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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

02
Dez13

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Infelizmente, este último mês foi de muito trabalho burocrático, de planos e orçamentos, e não li tanta coisa como planeava, especialmente fora da editora, que é quando ler não é obrigação. Mas quero chamar a atenção para um romance de um ainda jovem autor, Bruno Vieira Amaral, que estou a terminar por estes dias. Chama-se As Primeiras Coisas e tem a particularidade de construir um universo bastante original, o Bairro Amélia, conglomerado de habitações precárias na margem sul onde vivem (não tão harmoniosamente como seria desejável) ciganos, retornados, traficantes de droga, abortadeiras, aspirantes a grandes craques de futebol, assassinos, velhinhas, testemunhas de Jeová e muita outra gente. O narrador (cujo nome sabemos a páginas tantas, quando uma personagem o interpela, ser Bruno, como o autor) regressa ao Bairro Amélia ao fim de uns quantos anos de afastamento, por causa do divórcio e da perda do emprego, e instala-se em casa da mãe. E, embora não pareça reconhecer nesses primeiros dias muito do seu passado, arranjará maneira de, com a ajuda de um dos seus contemporâneos que nunca dali saiu, recuperar um catálogo de figuras mortas e vivas que fizeram a história do Bairro Amélia ao longo de anos. Mas, se ao princípio tememos ter apenas uma lista de personagens pela frente – descritas cada uma por sua vez em ficha individual –, a verdade é que o autor sabe cruzar as suas vidas como ninguém, e às vezes apenas através de pormenores aparentemente insignificantes, oferecendo-nos uma panóplia inteligente de vítimas e bandidos, todos sem excepção amaldiçoados pelo «enguiço» de lhes ter calhado morar no Bairro Amélia. O narrador e a sua família não são, de resto, excepção – e muito haveria a dizer sobre esta matéria, mas é preciso ler o livro. De salientar, é também a capacidade de Bruno Vieira Amaral para descrever ambientes e repescar marcas e objectos que, não sendo do seu tempo, integra com enorme sabedoria nos seus cenários.

14 comentários

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    António Luiz Pacheco 02.12.2013

    Hómessa... conte lá!
    Qual o título?
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    Fernando 02.12.2013

    "A Mulher que Sabia Tudo". É o meu primeiro livro policial. É o meu 56º livro - um deles na LeYa, de outro âmbito - e o primeiro na já conhecida "Chiado".
    Se a Rosário não se importa com o atrevimento na exposição do "link", o António Luiz pode ler mais em
    http://romances-policiais.blogspot.pt/
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    jose-catarino 02.12.2013

    Estou atónito! 56 livros! Invejo a sua capacidade de trabalho. Desejo sucesso, tanto para o livro que aí vem como para os irmãos mais velhos.
    Estou a ler Ana Karenine. Um dos raros de Tolstoi que, por desencontros, ainda não li. Vai dar para muitos serões desta época invernal.
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    Fernando 02.12.2013

    Agradeço-lhe as suas palavras, José-Catarino.
    De facto, são livros que editei por mim (18, esgotados, apenas disponível ao público um que está a findar a 4ª edição) e o resto através de diversas editoras, inclusive a Impala, onde foram reunidos 22 (de duas centenas) dos meus trabalhos para uma das revistas do grupo.
    É claro que não são livros apenas de ficção romanceada: há história, etnografia, monografias, banda desenhada (álbuns completos), biografias e conto.
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    António Luiz Pacheco 03.12.2013

    Etnografia e monografias?
    Sobre que regiões Caro e Extraordinário Fernando, é que me interesso muito por etnografia.

    Um abraço
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    Fernando 03.12.2013

    Caro António Luiz

    Da região interior beirã. Tenho alguns livros publicados sobre crendices e superstições, linguagem popular, costumes.
    Quantos às monografias: duas de dois concelhos e outra de uma freguesia.
    Uma das monografias, com 540 páginas e cartonada, foi a primeira do concelho (citarei o nome, se necessário), tendo efectivamente a minha pesquisa na Torre do Tombo e nos arquivos municipais, feito com que fosse alterado o feriado municipal.
    Reservo sempre alguns (poucos) exemplares. Se me indicar para onde, envio-lhe um livro dos que publiquei sobre estudos e investigações etnográficas. Alguns dos assuntos, foram levados ao Independente e à respectiva revista, bem como à Notícias Magazine, onde colaborei.
    Um aparte: dediquei-me à caricatura e fui, durante cinco anos, o cartunista de um semanário.

