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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Mai22

Lançamentos

Maria do Rosário Pedreira

Hoje e amanhã são dias loucos, pois é bastante raro ter dois lançamentos em dois dias seguidos, mas desta vez, porque lancei vários livros no mesmo mês, aconteceu, e agora não há volta a dar. Hoje à tarde, no Centro Cultural de Cabo Verde, como já na semana passada anunciei, terá lugar a apresentação do romance de Mário Lúcio Sousa sobre Amílcar Cabral, A Última Lua de Homem Grande, que estará a cargo de Clara Seabra, José Hopffer e Julião Soares Sousa. Já no dia seguinte será a vez de o jornalista Luís Ricardo Duarte apresentar o magnífico Onde as Peras Caem, da escritora e realizadora georgiana radicada em Berlim Nana Ekvtimishvili, romance nomeado para o Man Booker International Prize e traduzido do inglês por Maria do Carmo Figueira. Este lançamento conta com o apoio da Embaixada da Geórgia e também a presença da autora que já esteve mais de uma vez em Portugal. Deixo, pois, os convites para que compareçam. Serão muito bem-vindos.

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16
Mai22

Em forma de assim

Maria do Rosário Pedreira

Apesar de muitos dos nossos cineastas adaptarem obras literárias (Luís Filipe Rocha está neste momento a rodar O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro, por exemplo), João Botelho é talvez o realizador português mais obviamente ligado à nossa literatura. Não podemos esquecer que o seu percurso, desde os anos 1970, com Conversa Acabada (sobre a amizade que ligava Pessoa e Mário de Sá-Carneiro), incluiu numerosos filmes rodados a partir de grandes livros da literatura portuguesa, como o Filme do Desassossego, Os Maias ou Peregrinação. Agora, Botelho foi, porém, ainda mais longe e partiu da biografia de Alexandre O'Neill escrita por Maria Antónia Oliveira para rodar um filme sobre esse poeta maior da literatura portuguesa que foi também um grande publicitário. Ainda não fui ver o recém-estreado trabalho, mas os pequenos excertos que a TSF tem transmitido antes dos noticiários a anunciar este Um Filme em Forma de Assim indiciam algo muito interessante e remetem imediatamente para o nosso O'Neill no seu melhor. Vamos ver?

13
Mai22

Prémio LeYa

Maria do Rosário Pedreira

À beirinha do fim-de-semana, recordo que hoje o Prémio LeYa vai ser entregue a José Carlos Barros pelo seu romance As Pessoas Invisíveis no Museu da Cidade de Lisboa, às 18h00. O romance começa nos anos 1940, quando um alemão se torna amigo de um português por alturas da exploração de volfrâmio, e termina nos dias que se seguem à morte de Sá Carneiro. Fala de poder, de cura, de invisibilidade, de como uma pessoa aparentemente boa acaba cometendo um crime que a leva para África, onde brancos corruptos continuam a praticar a escravatura nas roças muito depois da sua abolição e fazem dele um homem-de-mão. Fala do campo, dos montes e das suas plantas medicinais e de uma santinha que alimenta os tios com os seus milagres até ao dia em que... Fala de um caderno encontrado muitos anos depois de ter sido escrito, em que se refere um segredo que esteve guardado a sete chaves e que provoca tragédias depois de revelado. É um livro mesmo muito bom e bonito, de um romancista e poeta que acha sempre as palavras certas e que já tinha sido finalista do prémio LeYa há uns bons aninhos com um romance muito curioso chamado Um Amigo para o Inverno. José Carlos Barros é para ler e guardar. Se quiserem conhecê-lo, apareçam mais logo.

12
Mai22

Romance biográfico

Maria do Rosário Pedreira

O escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa, vencedor de muitos prémios literários com as obras anteriores (O Novíssimo Testamento, Biografia do Língua, O Diabo Foi Meu Padeiro) tornou-se finalista do Prémio LeYa em 2021 com A Última Lua de Homem Grande, sobre um dos vinte maiores líderes da história da Humanidade: Amílcar Cabral. Com uma vida cheia, mas apenas 49 anos e tanto por fazer, Cabral regressa a casa certa noite para encontrar a morte. Sem poder fugir aos tiros, cai junto do automóvel e, observando a Lua cheia, reconstitui, em prodigiosas regressões, todos os passos da sua vida pública e privada para compreender quem o terá assassinado e porquê.  Usando a terceira pessoa num original e inusitado monólogo, aquele a quem os seus chamavam «Homem Grande» revisita a infância, a relação com a mãe, a vida de estudante, os amores, as traições, o sonho da independência para as suas duas pátrias – Guiné e Cabo Verde – e põe a nu o absurdo de uma guerra, os meandros dos interesses internacionais e os desmandos do poder em África. A não perder. (O lançamento será no dia 17 no Centro Cultural de Cabo Verde.)

