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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

28
Fev25

Com história

Maria do Rosário Pedreira

Acabo a semana com um post preguiçoso, que interessará apenas aos lisboetas: a nossa Livraria Buchholz, tantas vezes votada como Livraria Preferida dos portugueses numa iniciativa da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, tornou-se uma «Loja com História». Além, claro, de todas as semanas ser palco de numerosas histórias (as dos livros que vende e lança, as dos podcasts ali gravados, as dos clubes de leitura incrivelmente concorridos), agora a Buchholz tem também o selo da História com H maiúsculo. A distinção, que é atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa a estabelecimentos comerciais de todos os tipos (tenho na minha rua uma drogaria que também foi distinguida com o mesmo selo), reconhece a relevância do espaço cultural e a sua preservação ao longo do tempo (ainda lá está o cadeirão de Snu Abecassis, fundadora das Publicações Dom Quixote). A livraria deve o seu nome ao fundador Karl Buchholz, um judeu alemão que abriu o negócio em 1943 quando se refugiou em Lisboa, inicialmente na Avenida da Liberdade e só nos anos sessenta na Rua Duque de Palmela. No início, era livraria, galeria e discoteca (não para dançar, mas para vender discos) e já passou por várias fases (quando eu andava na faculdade era uma desarrumação completa!), mas hoje está linda de morrer e viva como nunca! Tem o melhor pessoal que há, faltou dizer. Visitem-na e comprem lá livros!

27
Fev25

Verosímil e consistente

Maria do Rosário Pedreira

Temos de acreditar no que estamos a ler, ou não conseguiremos prosseguir até ao final do livro. Quando leio um bom romance, consigo visualizar as cenas, ponho rostos nas personagens, vejo-as dentro da minha cabeça a partir dos dados que o narrador me oferece, assisto aos seus gestos, às suas acções, elas estão vivas para mim. É isto, aliás, que os escritores consagrados referem quando dizem que ler lhes permitiu ser outras pessoas e que, depois, escrever foi frequentemente serem outros sem deixarem de ser quem são. Nos últimos tempos, porém, leio muitos originais em língua portuguesa em que não consigo acreditar, mesmo que por vezes os seus autores me digam que aquelas histórias aconteceram na realidade. É como se estivessem a dizer-me o que as personagens fizeram, sem eu, mesmo assim, as ver fazer nada; é como se as personagens começassem por ser descritas como irascíveis quando, ao longo de todo o enredo, têm a maior paciência do mundo e nunca se alteram. Tão-pouco consigo desenhá-las na minha mente, não têm rosto, são de papel, meras duas dimensões, caricaturas, arquétipos, nada mais. Como acreditar então nestas histórias, se nem as visualizo nem me convencem? E algumas até já estão publicadas... Penso que a verosimilhança e a consistência são dois dos mais importantes requisitos na ficção: mesmo para os autores que inventaram universos, como na boa ficção científica ou em Macondo, de Cem Anos de Solidão, quem não acredita naquilo tudo? Se querem escrever, leiam primeiro os grandes autores e aprendam com eles.

26
Fev25

Mês da poesia

Maria do Rosário Pedreira

Vem aí o mês da poesia, sim, o mês da Primavera é o dos versos, e mais lá para a frente falar-vos-ei do que se vai passar na festa do Dia Mundial da Poesia no CCB, no sábado 22 de Março, pois fui convidada com a poeta Filipa Leal para organizar a programação poética desse dia. Mas agora é para dizer que, ao longo de todo o mês de Março, haverá muita coisa a acontecer em torno deste género literário tão especial pelo país; e vou começar pelo Teatro Municipal de S. Luiz, onde, já no dia 6, se vai comemorar o nosso Fernando Pessoa com a estreia de um espectáculo de Robert Wilson chamado Pessoa: Since I've been me que, segundo o teatro, é «uma abordagem visual única, que evoca a multiplicidade dos seus heterónimos e a fluidez entre humor, reflexão e imaginação poética». No dia 9, haverá, de resto, uma conversa sobre o espectáculo e o poeta às 17h00 com o programador Miguel Loureiro, a actriz Maria de Medeiros e Flávio Penteado, especialista na obra de Pessoa. Nos mesmos dias do espectáculo (6 a 8), no Quisoque Fauna e Flora, o teatro oferece «poemacetamol» para «todas as maleitas/patologias e aflições do coração e da vida» com a Pharmacia Poética e as Consultas Poéticas que, só pelo nome, já geram uma enorme curiosidade. Temos de ir lá todos pedir remédios poéticos que nos alegrem!