    Um abraço
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    António Luiz Pacheco 03.12.2013

    Interessantíssima essa região... das Terras do Demo? A Beira interior é agreste e dura.
    De gente boa mas muito dura, como dura é a terra, a cheirar a salteadores e contrabandistas, lobos e vendavais!
    Tenho algumas obras sobre a região e sobre os temas, das crendices e tradições.
    Era terreno de caça de Mestre Aquilino, e muito escreveu sobre a região também Brito Camacho.
    Suponho que os Brandões e o Ferreiro da Várzea ainda por aí assombrem...
    A minha gente estabeleceu-se posteriormente no Douro, mas foram senhores de Ferreira de Aves e de Celorico da Beira, talvez por isso haja em mim uma qualquer nostalgia, quem sabe...

    A minha morada - Quinta de Stº António do Graínho, 14, Rua de Santo António 2005-020 Santarém.
    Melhor mandar para minha mulher... posso não estar e ela assim levanta-o nos CTT, Maria Fernanda Pacheco, curiosamente ela é de Ferreira de Aves - Sátão!

    Um abraço!

    PS - Alargo-me na conversa porque os nossos Extraordinários já por aqui não devem passar, eheheh! Não os quero maçar...
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    Fernando 03.12.2013

    Vai seguir a encomenda.
    Ferreira de Aves, Linhares e Trancoso participaram numa das mais interessantes batalhas da guerra da sucessão (crise 1383-1385), trabalho que eu já realizei e foi publicado. O nome e apelido do alcaide de Ferreira de Aves, que foi decisivo na organização e no entendimento que conduziu à vitória de São Marcos, precedente de Aljubarrota, era, então - João Fernandes PACHECO. E esta, António Luiz?
    Sendo assim, também lhe posso dizer que a monografia citada foi para o concelho vizinho do Sátão - Aguiar da Beira.

    Em Santarém, que foi sede da ATAM, participei como um dos oradores no 1º Encontro Nacional dos Boletins Municipais. Ora, qual havia de ser o tema? Pesquisas etnográficas e o seu contributo para as publicações regionais. Era então secretário da Câmara Vieira Dias e o presidente qualquer coisa Botas.
    Foi publicado um livro sobre as intervenções, mormente a minha, que foi longa. Mas esse não conta no meu "palmarés".

    Tomámos o blog da Rosaário de assalto. Espero que ela não se incomode, paesar de ser muito tolerante...

    Abraço
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    António Luiz Pacheco 03.12.2013

    Sim... mas como é um post já atrasado acho que nem ela se importa e nem ninguém dará por isso... salvo o Severino que tem o hábito de vir espreitar os atrasados, eheheh!

    Pacheco é uma família muito antiga, que veio da Galiza para a reconquista Cristã. Aliás Pacheco significa "que veio de Espanha". Fixaram-se sobretudo no Douro, onde até à geração do meu avô ainda havia vários ramos e ainda subsistem quintas que foram da família, mas já não são... as últimas foram o Pego e a do Espinheiro das Arreigadas, do meu avô que hoje é de meu primo direito (de apelido Lobato de Faria) e as do Panascal, Corte e Casa Cimeira que eram de um primo de meu avô, António Pacheco, padrinho de minha irmã mais velha e que ,orreu sem descendência. A Casa Cimeira é um ex-libris da região e um exemplo arquitectónico da época. Os Pacheco estenderam-se pelas Beiras e até Zafra, onde havia um ramo espanhol.

    O presidente da Câmara de que fala era Ladislau Teles Botas, um ilustre scalabitano. Talvez conheça o "José Varzeano", outro ilustre scalabitano que vive reformado no Algarve e se tem dedicado ao estudo da etnografia, com diversas monografias sobre o Ribatejo e Algarve, publicadas?

    Particularmente interessante acho a saga dos serranos que vinham trabalhar para o Ribatejo! Dedico-lhes uma passagem no meu romancezeco, de cariz rural e passado no séc. XIX. Ainda convivi com muitos ranchos desta "malta" e sempre tive um especial fascínio e carinho por eles-
    Se tiver tempo e paciência vou passá-la aqui !