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11
Mai22

Coleccionar

Maria do Rosário Pedreira

Quase todos nós fomos, em algum momento, coleccionadores. Eu fiz colecção de postais aos doze anos, mas há quem tenha preferido cromos, selos, moedas, canetas, paliteiros, caixinhas ou outra coisa qualquer. Há um belíssimo livro de Edmund de Waal, oleiro e ceramista, chamado A Lebre de Olhos de Âmbar, que se debruça justamente sobre uma colecção de pequenas peças japonesas (netsuke), muito em voga no final do século XIX, como, aliás, outras «japonesices». De Waal herdou esta colecção de um tio-avô e observa-a com a maior das atenções: as peças variam muito, incluindo animais, pessoas exercendo ofícios, frutos e até cenas eróticas; as pecinhas cabem numa mão fechada e têm um certo ar de talismãs. O autor resolve então ir atrás dos anteriores proprietários e regressa a uma riquíssima família de judeus, os Ephrussi, cultos e amigos dos impressionistas, que viviam entre Viena e Paris e se tornaram grandes coleccionadores de arte, nomedamente um dos irmãos, Charles, que privou com os Goncourt, e foi o primeiro proprietário dos netsuke. Vale muito a pena ler este delicioso livro premiado sobre tempos que não voltam e pessoas que também já não há. Em 5ª edição, creio, o que para uma não-ficção sobre arte está bem acima das expectativas.

10
Mai22

Memória e especulação

Maria do Rosário Pedreira

Em plena Baixa do Porto há uma rua icónica com uma fiada de prédios, onde os modos tripeiros convivem com a música dos artistas, a sinfonia das obras, a vozearia dos bares e os bandos de turistas curiosos. É numa dessas casas que vive a octogenária Piedade desde que se lembra e onde tem amigas de longa data. Mas o terror instala-se quando – ofuscados pelo potencial deste Porto Antigo – os proprietários e investidores não olham a meios para se livrarem dos velhos inquilinos. Neste cenário tenso e desumano desenrola-se a história de Três Mulheres no Beiral, que é também a de uma família reunida por força das circunstâncias, mas dividida por sentimentos e interesses: Piedade, que trata a casa como gente; o filho incapaz de se impor e tomar decisões; a neta que regressa ao lugar onde foi criada para reviver episódios marcantes do seu passado; e o neto egocêntrico e conflituoso que sonha ser rico desde criança e a quem a venda da casa só pode agradar. Com personagens extremamente bem desenhadas num confronto familiar que trará ao de cima segredos que se pensavam esquecidos e enterrados, a autora, Susana Piedade, mantém tudo em aberto até ao final neste texto notável e de rara humanidade que foi finalista do Prémio LeYa em 2021. Sai hoje.

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09
Mai22

Coisas simples e tão boas

Maria do Rosário Pedreira

Há uns tempos «encontrei-me» com um ilustrador e autor de literatura infantil galego por causa de um livro de David Machado sobre o alfabeto e, afinal, acabámos a trabalhar juntos em vários projectos (e até o visitei na Corunha, uma vez que lá fui dizer poesia). Ele assina David Pintor, tem um traço perfeitamente identificável e já ilustrou inclusivamente um livro sobre Lisboa numa colecção sobre cidades. Mas agora escreveu e desenhou aquilo a que eu chamaria uma obra-prima de simplicidade e inteligência, livro que toda a gente adorará folhear: A Minha Árvore Secreta. Não só as páginas duplas são de tirar o fôlego, mas a mensagem (chamemos-lhe assim para simplificar) é incrivelmente importante no âmbito da salvação do planeta e da preservação da natureza. E ao mesmo tempo é um livro delicioso sobre as relações familiares, as amizades, os tempos livres, a alegria, a desilusão (e, claro, sobre como nunca devemos ficar de braços cruzados perante as contrariedades). Eu gostaria de ver uma peça de teatro baseada neste livro, e que os pais todos levassem os meninos a vê-la. Como ainda não existe, leiam e mostrem este livro aos pequeninos e aos grandes. Todos adorarão, asseguro.

