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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Set21

O cego iluminado

Maria do Rosário Pedreira

Num domingo à tarde do mês passado, fui para casa da minha mãe, como acontece com frequência, fazer-lhe companhia durante a tarde. Mas, apesar de ela ser uma grande conversadora, o calor amoleceu-a nesse dia e passou grande parte da minha visita a dormir a sesta. Como eu não ia preparada para isso, acabei por ir à estante da sala à procura de algo que ler em poucas horas e saiu-me ao caminho o excelente Cândido, de Voltaire, que provoca sempre umas boas risadas e nos faz reflectir sobre o mundo, sobretudo o de hoje. Cândido, como o nome indica, é mesmo um ingénuo que cai nas esparrelas iluminadas do falso filósofo Pangloss, por quem é educado na casa de um barão junto com a filha deste, a menina Cunegundes, que ele ama loucamente. Expulso do palácio com um pontapé no traseiro pelo pai da rapariga quando sabe dos contactos físicos (inocentes ainda), iniciará então um caminho de aventuras e desventuras – com viagens a toda a parte (incluindo Portugal, onde assiste aos efeitos do terramoto de 1755) –, durante o qual assistirá ou saberá dos horrores acontecidos (ou talvez não) a Pangloss, ao barão, à menina Cunegundes e a muitos amigos que vai fazendo ao longo do tempo e que o vão orientando para o pior e para o melhor. No fim, nesta deliciosa sátira contra a intolerância e o fanatismo, Cândido concluirá, sem grandes filosofias, que «quem não trabuca não manduca», coisa que continua a ser verdade nos nossos dias (os clássicos são intemporais), excepto para os grandes ladrões que por aí há. Viva o génio de François-Marie Arouet, aka Voltaire, e da tradutora belíssima, Maria Archer. Foi uma tarde muito bem passada.

01
Set21

De volta (e o que ando a ler)

Maria do Rosário Pedreira

Caríssimos Extraordinários, espero que tenham tido umas férias repousantes e, sobretudo, com muitas e compensadoras leituras. Eu desforrei-me até poder, embora, com o calor, a idade e a descompressão, também tenha começado a cabecear depois de almoço e a cair numa espécie de torpor impeditivo de ler. Mas a vida é assim, não se pode ter tudo. Neste momento, em que (não se esqueçam) decorrem já as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto, locais muitíssimo interessantes para os amigos deste blogue, tenho em mãos um «calhamaço» de um escritor holandês radicado em Itália, Iljia Leonard Pfeijffer, que é simultaneamente a história de um amor (o do narrador, que tem o mesmo nome do escritor, com a jovem aristocrata italiana Clio) e uma reflexão sobre o  turismo de massas, o passado glorioso da Europa e o seu declínio no século XXI. Indo para um hotel decadente (o Grand Hotel Europa) escrever o seu livro (este livro, presumo) com o objectivo de lamber as feridas e fazer o luto da sua relação, o texto vai alternando uma parte mais romanesca com outra mais política e densa e ainda com a vida no hotel (o bagageiro jovem é um migrante chegado num barco de refugiados) e a busca do último quadro de Caravaggio por Clio, que é historiadora de arte. Na Holanda, Grand Hotel Europa vendeu loucuras. A tradução é de Maria Leonor Raven e trata-se de uma edição da Livros do Brasil.

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