    Um abraço

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    António Luiz Pacheco 03.12.2013

    Era o tempo das ceifas e ele encontrou o campo no seu pleno com os ranchos de ratinhos e serranos, jornaleiros vindos das terras pobres da Região Centro e Beiras para fazer campanhas inteiras no Ribatejo enquanto durasse a época dos trabalhos de monda e das colheitas, para as ceifas e o trabalho das eiras: - Ceifar, juntar e atar molhos, carrear para a eira nos carros de bois, onde eram amontoados com saber na cagula, uma espécie de pirâmide imensa e alta. Depois havia a debulha, feita com trilhos puxados por animais ou malhando a braços, havia que limpar o cereal na tarara e joeirando com pás de madeira (em dias de vento) ou nas joeiras, grandes crivos com duas pegas manejados por dois homens; o grão ensacado para venda ou guardado nas tulhas para ser posteriormente semeado ou para consumo da casa, e, finalmente arrecadar a palha. Fazia-se a colheita do milho, de tudo o mais esperado pois todas as noites após a ceia se reunia o pessoal dos ranchos e os da terra em animadas sessões, as descamisadas que eram afinal grandes reuniões sociais e pretexto para cantares, desgarradas, ditos e histórias, graçolas e brejeirices a favorecer namoricos, uma autêntica festa. Os tocadores marcavam presença e eram pagos pelos donos da seara que se descamisava, que forneciam também a “pinga” que se bebia. Dançavam-se modas e bailes, fossem das Beiras ou do Ribatejo por improvisados tocadores dos mais espantosos instrumentos, da cana à bilha, passando por violas e concertinas que tinham lugar importante nos ranchos e apesar da dureza do trabalho sempre tinham à mão os seus instrumentos! O fandango impunha-se, dança onde dois galos de luta se enfrentavam num jogo de pés e pernas, a par de outras bálhações que eram a única oportunidade de os pares de namorados se encararem e tocarem com decência, se bem que depois pelas medas de feno e nas bordas das ribeiras sob a cortina dos salgueiros chorões, ninguém soubesse e muita coisa acontecesse nas noites cálidas do Verão, procriador e generoso… As maçarocas eram arrecadadas nas tulhas para se irem descarolando e usando à medida das precisões.
    Os ranchos que normalmente regressavam todos os anos aos mesmos patrões, em grupo que viajava a pé, eram contratados de palavra, ajustada a soldada no que se chamava molhadura pois se fechava com uma boa pinga de vinho ou água-pé. Estes ranchos de homens e mulheres ficavam alojados nas casas da malta onde as havia, com cozinha ou lareira e até forno de pão, onde havia loiça, lenha e sal à disposição, mais os enxergões, colchões feitos de molhos de palha de bunho. Mas também ficavam em telheiros ou simples barracas de canas. Muitas vezes dormiam no campo, debaixo das árvores e ao lado da seara. Mourejavam de Sol a Sol ao som do búzio ou buzina tocado pelos capatazes, fazendo parte do contrato fornecer a comedoria, composta básicamente de azeite e legumes secos, numa dada quantidade por semana, sendo 1 ração para os homens e meia para as mulheres, podiam juntar-se a isto batatas, água-pé e toicinho salgado ou o que calhasse, que na quinta da Rebela eram bem tratados e nunca faltavam… já o Bola de Sebo via-se e desejava-se para arranjar quem trabalhasse e ficava sempre com os mais miseráveis, fracos e vadios. O galante Manel Maria, feitor, afagando os matacões das patilhas, avaliando a olho as cachopas que já conhecia ou as novas. Perguntava-se por fulano que não veio, “morreu de febres”, a resposta invariável, outras vezes por ter ido para a tropa. Fulana não viera, calhava estar velha ou doente e até para parir mas vinha uma filha, a irmã mais nova ou outra substituta, no que era uma espécie de aval. Algumas vinham grávidas e não poucas vezes davam à luz no campo! (continua)
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    António Luiz Pacheco 03.12.2013