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06
Mai22

Excerto da Quinzena

Maria do Rosário Pedreira

Nesta casa, em que as mulheres vivem juntas, de um lado, e os homens do outro, construída em volta de um grande pátio central, Annette fica pela primeira vez com uma ideia pálida, ou melhor, bem garrida, de como vivem as famílias árabes, quem ocupa que lugar na comunidade e onde se situam os limites que demarcam os movimentos de cada um. Entra num mundo desconhecido e não se arroga o direito de julgar. Ou será que sim? Julgar, não, não lhe chamaria assim, mas não consegue evitar não pensar absolutamente nada. Quando vê a cara triste da belíssima Aïcha, que não tem filhos e por isso vai ter uma jovem rival na família. Durante as semanas da sua permanênca, ocupa, na qualidade de francesa, doutora, e devido ao empenhamento da FLN, um papel híbrido entre homem e mulher. É tratada pelas mulheres como uma mulher um tanto bizarra e, pelos homens, como um homem um tanto bizarro. É a única mulher autorizada a comer com eles se quiser; é a única mulher autorizada a sentar-se junto ao pai, debaixo da figueira, ao pé da qual pastam algumas ovelhas da família. Estará já a pensar no que será o futuro? [...]

Anne Weber, Annette, Epopeia de Uma Heroína (Prémio do Livro Alemão),

tradução de Helena Topa

05
Mai22

Medos e mais medos?

Maria do Rosário Pedreira

Aqui há tempos, encontrei-me com a cantora e compositora Luísa Sobral por causa de um podcast que ela tinha sobre letristas. E, maravilha das maravilhas, desse contacto nasceu um belíssimo livro para crianças que publicámos em Abril. A Luísa tinha-o todo escrito, e em verso, como uma canção, e até já tinha algumas das ilustrações feitas por Camila Beirão, que é uma ilustradora com um grande talento e muito bom gosto. O livro, chamado Quando a Porta Fica Aberta, fala de uma menina que, quando a mãe vem apagar-lhe a luz, para ela dormir, quer que se fechem as portas do armário, não vá sair de lá de dentro algum monstro ou coisa esquisita. Mas... pelo contrário! Dentro do armário, como a mãe da Emília explicará, sucedem-se as festas mais espectaculares e, por isso, não há nada a temer. Lindo e inteligente, este é um livro que até os adultos gostam; e, se tiverem jeito para a música, podem tentar cantar a história, e não só contar, aos mais pequeninos! O lançamento, integrado no festival 5L, será na manhã de sábado, às 11h, na Ler Devagar. Toca a levar a criançada, que as autoras têm muitas surpresas!

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04
Mai22

5L

Maria do Rosário Pedreira

E não é que o Festival 5L voltou a ser presencial? Maravilha. Até dia 8, há actividades por essa Lisboa fora para dar e vender (e desculpem não ter avisado antes, já estamos em cima do acontecimento, hoje à tarde o certame abre com uma conversa entre Leïla Slimani e Dulce Maria Cardoso sobre o silêncio e a escrita, com a moderação de Tânia Ganho, escritora também ela e tradutora). Mas haverá mais debates, filmes, performances e lançamentos de livros nesta que é a terceira edição do 5L, festival organizado pela Câmara Municipal de Lisboa com a curadoria de José Pinho, o livreiro empenhado e criativo que fez o FOLIO e encheu de livrarias a vila de Óbidos. Este ano, o 5L associou-se à Temporada Cruzada Portugal-França, pelo que teremos connosco vários autores franceses, entre eles o poeta Jean-Pierre Siméon, que estará numa mesa com Nuno Júdice. As coisas passam-se em vários locais, desde o foyer do São Carlos (onde eu própria vou falar do que é descobrir novos talentos com o editor da Companhia das Ilhas, Carlos Machado, no dia 8 às 12h) até ao Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, passando pela Livraria Ler Devagar e muitos outros espaços. Consulte o programa e vá ouvir falar de livros!

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