos.

Foi assim que, no momento em que ia abrir e dar a ver-se ao mundo, o mundo a prostituiu. Já com a mão no fecho da porta, suspendeu o gesto.

Marguerite Duras, Uma Barragem contra o Pacífico, trad. Carlos Leite

 

04
Fev21

Inivisibilidade

Maria do Rosário Pedreira

Perguntam-me frequentemente quando escrevo um livro sobre a minha experiência como editora e conto as pequenas histórias e os episódios menos felizes relacionados com autores que publiquei (e não publiquei). Digo sempre que essas coisas por que algumas pessoas salivam realmente devem permanecer no segredo dos deuses. João Tordo, no seu livro Manual de Sobrevivência de Um Escritor, quando fala de edição, conta, por exemplo, que foi o seu editor na altura quem insistiu em que mudasse o título do seu livro que venceu o Prémio José Saramago. Que ele o diga é bonito; já se fosse o editor a dizê-lo por ele seria, quanto a mim, bastante feio. Num grupo sobre edição criado no Facebook, Rui Beja, que foi presidente do Círculo de Leitores ao longo de muitos anos e se tem especializado em questões editoriais e escrito sobre elas, partilhou um artigo muito interessante de uma revista espanhola sobre como são (quando são) recordados os editores (no caso, por causa da morte prematura do grande editor López Lamadrid aos 59 anos). E foi nele que encontrei o melhor parágrafo sobre a minha espécie. Aqui vai ele (a tradução, livre, é minha):

«Os editores nunca foram personagens públicas; se por acaso se tornam conhecidos, é apenas dentro dos círculos literários, que são sempre pequenos e fechados. Mas a sua importância reside, em parte, justamente nessa invisibilidade. Porque teria alguém de conhecer a vida do tutor, do treinador, do professor ou do editor se pode ter acesso ao artista, ao atleta, ao pensador ou ao autor? A sua figura é naturalmente secundária. Não pode haver duas pessoas no mesmo lugar: o livro que chega ao público não pode estar assinado por mais de uma pessoa.»

Obrigada, Jacobo Zanella, por pensar e exprimir tão bem o que sinto.

03
Fev21

Atlântico

Maria do Rosário Pedreira

Estamos condenados a ficar trancados em casa por mais um tempo, e o que nos vale é que, apesar dos livros confinados (só num país que quer prolongar o analfabetismo funcional é que se podem vender revistas do coração em todo o lado, mas não livros...), existem cursos, podcasts, workshops e sei lá que mais para nos porem em dia com livros, prosas e escritores, para que não morramos ignorantes. Começa, por exemplo, este mês na EC.ON um ciclo que parece bem interessante chamado Atlântico, que se desenrolará até ao mês de Maio e contará com a participação de muitos autores de língua portuguesa, pondo à conversa escritores oriundos de Moçambique, Angola e Brasil, como José Eduardo Agualusa, Ondjaki, o premiadíssimo Itamar Vieira Junior, Andréa del Fuego, Claudia Lage, Reginaldo Pujol Filho e Luiz Antonio de Assis Brasil (ah, adoro este senhor, que conheci nas Correntes d'Escritas há muitos anos), bem como a portuguesa Matilde Campilho, que é uma espécie de brasileira de adopção. Os leitores de cá vão poder conversar com todos eles por videoconferência sobre livros e literatura e fazer perguntas sobre o ofício e a obra, mas cuidado, que o número de vagas é limitado! Se estiver interessado, deixo-lhe o link abaixo:

http://escritacriativaonline.net/cursos/icone/i18/

 

02
Fev21

Histórias com pêlo

Maria do Rosário Pedreira

Os canis estão, como sabemos, cheios de animais para adopção (embora se diga que agora, como passear o cão é uma das poucas razões para se poder ir à rua, aumentaram as adopções oportunistas, mas espero que seja boato porque isso pode significar um abandono posterior). Dantes, receber um rafeirinho encontrado na rua ou comprar um cão de raça a um criador eram as opções ao dispor, mas hoje existem muitos animais abandonados que precisam de dono e farão as delícias de adultos e crianças que possam e queiram cuidar deles. Para tornar mais fácil fazer chegar ao público esta possibilidade (e urgência), os voluntários das Histórias com Pêlo teve uma ideia muito feliz: pedir a escritores e personalidades públicas que baptizem e escrevam sobre um destes «órfãos» a partir de uma fotografia e de alguns (poucos) elementos do seu carácter e assim chamem a atenção do público para a necessidade de dar amor e uma casa a tantos animais que entristecem todos os dias na Casa dos Animais de Lisboa. Eu já estou na calha para me associar a um destes cães, esperando que o meu texto o ajude a chegar a um bom destino. Vale a pena ver o vídeo que vos deixo abaixo, em que várias pessoas que conhecem apoiam a iniciativa e se ouvem excertos de alguns dos respectivos textos. Ajudemos os animais com literatura, grande ideia! 

https://www.facebook.com/camaradelisboa/posts/3970397489646838

 

01
Fev21

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Ando (estranhamente, porque não é meu hábito) a ler mais de um livro ao mesmo tempo. Sim, é natural ler durante as horas de trabalho manuscritos ou livros estrangeiros e, à noite, qualquer outra coisa por prazer. Mas não é disso que falo, é mesmo de ler por prazer mais de um livro. Comecei Aquiles, o pequeno romance póstumo de Carlos Fuentes; mas depois pus-me à procura na estante de um livro da velha colecção Dois Mundos, da Livros do Brasil, e não resisti a pegar em Ratos e Homens, de John Steinbeck (que, na minha cabeça se confundia com Luz de Agosto, de Faulkner) e lê-lo (quiçá em homenagem ao ASeve, que adora o autor). São dois livros muito diferente. O do latino-americano, traduzido por Helena Pitta, conta a história de um colombiano que é morto num avião à frente do narrador, que lhe desenha então uma história de vida desde criança. O de Steinbeck é (resumindo muito) a história de dois homens, George e Lennie, este último uma autêntica criança grande, numa  herdade da Califórnia durante a Grande Depressão; é história de gente pobre que sonha conseguir um dia um quadrado de terra e viver pacatamente do que produz, mas que assiste permanentemente ao fosso entre pobres e ricos e ao fosso ainda maior entre brancos e negros. Ambos valem a pena: Fuentes merece o nosso reconhecimento pelas fantásticas imagens e por ser um escritor que soube desviar-se do realismo mágico e mostrar-se muito diferente dos seus contemporâneos;  o clássico norte-americano já leva o selo de um Prémio Nobel como garante de qualidade. Leiam-nos. Os autores, mesmo mortos, agradecem.

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