O que ando a ler
Antes que me esqueça, hoje às 18h30 faremos o lançamento em Lisboa de O Último Avô, de Afonso Reis Cabral, na Casa do Jardim da Estrela. O convite, de resto, vai abaixo, e espero que apareçam por lá. Mas hoje é também dia de falarmos sobre o que andamos a ler e de um livro sobre o qual tinha bastantes expectativas, porque foi o escolhido pelos estudantes universitários portugueses como favorito entre os finalistas do Prémio Goncourt de 2024. Trata-se de Jacarandá, de Gaël Faye, e conta a experiência de um jovem, filho de pai francês e mãe ruandesa, ao longo da adolescência e dos primeiros anos da idade adulta. Ele, que nunca ouvira falar do genocídio do Ruanda, recebe na sua casa dos arredores de Paris um menino de 12 anos ruandês, que fica a saber ser seu tio e ter perdido toda a família nos massacres. Tornam-se quase irmãos, e visitá-lo-á com a mãe uns anos mais tarde para aprender, afinal, tudo o que não sabia sobre a família materna e sobre os horrores perpetrados no ano de 1994 durante cem dias em que a maioria hutu liquidou quase um milhão de tútsis, etnia a que pertencem os seus parentes. Livro interessante do ponto de vista histórico e muito elucidativo sobre este facto concreto, em termos literários não é especialmente rico e tem um estilo bastante seco. O jacarandá de que fala o título é a árvore sob a qual os quatro primos do narrador foram enterrados e à qual a irmã deles, Stella, nascida muitos anos mais tarde, gosta de subir em jeito de homenagem. Vale a pena sobretudo pela informação.


