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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Jul21

Mexidos ou quietos

Maria do Rosário Pedreira

Li há tempos que, nos Estados Unidos, a situação com a obesidade dos jovens é cada vez mais preocupante. Não só não se alimentam de forma racional (a fast food está nos antípodas da dieta mediterrânica) como passam em média umas seis horas sentados ao computador ou «ligados» a tablets e smartphones, sem o mínimo desejo de levantar o rabo da cadeira para ir dar um passeio higiénico. Aqui, pelo contrário, vemos muita gente a praticar desporto, caminhar, correr, e os jovens jogarem futebol, fazerem surf, andarem de bicicleta. Mas o tempo que passam agarrados às máquinas de comunicar (e que tanta vez só servem para deixar o operador mais sozinho, a jogar um jogo normalmente violento ou parvo) é também excessivo, sobretudo se comparado com o tempo que estão a ler. Pois é, os hábitos de leitura da malta jovem, segundo o Plano Nacional de Leitura, não são nada animadores... E foi mesmo por causa disso que o PNL criou o projecto Craques da Leitura, que associa a leitura aos atletas. Porque, ao contrário do que se pensa, há muitos desportistas que gostam de ler e a quem sabe muito bem ler umas páginas todos os dias para relaxar, sobretudo na véspera de uma prova importante. São esses atletas, de várias modalidades, que vão estar em encontros e conversas com os jovens portugueses para os incentivar à prática da leitura. Como explica o artigo cujo link partilho abaixo, as crianças dos 6 aos 15 anos podem inscrever-se nestas actividades através das escolas, das bibliotecas e dos centros desportivos da sua área. Uma bela maneira de ocupar jovens em férias, pois, diante dos atletas, até perceberão melhor como é importante, além do corpo, mexer os olhinhos sobre as páginas.

Atletas também são ″Craques da Leitura″ (jn.pt)

 

01
Jul21

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Se entrarem por estes dias numa livraria, vê-lo-ão de certeza. É que a capa, linda de morrer, chama inequivocamente a atenção. O livro tem por título O Homem do Casaco Vermelho, e esse casaco vermelho, que se parece com um roupão com borlas caindo do cinto, deixa ver um chinelo sofisticado e colorido que pertence ao doutor Pozzi, cujo rosto só conheceremos no interior do livro e pertence a um dos mais belos homens do seu tempo. Médico italiano tornado francês, culto, rico e que contribuiu enormemente para o progresso de alguns processos cirúrgicos, sobretudo na área da ginecologia, salvando muitas vidas, esta figura (a par do conde Montesquiou com quem viajou para Londres) é o núcleo do novíssimo livro de Julian Barnes, autor que se interessou por ele a partir do momento em que viu esse quadro maravilhoso em que veste o casaco vermelho. E, como amante da França, o escritor britânico toma Pozzi como ponto de partida para nos falar da Belle Époque e dos seus protagonistas (no jornalismo, nas artes, nos duelos, na maledicência...) que, de resto, vão aparecendo retratados ao longo do livro em pequenos «cromos» que eram oferecidos com uns chocolates, como cá em Portugal acontecia com os rebuçados já não sei de que marca. A obra, que não é de ficção nem fácil (é preciso conhecer muitos daqueles tipos), é mais uma homenagem à adorada França do autor, sobretudo porque, com o seu sentido de humor habitual, Barnes a compara com a sua ilha na mesma época, e lá a «époque» não é obviamente tão «belle»... Irreverente, informado, surpreendente, é o livro que estou a acabar de ler.

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