 

25
Fev25

Uma história divertida

Maria do Rosário Pedreira

Nesta edição das Correntes d'Escritas, foi inaugurada na Biblioteca da Póvoa de Varzim, hoje dirigida por Lurdes Adriano, uma exposição de Daniel Mordzinsky chamada Mundo Sepúlveda e dedicada ao escritor que morreu de COVID em 2020 (e que é muito apreciado pelo pessoal da Póvoa de Varzim por ter sido um dos primeiros convidados do encontro e ter voltado lá muitas vezes). Uma das fotografias dessa exposição é uma casa no meio da selva (com Sepúlveda num terraço), creio que na Colômbia ou na Venezuela, perto do lugar  onde tinham sido rodadas cenas do filme O Velho Que Lia Romances de Amor, baseado no romance homónimo do autor chileno. Muitos anos depois dessas filmagens, o escritor tentou regressar ao sítio das filmagens, mas a selva já tinha engolido tudo. No entanto, apareceu de repente do meio do nada um jipe com uma senhora francesa que quis saber o que fazia ali um grupo de pessoas vindas da cidade, e eles explicaram-lhe ao que iam. Ela levou-os ao local (já nada sobrava, claro) e depois convidou-os para tomarem um chá na sua casa (a da fotografia), também no meio do nada e com redes a toda a volta para proteger os habitantes das feras. Quando Sepúlveda lhe perguntou por que diabo se instalara ali uma senhora francesa, ela respondeu que, em tempos, tinha visto um filme chamado O Velho Que Lia Romances de Amor e se tinha apaixonado pelo sítio, onde comprara um terreno e mandara construir aquela casa; mas que o cinema era muito mentiroso, porque na verdade aquilo não tinha nada que ver com o idílio do filme... Sepúlveda contou-lhe então quem era.

24
Fev25

A cantora que também escreve romances

Maria do Rosário Pedreira

Amanhã, no Goethe Institut de Lisboa, vamos ter o lançamento público do primeiro romance de Luísa Sobral, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé. A cantora escreve outras coisas além de canções, e ainda bem que começou comigo (espero que continue comigo também). Esta é a história de duas mulheres separadas pelas circunstâncias mas unidas pela desilusão e pelos cinquenta anos mais tristes da história da Alemanha. Emmi, que nasceu pouco antes de Hitler ascender ao poder, conhece Markus, um homem de Berlim Leste que lhe escreve cartas maravilhosas e por quem se apaixona perdidamente. Apesar de a mãe torcer o nariz ao seu casamento num momento em que a Guerra Fria está ao rubro, a irmã apoia-a, e Emmi acaba por ir viver com Mischa para a RDA. Inicialmente, tudo corre bem, mas, depois de o Muro de Berlim ser erguido, a separação da família e a chegada de uma carta anónima deixam-na na mais profunda depressão. Por seu turno, M. nasce após a divisão da Alemanha e é o fruto perfeito do socialismo: com uma mãe ausente, e educada por uma ama que adora plantas, idolatra o pai, desconhecendo por completo o mundo ocidental e crescendo ao sabor de uma realidade distorcida. Até que um dia, ao ouvir o testemunho chocante de uma rapariga, descobre que, afinal, não é só o Muro que tem um outro lado. Vale muito a pena ler esta estreia fulgurante de Luísa Sobral. A apresentação amanhã vai estar a cargo de Mariana Alvim, que também gosta muito de livros. Não perca!

