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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

17
Jan24

Alice premiada

Maria do Rosário Pedreira

Conheço a escritora Alice Vieira há muito tempo e não minto se vos disser que ela é uma força da natureza (às vezes, um autêntico furacão). Nunca a vi senão bem-disposta, sempre com um sorriso na boca, quando não uma gargalhada sonora, e raramente quieta e parada. Ela gosta de se divertir com os amigos e a sua voz e alegria enchem uma casa, como se costuma dizer. Mas, além disso, é uma das mais conhecidas escritoras portuguesas para a infância e a juventude (e também poetisa, alto lá!), tendo-lhe sido recentemente atribuído o Prémio Iberoamericano de Literatura Infantil e Juvenil, que foi entregue em Lisboa na presença do Ministro da Cultura e do Embaixador de Portugal na Cidade do México. Entre outras razões, o júri (composto por várias entidades internacionais) distinguiu-a pelo «estilo pessoal que transcende gerações e culturas», pela «qualidade e diversidade» da obra e «por saber interpretar o mundo interior de crianças e adolescentes», sublinhando ainda a sua capacidade de «observar do quotidiano» e extrapolar do pessoal para o universal. Aos oitenta anos, a escritora é a primeira autora portuguesa contemplada com este galardão. Ficamos contentes, Alice. Parabéns por mais esta distinção!

 

 

16
Jan24

Curiosidade e orgulho

Maria do Rosário Pedreira

Tenho para mim que a curiosidade é um dos verdadeiros motores do conhecimento. Não falo, claro, de espreitar pela fechadura do vizinho, mas sim de querer saber, de perguntar, de não ficar satisfeito com pouco e ir mais além. Uma das coisas que dizia sempre às minhas turmas quando era professora era justamente isso, que não havia razões para se ter vergonha de fazer perguntas porque ter a resposta é a única maneira de ficar esclarecido e chegar mais longe. Por vezes, também me inquiriam sobre algumas coisas a que não sabia responder (isto geralmente nas aulas de Francês, com nomes difíceis) e eu acabava por dizer aos alunos que não sabia e que por isso iríamos ter de aprender todos juntos a resposta. Não me lembro de ter inventado uma palavra por orgulho, para tapar um buraco ou fingir que sabia, e nunca senti que me caíam os parentes na lama por causa disso. Agora, porém, descubro que essa coisa chamada ChatGPT (sim, esse instrumento da Inteligência Artificial que anda toda a gente a consultar e utilizar) é orgulhoso e, quando não pesca nada sobre determinada matéria, recusa-se a admiti-lo e, em vez de fazer como eu, inventa simplesmente uma resposta em tom convincente, quicá tentando vencer pela retórica a ignorância de quem a interpela. O que vale é que há quem a apanhe na curva, como prova o relato abaixo de um programa de rádio de Nuno Markl, que inventou três provérbios malucos e foi perguntar ao ChatGPT o que queriam dizer e qual era a sua origem. Vale a pena ouvir para verem como estamos mesmo tramados.

https://youtu.be/650G3cu4fJ0?si=3JhMKjRmoEZnrqmT

 

15
Jan24

A prevalência da imagem

Maria do Rosário Pedreira

Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras. Talvez, mas para mim há por vezes um pequenino conjunto de palavras que vale mais do que mil imagens. A verdade é que somos diariamente matraqueados com imagens (em anúncios, em blogues, em videoclips, em fotos e vídeos nas redes sociais e até nas partilhas telefónicas) e de tal maneira nos viciámos nelas que, ao que parece, já poucos de nós conseguem ter paciência ou concentração para ler até ao fim um post ou um e-mail mais longo (lemo-lo, regra geral, na diagonal), mas somos facilmente atraídos pelos ecrãs onde passam imagens. Isto explica o recente sucesso mundial daquilo a que se costuma chamar «novela gráfica» (um romance contado em versão «texto + imagem» a partir de uma ideia original ou baseado num romance existente em versão apenas de texto); e também explica o crescente interesse dos autores de ficção em terem uma versão «ilustrada» dos seus romances, além do e-book e do audiolivro, até porque a adaptação cinematográfica é muito difícil de obter. O género tem, assim, ganho leitores todos os dias e essa circunstância leva ao aparecimento de excelentes artistas nesta área da edição (e cá em Portugal podemos citar, entre outros, o par Filipe Melo-Juan Cavia e a novela gráfica Balada para Sophie, por exemplo). Na lista dos finalistas do Booker Prize também já houve uma novela gráfica (Sabrina), e qualquer dia ainda temos um Nobel da Literatura capaz de escrever e desenhar ao mesmo tempo. Livros com imagens são também prevalecentes nos TOP de vendas e, em França, por exemplo, no ano passado, os dois títulos mais vendidos eram livros de BD com os heróis Astérix e Gaston Lagaffe, escritos ainda por cima por novos escritores que substituem os criadores das personagens, esses mortos e enterrados. Um dia destes ainda me pedem que ponha um boneco para atrair leitores aqui para o blogue...

