O que ando a ler
Já falei aqui de certezinha absoluta do livro As Malditas, de Camila Sosa Villada, uma autora argentina travesti (a palavra é da própria) que deu recentemente uma entrevista ao Público e cujo romance de estreia (em espanhol Las Malas) é absolutamente imperdível e trata da vida de um grupo de travestis que se prostituem numa espécie de Bois de Boulogne. Este novo romance (Tese sobre Uma Domesticação) não é tão bom (era difícil, claro), mas vale a pena ser lido. Fala de uma actriz (hoje dizemos «trans», embora a autora continue a preferir «travesti») que se casa com um advogado homossexual (que nem percebe bem porque se apaixonou por ela e que tem os seus casos com homens de vez em quando); juntos, resolvem adoptar um menino de dez anos seropositivo, que desenha muito bem, mas a actriz tem dificuldades em manter uma vida familiar calma e normal, até porque o seu modelo de casamento (mãe e pai divorciados e um tanto brutos) não é o melhor e também porque está acostumada a uma vida bastante licenciosa e não resiste a uma queca extramatrimonial, seja com o encenador, seja com o carpinteiro que também não desdenha a mãe dela (há muito sexo neste livro, aviso). Veremos no que dá, neste momento estou a caminho de um fim-de-semana em família (com pais e meio irmão) que não me parece que vá acabar bem.