Convite Luisa Sobral Lisboa (002).jpeg

 

18
Fev25

Correntes d'Escritas

Maria do Rosário Pedreira

Mais logo irei para as Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, onde ficarei até ao final, acompanhando vários autores que publico e foram convidados para esta edição do encontro mais ibérico de Portugal e arredores: Luísa Sobral, que acaba de publicar o seu primeiro romance (Nem Todas as Árvores Morrem de Pé); o venezuelano Rodrigo Blanco Calderón, autor de Simpatia, nomeado para o Booker Prize Internacional; David Machado, autor de literatura para todas as idades, que publicou recentemente o romance Os Dias do Ruído, que é mesmo para ler por todos quantos se preocupam com a dependência dos jovens dos dispositivos digitais e das redes sociais; Nicolau Santos, de quem publiquei no final do ano passado Amarelo Tango, um livro sobre o que foi viver em Angola antes e depois da independência; e finalmente José Carlos Barros, um dos meus poetas de eleição e de quem publiquei uma magnífica antologia chamada Taludes Instáveis e dois romances, um dos quais venceu o Prémio LeYa. Talvez vos encontre por lá nos próximos dias, mas aqui só regressarei na segunda-feira e depois contarei como foi e que surpresas houve. Espero que fiquem bem.

17
Fev25

Bons ventos da Irlanda

Maria do Rosário Pedreira

Eu sabia que na Irlanda a literatura era boa e estimada (há um Museu do Escritor em Dublin, por exemplo, e já houve quatro irlandeses galardoados com o Prémio Nobel de Literatura: Seamus Heaney, Samuel Beckett, Bernard Shaw e o meu adorado Yeats); o que não sabia era que tinham sido os monges irlandeses a permitir que hoje se leia um texto sem qualquer dificuldade, com as palavras separadas e com sinais de pontuação. Nos manuscritos gregos e latinos, as páginas tinham um aspecto compacto porque o texto estava inscrito, regra geral, em rectângulos, com as palavras todas juntas, sem espaço entre elas nem diferença entre minúsculas e maiúsculas, ou seja, numa escrita contínua. Só as margens eram brancas, e o sentido só se ganhava na leitura em voz alta, pois era então que o leitor acrescentava a entoação (pausas, exclamações, etc.) que ajudava a compreender. Foi então que no século VII, os tais monges irlandeses (que tinham dificuldade em ler latim, a língua da liturgia) reformaram a escrita, separando as palavras e acrescentando sinais entre as orações para tornar tudo mais claro, invenções celtas que durante muito tempo só existiram nos textos anglo-saxónicos. Carlos Magno, ao fazer reformas na Educação, inventa então as capitulares e começa a usar sinais de pontuação que se parecem com notas de música. Nasce o ponto de interrogação, por exemplo, mas as palavras ainda aparecem todas juntas em blocos e colunas ou com espaços entre sílabas irregulares. Só com a chegada dos tratados científicos árabes as traduções começam a separar as palavras e, no século XII, já toda a Europa o faz, marcando ainda as pausas com um ponto. Só no século XV haverá parênteses e pontos de exclamação. Mas se não fossem os irlandeses...

14
Fev25

Excerto da Quinzena

Maria do Rosário Pedreira

De onde eu venho não há flores selvagens nem pessoas selvagens. De onde eu venho não se podia crescer demasiado nem ser demasiado.

Lá até o sol é cinzento e os jardins são apenas espaços verdes. Não têm vida nem vontade própria, são aquilo que devem ser. Cumprem um propósito.

O Muro de Berlim nasceu e dois anos depois nasci eu. Fui muito desejada até ao dia em que me materializei. Depois, para a minha mãe, passei eu mesma a ser um espaço verde.

A minha primeira memória de infância é com a Mavie. Não sei se ela usava sempre o mesmo vestido amarelo às riscas brancas, ou branco às riscas amarelas, mas nas minhas memórias é sempre assim que a vejo. Estávamos as duas descalças no jardim e a brincadeira era a minha favorita: molhar a terra com o regador e saltar em cima das poças até o seu vestido amarelo e branco ficar coberto de pintas castanhas e a lama nos salpicar o cabelo e as pestanas. Aí, já cansadas de tanto rir, deitávamo-nos na relva e ficávamos a observar a dança das folhas nas árvores altas.

