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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

27
Abr22

Ler com amor

Maria do Rosário Pedreira

Amanhã, se tudo correr bem, parto para o Funchal, onde participarei de um encontro literário de leitura em voz alta organizado pela Contigo-Teatro (Cristina Batista, José Luís Gomes, Maria José Costa e São Gonçalves) sob o tema Ler com Amor. Partindo da pergunta «Leitura: Prazer ou Dever?», este certame conta com vários participantes de muitas áreas e acontece na Reitoria da Universidade da Madeira nos dias 29 e 30. Discutir-se-á, evidentemente, o grande problema da leitura num país onde, num ano inteiro, há 61% de pessoas que nem um livro lêem. Artur Anselmo fará a conferência inaugural e, nesse dia, estarei numa mesa a falar de como o livro foi atropelado pela Internet e de como a ignorância e a falta de leitura pode levar a tiranias impensáveis. No dia seguinte, poderemos ouvir João Tordo, Cláudia Fonseca ou Sofia Venâncio e teremos direito a uma performance pela também escritora Patrícia Portela. Fiquei contente por saber que a minha mesa vai ter como moderadora Maria Benvinda Ladeira Franco, que foi minha colega na Faculdade e reencontrei há poucos anos no Funchal. Agora, volto apenas ao blogue no dia 2, com sugestões de leitura, pois até lá estarei demasiado ocupada.

 

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26
Abr22

Três

Maria do Rosário Pedreira

A maioria dos livros que publico actualmente sai com a chancela das Publicações Dom Quixote, uma editora que foi fundada por Snu Abecsassis ainda no tempo do Estado Novo e que sofreu bastantes golpes da censura porque a dinamarquesa arriscava bastante. Snu Abecassis é uma das Três Mulheres, uma série que se debruça também sobre a jornalista Vera Lagoa e a escritora Natália Correia, a cuja primeira temporada assisti com muito gosto no ano passado. Mas a série pelos vistos correu bem em termos de audiência, o que permite que agora possamos ver a segunda temporada, na qual estas três mulheres viverão já em democracia. Como sabemos, Vera Lagoa virará estrondosamente à direita; Snu apaixonar-se-á por Francisco Sá Carneiro e morrerá com ele na queda de uma avioneta que se supõe criminosa; e Natália será deputada do PSD, fazendo discursos memoráveis. A ver, claro, com vénia aos criadores.

22
Abr22

Mestres e discípulos

Maria do Rosário Pedreira

Publiquei uma novela de Mário Cláudio, Retrato de Rapaz, que tratava da relação entre Leonardo Da Vinci e um seu discípulo e ganhou o Grande Prémio de Novela e Romance da Associação Portuguesa de Escritores (que Mário Cláudio já venceu por três vezes!). Há vários romances que tratam de relações entre mestres e alunos, e agora regressa às bancas a estreia de Frederico Lourenço na ficção, Pode Um Desejo Imenso (até agora o seu único romance, de resto), que também não foge a esta temática. Fala de um professor universitário, Nuno, que se ocupa desde há muito do estudo da obra e da persona de Camões, sobretudo do seu possível envolvimento com D. António Noronha, um jovem de quem era perceptor. No entanto, Nuno está ele próprio apaixonado por um estudante e, no fundo, projecta nessa sua paixão a história de Camões e do discípulo, enquanto,  noutra parte do livro, se recorda o tempo em que foi aluno e já então lia a lírica do poeta quinhentista e tinha um amor não correspondido. Este belíssimo romance sai agora numa nova edição, com uma capa linda, e merece leitura e releitura.

21
Abr22

O meu corpo humano

Maria do Rosário Pedreira

Não costumo falar muito do que escrevo neste blogue, que dedico sobretudo ao que leio. Mas hoje será, se tudo correr bem, um dia especial. Saiu há mais ou menos uma semana o meu novo livro de poesia, que tem por título o meu corpo humano (em minúsculas, porque eu só pequena) e contém cerca de sessenta poemas. Cada poema tem o nome de uma parte do corpo ou de um órgão (braço, cabeça, ouvidos, sangue, carne, rins...) ou várias (cabeça, tronco e membros, por exemplo, ou anca, coxa, perna e pé); e, porque o corpo é frágil e vulnerável, mas também humano no sentido da compaixão, os textos falam de sofrimento próprio e alheio, e do que o tempo faz a um corpo que tem tempo de ver-se ao espelho, e do que a guerra pode fazer ao corpo de uma criança e ao de um adulto. O lançamento, se tudo correr bem, é mais logo, como no convite que aqui vai, e fico muito feliz de ter comigo o poeta João Luís Barreto Guimarães, que também é médico e dissecará estas parte d' o meu corpo humano com o seu bisturi. Se vos apetecer, apareçam.