12
Jan24

Excerto da Quinzena

Maria do Rosário Pedreira

Disseram-nos que tínhamos a sua permissão para nos tornarmos marido e mulher, e foi só isso. Só isso.

Decidi então que pelo menos iria ter um vestido que não fosse feito da serapilheira que usava para trabalhar. E assim comecei a roubar pedaços de tecido e acabei com um vestido impossível de imaginar. A blusa era feita de duas fronhas que se encontravam na cesta de costura de Mrs. Garner. A frente da saia era um bocado de tecido usado para tapar uma cómoda, no qual uma vela caída fizera um buraco, e uma das antigas faixas que Mrs. Garner usava à cintura e na qual costumávamos ver se o ferro de engomar já aquecera. Ora as costas foram um problema durante muito mais tempo. Parecia-me que não conseguia encontrar nada cuja falta não fosse notada de imediato. Porque depois eu teria de desmanchá-lo e colocar os pedaços onde os encontrara. O Halle era paciente e esperou que eu acabasse de costurar o vestido. Sabia que não haveria casamento sem que eu o tivesse. Acabei por tirar uma rede mosquiteira que estava presa a um prego no celeiro. Usávamo-la para coar as geleias e conservas. Lavei-a e branqueei-a o melhor que consegui, e depois cosi-a para formar a parte de trás da saia. E ali estava eu, no vestido mais horrível que se possa imaginar. Apenas o meu xaile de lã evitava que me parecesse com uma assombração. Mas ainda nem tinha catorze anos, e acho que era por isso que estava tão orgulhosa.

 

Toni Morrison, Beloved, trad. de Maria João Freire de Andrade

11
Jan24

Poeta escondido com o rabo de fora

Maria do Rosário Pedreira

Durante muitos anos, o jornalista Nicolau Santos, hoje na presidência da administração da RTP e antes na da LUSA, foi o editor do caderno de Economia do Expresso (a sua formação é, de resto, em Economia). E, se bem se lembram, na primeira página desse suplemento havia sempre um poema, como que para alegrar e dar alguma cor a um espaço em que era quase tudo relacionado com números. Depois disso, embora mais na sombra, continuou sempre a amar a poesia, organizando leituras e conversas que anima em bibliotecas e convidando muitos poetas para discutirem a sua arte e outras questões. Foi sempre, sabe-se, um grande leitor de poesia e uma espécie de poeta com o rabo de fora, mas agora mostra-nos mais: dá-nos um livro novo de poemas, chamado A Feliz Embriaguez de Existir, que ainda praticamente só folheei mas me pareceu logo conter várias pérolas, não só pela claridade (África, onde nasceu, e o amor devem ter alguma coisa a ver com isto) mas também pela ressonância de certos poetas que homenageia nas entrelinhas. Deixo-vos um cheirinho:

 

Debaixo de uma pedra

 

Se encontrares uma pedra

Que te pareça estar há muito tempo

No mesmo sítio

Pelo musgo e pelos líquenes que a envolvem

Não a levantes

Sem te perguntares

No mais íntimo de ti

Se estás mesmo preparado

Para enfrentar o que de lá vai sair.