A Mavie era uma magnólia estrelada. Era alta, bonita e estava sempre perfumada. Tinha o cabelo de um amarelo quase branco e era muito fininha, quase transparente. Parecia tão leve que às vezes, quando o vento soprava com mais força, eu prendia as suas mãos nas minhas para que ela não levantasse voo. […]

A Mavie sabia o nome de todas as flores e dizia que cada uma delas tinha um poder mágico. «A violeta trata a melancolia, a língua-de-ovelha ajuda a sarar as feridas, a erva-de-são-joão contribui para o tratamento da depressão.» Eu achava tudo tão fascinante que às vezes ia ao jardim sozinha, quando a Mavie estava entretida com outros afazeres, só para recapitular a matéria e ter a certeza de que não confundia as plantas e as suas respetivas magias. «A violeta trata a melancolia, a língua-de-ovelha ajuda a sarar as feridas, a erva-de-são-joão contribui para o tratamento da depressão.»

Aos seis anos fui para a escola e nunca mais vi a Mavie. Por vezes os meus sonhos enchiam-se de flores e ela também lá estava, com o seu vestido amarelo e branco à espera de ser salpicado.

 

Luísa Sobral, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé

13
Fev25

Os cães de Caracas

Maria do Rosário Pedreira

Ulises mora em Caracas no apartamento da mulher e dá aulas num workshop de cinema, mas tem cada vez menos alunos. Paulina – que nunca quis filhos e tampouco lhe permitiu ter um cão – decidiu ir-se embora do país... e não o levar. Mas, quando tudo começava a desmoronar-se na vida de Ulises, Nadine, uma paixão antiga, regressa à Venezuela; e, por outro lado, o sogro – o General Martín Ayala, que em tempos foi próximo de Hugo Chávez – deixa-lhe em testamento o enorme casarão da família, sabendo que só Ulises será capaz de pôr de pé nesse edifício uma fundação que acolha, trate, alimente e, se necessário, dê até sepultura a todos os cães abandonados de Caracas. A Paulina e ao irmão gémeo, curiosamente, não deixa nada... Entre as intrigas terríveis de Paulina e os lençóis da enigmática e volátil Nadine, Ulises será o cão vadio que recebe os restos da simpatia dos demais. Com um refinado sentido de humor e uma mestria narrativa difícil de encontrar, Rodrigo Blanco Calderón, que para a semana virá às Correntes d'Escritas, oferece-nos um romance tragicómico e grotesco sobre cães, amor, cinema, herança e identidade – e reflecte de forma bastante irreverente sobre o chavismo e as míticas figuras do Libertador Simon Bolívar e... do seu cão. Magistral.

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12
Fev25

Os intelectuais

Maria do Rosário Pedreira

Um dia destes encontrei uns apontamentos tirados durante uma conferência de Viritato Soromenho Marques em São Miguel a que tive o prazer de assistir em Dezembro passado. Tratava do papel dos intelectuais em tempos sombrios como os que vivemos, e apontei num caderno alguns requisitos para se ser intelectual, até porque me parece que há muitos que o não são mas que a maioria considera assim. Entre essa lista de características estavam possuir conhecimentos vastos, ter sentido de justiça e respeito pela verdade, bem como coragem para assumir posições que se calhar não agradam maioritariamente ao público; assumir a responsabilidade pelas consequências sociais dos seus actos, ter espírito crítico e exercer poder de influência; e, por fim, possuir uma ideia do tempo e do espaço em que se vive. Para Umberto Eco, porém, o intelectual está mais relacionado com quem «produz novos conhecimentos através da criatividade», explicando que um professor de Filosofia que repete, ano após ano, a mesma aula sobre Platão é menos intelectual do que o agricultor que encontra uma nova forma de enxertar macieiras e contribui para uma mudança de processo que benefiará a sociedade e o futuro. E acrescenta: alguém que tem «a habilidade de questionar, analisar e reinventar aquilo que fazemos [...] Essa é a única régua capaz de medir a atividade intelectual». Para mim, têm os dois razão, mas penso que temos cada vez menos intelectuais ao leme dos nossos países, ou estarei enganada?

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