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20
Abr22

Mortes em vida

Maria do Rosário Pedreira

Ocupou-me na última semana o romance de estreia de uma jovem autora de Salamanca. O livro tinha-me sido oferecido a seguir ao Natal por uma professora portuguesa que mora e trabalha nessa cidade e tinha gostado muito da leitura; coincidência boa, um mês e meio depois o escritor João de Melo recomendou-me que o lesse: Rebeca Hernández, a autora, conhece bem a língua portuguessa e foi tradutora de alguns livros deste escritor português para o castelhano. É um romance que fala de rupturas numa família de pai, mãe e três filhas. Lázaro quis sempre ter um filho rapaz e, tendo-lhe saído apenas raparigas, nunca lhes prestou a atenção que exigiam. Uma a uma, todas se foram tornando mortas em vida para ele, mesmo a do meio, Marcela, que ficou a viver com os pais. Mas Adela, a mãe, segue surpreendentemente a posição do marido; e, entre as próprias filhas, há rivalidades, desavenças e abandono. Los Abandonos é também uma história contada por uma das filhas à sua neta, muito tempo depois, para explicar como tudo aconteceu naquela família de abandonados. Se gostam e sabem ler em castelhano, é uma boa sugestão.

19
Abr22

Ronda poética

Maria do Rosário Pedreira

Eu bem sei que os Extraordinários, pelo menos os que aqui comentam, não são grandes leitores de poesia, mas esta semana vão ter de levar com ela, que só lhes faz bem. Para começar, porque na próxima sexta-feira começa o festival Ronda Poética em Leiria, com curadoria do poeta Luís Filipe Castro Mendes e a presença de nomes sonantes, como os de Manuel Alegre ou Nuno Júdice, que participarão em conversas e debates. Desta feita, até eu lá vou estar, na Livraria Arquivo, às 17h de sexta-feira 22, numa sessão em que «contraceno» com a fadista Aldina Duarte, que acaba de lançar um CD intitulado Tudo Recomeça e para quem tenho feito várias letras/poemas ao longo destes últimos quinze anos. Vai também haver teatro e música, porque as artes gostam de andar de mãos dadas, e destaco um concerto composto integralmente por canções de poetas no dia 23, cantadas por Vitorino Salomé. A ideia é também comemorar o 25 de Abril e levar a poesia aos alunos de todos os graus de ensino, pelo que as escolas serão envolvidas desde o primeiro momento. No site do festival, há ainda uma bela novidade chamada «Aqui ronda o teu poema», um espaço onde todos podem inscrever os seus poemas sem precisarem de ter já livros publicados. Não percam! A poesia, como diz o psicólogo e poeta Paulo José Costa, devia ser receitada por médicos!

18
Abr22

Futebol, ou nem tanto

Maria do Rosário Pedreira

Alguma vez eu poderia acreditar que ficaria entretida uma grande parte de uma noite por causa do futebol? Não, não se assustem: ainda não cheguei ao ponto de trocar um livro por um jogo (embora conheça grandes leitores que o fariam num piscar de olhos), mas peguei num pequeno livro que se chama Campo dos Bargos: O Futebol ou a Recuperação Semanal da Infância, de Jorge Reis-Sá, que a Fundação Francisco Manuel dos Santos recentemente deu à estampa, e li não sei quantos capítulos de enfiada. Este Campo dos Bargos é nada mais nada menos do que o campo vizinho à casa onde o autor viveu a sua infância em Famalicão e, claro, onde jogava a equipa do Vila Nova a que aderiu em criança. Mas, mesmo falando de futebol, é sobretudo um livro de memórias e o retrato de uma relação com o jogo que, não deixando de ser pessoal (nem todos os rapazes usaram um aparelho na perna por causa de uma injecção mal dada, impedindo-os de jogar), se torna universal pela quantidade de homens e miúdos que viveram e vivem a paixão pelo seu clube, por pequeno que seja, sofrendo e entusiasmando-se em cada partida e lembrando pormenores deliciosos envolvendo jogadores, familiares e até os herdeiros que, mesmo morando a milhas de distância, continuam a tradição de se «alistar» na equipa que foi sempre a da família. Acredito que muita gente se reveja neste pequeno texto muito afectuoso. Sobretudo quem gosta de futebol, mas não só.