10
Jan24

Para dar e vender

Maria do Rosário Pedreira

Acabo de receber a agenda do El Corte Inglés para os próximos meses e tem programação para dar e vender. Coisas parecidas ou iguais a outras que já lá se realizaram (e quiçá se repetem por ter havido muita gente que ficou de fora); e coisas muito originais, como um curso inventado e apresentado por Nuno Artur Silva com o sugestivo título A Salvação do Mundo, com três sessões dedicadas à beleza, à ficção e à religião entre 9 e 23 de Fevereiro. Uma das palestras a que vou tentar mesmo ir é Nós e as Árvores na Ca(u)sa Comum, dada pelo enorme conhecedor de árvores Bagão Félix, de quem tenho um livro ultra-interessante sobre o assunto (já aqui disse há pouco tempo que adoro árvores). Não posso faltar também à conferência Tocando Vidas (publiquei este livro, que é uma tese de Paula Freire) sobre o projecto da Orquestra Geração (crianças desfavorecidas a quem é dado um instrumento e tocam numa orquestra, ultrapassando tantas vezes problemas sociais e escolares), em que serão oradores a autora do livro, Álvaro Laborinho Lúcio e Juan Maggiorani. Em fevereiro, Ana Zanatti e José Anjos lerão Camões (este ano faz 500 anos o poeta!) acompanhados da harpista Ana Isabel Dias. E muito mais; o programa é imenso e vale a pena espreitá-lo, pois tem eventos para todos os gostos e quanto mais cedo se inscrever melhor.

09
Jan24

Livrarias perdidas

Maria do Rosário Pedreira

Em 2023 soube que duas livrarias, que tinham ambas o crachá lisboeta de "Lojas com História", iam provavelmente desaparecer. A primeira foi a Livraria Barata que, até por razões pessoais (moro perto e foi lá que comprei muitos dos meus livros escolares e não só), me causou uma enorme pena ver entrar em declínio. Começou pequenina com um grande livreiro, que passava livros clandestinos por baixo do balcão antes do 25 de Abril, e acabou uma grande livraria da capital numa zona que então tinha o seu charme. A direcção chegou a encarregar-me de editar uma revista nos finais dos anos 1990, para a qual entrevistei várias pessoas, algumas delas hoje sobejamente conhecidas, como Pedro Mexia. Mas a Barata já não andava bem há muito tempo e hoje é uma FNAC, com tudo o que isso possa querer dizer. Já a segunda livraria, a Férin, uma das mais antigas e prestigiadas de Lisboa, que fora comprada em 2016 pelo imparável e insubstituível José Pinho (que infelizmente nos deixou no ano passado), fechou recentemente as portas por tempo indeterminado. Diz-se que é para fazer um inventário profundo que impossibilita manter as portas abertas, mas, dada a sua localização privilegiada em pleno Chiado (e a abertura do enorme Centro Cultural no Bairro Alto que José Pinho já não pôde acompanhar mas já deve dar trabalho de sobra aos herdeiros), teme-se o pior... Curiosamente, em busca de novidades para ler, encontro numa livraria virtual em pré-lançamento dois romances que me trouxeram o assunto sobre o qual hoje escrevo: A Livraria Perdida, de Evie Woods, e A Livraria dos Pequenos Milagres, de Mónica Gutiérrez. Quase me apetece dizer que pode ser que haja um milagre nestas duas livrarias perdidas...

08
Jan24

Crise na ficção portuguesa

Maria do Rosário Pedreira

Ao longo do tempo, tenho sentido que os originais que me chegam anonimamente são cada dia mais fracos e mais pobres em termos de linguagem e imaginação. No final do ano, descobri dois que me agradaram muito, mas são excepções, e a regra tem sido a pura desilusão. É verdade que, quanto mais lemos, mais exigentes nos vamos tornando; mas não sou eu apenas que me queixo disto, porque há pouco tempo Miguel Real escreveu um artigo no JL perguntando-se se a ficção portuguesa não se encontrá realmente em crise e confirmando o que aqui escrevi há tempos (que os vencedores de alguns dos prémios literários mais importantes para a língua portuguesa, como o Saramago, o LeYa ou o Oceanos, têm sido ganhos por autores do Brasil e dos PALOP). Diz ele, entre outras coisas, que a língua portuguesa na Europa está longe de ter a vivacidade que tem noutros países, que os assuntos tratados nos romances portugueses são cada vez mais fúteis, que as nossas narrativas se tornaram insignificantes em termos estéticos e que a receita do modelo saído do 25 de Abril se esgotou. Aposta, mesmo assim, em autores como Ana Margarida de Carvalho, Patrícia Portela, Joana Bértholo e outros, mas afirma que, no geral, os autores actuais «repetem o repetido». Houve muitos que se apressaram a dizer que o próprio Miguel Real é romancista, quiçá acusando o toque; na verdade, quem conhece o autor do artigo sabe que ele nunca se considerou mais do que um «escritor médio» (as palavras são suas) e, por isso, talvez se esteja a incluir sem problemas entre os autores desta ficção em crise. Mas, embora dê razão a Miguel Real pela minha experiência, gostaria de acreditar que a crise é passageira. Só o futuro, porém, o poderá dizer.

