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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

03
Out13

Longe de casa

Maria do Rosário Pedreira

Toda a vida ouvi dizer que uma boa instrução primária era meio caminho andado para o sucesso escolar nos níveis seguintes. Nos poucos anos em que fui professora, tive uma turma excelente que tinha vindo toda junta da então quarta classe e lamento agora não me lembrar do nome da professora que acompanhara esses alunos, pois ela merecia que a felicitasse aqui publicamente. Há umas duas semanas vi, num Telejornal, uma reportagem sobre quatro professoras do ensino básico que, por fecho de escolas e aumento do número de alunos por turma na sua área de residência – julgo que em Montalegre, Trás-os-Montes –, perderam o lugar que tinham e fazem agora 570 quilómetros todos os dias até à nova escola, revezando-se a conduzir o automóvel e dividindo os gastos com a gasolina. Acordam certamente às quatro da manhã, pois as aulas começam às nove, e têm filhos pequenos que não podem acordar nem levar ao infantário. Quando regressam, só podem dar-lhes o jantar e metê-los na cama, antes de caírem também elas no sono, obviamente exaustas e sem força para mais nada. Se fossem solteiras, talvez considerassem a mudança de casa para o local de trabalho, mas, com as vidas arranjadas há muito, não vêem outra hipótese senão a longa viagem multiplicada por duas (ida e volta). Pergunto-me se estas senhoras conseguirão, nas circunstâncias descritas, ser boas professoras e ter paciência para um ror de crianças barulhentas. Uma delas disse até que estava até a pensar deixar o ensino e fazer outra coisa – e interrogo-me também se não é isto mesmo que querem que faça, com tanto professor à espera de colocação… Os miúdos ainda hão-de pagar a factura destas deslocações. Com IVA, claro.

5 comentários

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    António Luiz Pacheco 03.10.2013

    Com o devido respeito, honra é um valor!
    Pelo menos para mim... e significa o cúmulo de uma série de outros valores.
    Na minha terra as pessoas dividem-se justamente em "honradas" e "sem honra". O ribatejano preza muito a sua honra e a dos seus.
    Não aceito que seja restringida ao código mlitar, e se calhar pela sua perda (do valor honra) a nossa sociedade tem evoluído para a falta dela...

    Não entenda isto como sendo um remoque, Extraordinário Víctor, ou ofensa que de modo algum deve ser entendido como tal, apenas como uma diferença na interpretação do termo e dos valores que representa!

    Um abraço, com toda a consideração, daquele que gostaria de ser lembrado como homem de honra!
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    Vítor Ferreira 03.10.2013

    À palavra dada não se retira uma letra.

    E não... Não estou sequer a dizer que eu estou certo e o caríssimo António Luiz Pacheco está errado.

    Se a
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    Vítor Ferreira 03.10.2013

    À palavra dada não se retira uma letra.

    E não... Não estou sequer a dizer que eu estou certo e o caríssimo António Luiz Pacheco está errado.

    Se as expressões: "a palavra dada", "Homem de palavra" ou "respeito próprio" definirem "Honra", então concordo consigo.

    Mas se a "honra" servir para colocar alguém num pedestal acima de outros, aí já não gosto desse conceito.

    Por isso, contínuo a dizer que a "Dignidade", pelo respeito que impõe aos outros e a nós próprios, está acima de qualquer ideal bacoco de "honra".

    Estaremos mesmo a discordar na questão, ou a discutir semântica?

    P.S. A primeira resposta à seu comentário foi um erro... pressionei sem querer no Enter.

    Abraços para si, António Luiz Pacheco
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    António Luiz Pacheco 03.10.2013

    Se as expressões: "a palavra dada", "Homem de palavra" ou "respeito próprio" definirem "Honra", então concordo consigo.

    É isso mesmo! Acrescente também respeitar a propriedade e a pessoa alheia.
    Estamos então de acordo!

    O meu pai ficava danado com esta:

    A diferença entre civil e miltar? O civil pode ser militarizado... ahahah!

    Um abraço!
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