14
Abr22

Vale tudo

Maria do Rosário Pedreira

Andava eu num motor de busca por causa dos livros de determinado autor de que um amigo me falara quando fui dar a uma dessas livrarias que fazem também vendas online e cliquei ENTER à espera de ver o que procurava. Ui... Abre-se-me uma página com um livro preto com letras vermelhas e umas cuequinhas provocadoras com o título O Poder da Rata. Grande plano. Pensei que era um desses anúncios que saltam quando menos esperamos e de que só conseguimos livrar-nos uns bons segundos depois, mas... não: era mesmo um livro a ser promovido por essa livraria, uma tradução do original de Kara King (deve ser pseudónimo, porque tem mesmo ar de nome de actriz de filmes porno). Por baixo diz que a edição é «brochada» (até me deu vontade de rir, desculpem) e mais abaixo ainda que quem comprou este livro também comprou um data de outros que têm no título (perdoem) a palavra «foder», com as letras todas ou com um asterisco numa letra em falta. Ai, mãe. Ando eu há tantos anos a tentar que as pessoas leiam coisas com algum nível, livros que façam qualquer coisa por elas, e depois o que está na «Primeira Página» das livrarias é isto? Bem, o resumo é logo um brinquinho, diz que se trata de doze segredos que tornam qualquer mulher forte e atraente. Passo. Prefiro a minha massita cinzenta, deixem estar. Ao que chegámos. Vale tudo.

13
Abr22

À mesa

Maria do Rosário Pedreira

Hoje em dia, quando recebo a lista de críticas e referências aos livros publicados nesta enorme casa onde trabalho, quase sempre as primeiras do elenco são a livros de cozinha. Não é, por isso, de estranhar que haja cada vez mais actividades à volta da gastronomia e da  culinária, até porque alguns chefs têm garantidamente mais público do que a maioria dos escritores e publicam livros que vendem como pãezinhos quentes. Nesse âmbito, hoje às 19h, no Chapitô, a entrada é livre para o Todos à Mesa, tertúlia que suponho ser bem engraçada, a anteceder o período da Páscoa, que também costuma ser de comezainas. O painel inclui Nuno Alves Caetano, co-autor recente do celebérrimo O Livro de Pantagruel, escrito, se não erro, pela sua avó; o professor Daniel Mineiro, que falará dos aspectos religiosos e profanos dos alimentos; e Maria Oliveira Dias, que está nos antípodas dos ágapes bem fornecidos, pois é uma especialista em comiga vegetariana. Pois quem gosta de boa conversa, gostará certamente de aprender sobre alimentos proibidos, escolha de temperos, segredos bem guardados e muitíssimo mais. O moderador é João Morales, que tem toda a pinta de gostar de comer bem.

12
Abr22

Descentralizar

Maria do Rosário Pedreira

«As palavras que nos unem» é o mote de 10 encontros literários que em abril e outubro deste ano se farão nas bibliotecas municipais do Alto Minho, integrados no projeto «Inclusão ativa de grupos vulneráveis. Cultura para todos». Vão estar à conversa autores portugueses que, segundo a organização, contribuirão «para a reflexão sobre o poder das palavras enquanto instrumento privilegiado para combater desigualdades, alertar para a exclusão e motivar coletivamente para a coesão social». Durante este mês, haverá encontros em Valença (dia 21), Arcos de Valdevez (dia 22), Caminha (dia 23), Ponte de Lima (dia 29) e Vila Nova de Cerveira (dia 30) e, em outubro, terá lugar uma segunda etapa desta edição em Melgaço, Ponte da Barca, Viana do Castelo, Monção e Paredes de Coura. Na primeira fase, passarão pelas bibliotecas nomes como Isabel Rio Novo, Paulo Moura, Tiago Salazar, Rui Cardoso Martins, Sílvia Alves, Paulo Freixinho, Manuel Jorge Marmelo, Manuella Bezerra de Melo, Rui Zink, Renato Filipe Cardoso, Mário Augusto e Álvaro Laborinho Lúcio. A moderação dos encontros estará a cargo do jornalista João Morales. Descentralizar!

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