05
Jan24

A América auto-suficiente

Maria do Rosário Pedreira

Li no resumo de notícias que todos os dias é enviado para o meu e-mail que, em 2023, houve uma greve histórica na indústria do cinema nos Estados Unidos e que, por causa dela, muitos dos mais aguardados filmes só chegarão às salas de cinema neste ano de 2024. Lembrei-me então de uma outra greve ligada ao cinema norte-americano, esta de argumentistas, ainda nos anos 1990, que durou meses e preocupou muito os grandes estúdios. Nós aqui acompanhávamos o que se passava no mundo em geral (e, portanto, essa notícia vinha à baila frequentemente nos noticiários) mas, claro, o mesmo não acontecia com a maioria dos norte-americanos, cujos conhecimentos se cingiam frequentemente ao que acontecia no seu bairro, na sua cidade ou, quando muito, no seu Estado. Ora, veio nessa altura a Portugal lançar um livro o historiador Daniel Boorstin, professor universitário e então director da Biblioteca do Congresso. Numa noite em que o levámos aos fados, coube-me fazer conversa com Ruth, a sua simpática mulher, e perguntei-lhe se tinham filhos e se algum era historiador como o pai. Ela respondeu-me que tinham dois rapazes, e o académico interveio para dizer que um deles era argumentista em Hollywood, perguntando eu de imediato se aderira à greve. Daniel Boorstin ficou completamente aparvalhado: mas como é que neste cantinho da Europa se sabia de uma greve de argumentistas em Hollywood? Pois é, os países auto-suficientes raramente se interessam pelo que se passa no resto do mundo... Muito interessante, deste autor, é o livro Os Criadores, sobre as mentes geniais e fundadoras em todas as áreas artísticas, incluindo, claro, a literatura. Se ainda o encontrarem, leiam-no, vale mesmo a pena.

04
Jan24

Flores silvestres

Maria do Rosário Pedreira

Os nefelibatas (palavra sublime para falar dos que andam sempre com a cabeça nas nuvens) raramente olham para o chão que pisam. Mas, por acaso, um cientista que dedicou toda a sua vida a estudar as estrelas  (o canadiano recentemente falecido Hubert Reeves) sempre gostou muito de olhar o que crescia no solo dos campos e florestas. Quando veio a Portugal, nos anos 1990, eu trabalhava na editora que o publicava cá (livros como A Hora do Deslumbramento, Um Pouco mais de Azul...) e tive, por isso, a sorte de o acompanhar numa visita à cidade, que incluiu sobretudo um longo périplo pelo Jardim Botânico. Eu tinha um fraquinho não exactamente por plantas, mas pelos seus nomes; e admirava sinceramente quem olhava para um caule ou um botão e sabia logo a que planta pertencia. Hoje, mesmo sendo urbaníssima, sei já qualquer coisa de árvores, mas agora vou ficar também a saber de flores com Hoje Vi Uma Flor Selvagem, do senhor Reeves, que é uma espécie de guia de flores silvestres, dessas em que vale a pena reparar quando as vemos iluminar campos e caminhos: falo, por exemplo, dos jarros, que estão por todo o lado, das azedas, de miosótis ou outras florinhas conhecidas de todos, mas também de espécies com nomes incríveis como «tasneirinha jacobeia», «assobio», «verónica-da-pérsia» ou «pantufas do Menino Jesus», todas acompanhadas por fotografias a cores e de um texto informativo belíssimo. Leiam agora e, na Primavera, divirtam-se a identificar as flores em passeios pela natureza (enquanto as alterações climáticas não derem cabo delas). Grande Hubert Reeves, uma pessoa que fala das coisas com tanto amor que as páginas dos seus livros se viram com imensa rapidez.

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