    (continuação)
    Numa época pouco mais que medieva, o atraso e a pobreza eram grandes e esta prática era fundamental quer para a sobrevivência do povo quer para a agricultura, sendo a força de trabalho! Os ranchos eram compostos de gente que se conhecia, arregimentados naturalmente pelas aldeias, combinando-se entre si, fazendo esta migração sempre com os mesmos destinos, ano após ano e por gerações, substituindo-se entre eles internamente com o acordo e sob a ordem do mandador que era aceite por todos e quem os juntava, organizava e comandava a marcha. Havia quem o fizesse individualmente mas as grandes casas agrícolas preferiam os ranchos que eventualmente completavam com algum indivíduo isolado, todavia desconfiando destes. O trabalho mais duro era o do arroz, a sementeira e rebaixa, lá para as terras do campo. Ali no bairro faziam as ceifas dos cereais ou dos legumes secos e as debulhas, depois as vindimas, outras colheitas eventuais como maçãs, peras, cereja, figos, alperces e os marmelos, e finalmente a apanha da azeitona, regressando ás suas terras onde sobreviviam como podiam até ao ano seguinte. Eventualmente ficava um ou outro por ali, acertado para determinado trabalho em que se ajeitava, até por casamento, e as raparigas por vezes, sendo mais jeitosas para o trabalho de casa “a servir”, o que era a sorte grande!
    E foi assim até pelo menos meados do século XX, quebrada pela mecanização da agricultura, uma tradição que teve continuidade na emigração para a reconstrução da Europa destruída pela IIª Guerra e que foi reerguida pelos braços dos Portugueses, sempre pressionados a procurar trabalho fora das suas terras! Esforçada e heróica gente que nunca teve por si nem à sua altura os políticos que ainda hoje não merecem a capacidade de sacrifício de um povo que apenas tem o defeito de não se saber governar, o que tem como corolário a perpetuação dos maus governantes, que aliás nunca gostaram do seu povo… sempre apostados em copiar modelos das Franças da sua imaginação e dos países do Norte da Europa que têm tanto a ver connosco quanto o seu céu nublado com a limpidez do nosso!
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    Fernando 03.12.2013

    É o verdadeiro retrato do tempo que não vai longe, das vivências e dos costumes, embebido num quadro de ficção.
    É isto a Literatura - o retrato escrito do que se vê, do que se viu ou até do que se antevê. E é esta Literatura que presta um serviço de registo para o futuro - um registo histórico e um registo etnográfico.
    Muito bem escrito, é uma gesta de humanidade e de trabalho, sacrifício e valor humano.
    Não fazia mal aos companheiros Extraordinários regressarem até este post e lerem; ou, para corresponderem ao seu manifestado desejo de boa Literatura, adquirirem esta sua obra.

    Muito obrigado António Luiz.
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    António Luiz Pacheco 05.12.2013

    Caro Amigo Extraordinário:

    O meu pretencioso romance, digo pretencioso pelo atrevimento em o escrever e publicar, é ainda presumido por mim como "de fundo histórico" pois se apoia e baseia na nossa história do século XIX, pelo qual tenho grande fascínio: foi o nosso passado recente e há muitas memórias vivas como ainda conheci testemunhos. Além disso foi um século de grandes realizações, na aventura das descobertas, com a colonização dos territórios da África e Américas, outro tema que muito me apaixona. Sinto que nasci com 100 anos de atraso.
    Mas sobretudo, através dele pretendo prestar uma homenagem à nossa gente, anónima e generosa que se espalhou pelas partidas do Mundo e que são ignorados (parece que só houve a época quinhentista...) sistemáticamente, a despeito de terem escrito páginas da história Mundial. Ignora-se por exemplo o imenso contributo dado pelos portugueses na América, onde existem nomes na epopeia do Oeste!
    Foi essa a minha pretensão e por ela, durante mais de 30 anos, juntei dados e armazenei informação, para depois me dedicar um ano inteiro só à sua reunião e à escrita do tal romance...
    Entre outros aspectos, tem muitos dados etnográficos, quer sobre a região do Ribatejo, Alentejo, Beiras e Trás-os-Montes, mas também da Índia (Goa) de África (Cuvales, San, Ambó e Ganguelas) e dos USA, tanto na Califórnia como no Wyoming, com recurso à história da colonização, das guerras índias, do imaginário do Oeste, das caravanas, e em particular da presença e acção dos portugueses!
    Pretendo que fiquem reunidas essas práticas, atividades e factos. Pena nunca ter conseguido atrair a atenção de uma editora a sério que pudesse ajudar à sua divulgação, pois creio que teria leitores. Muitos conhecidos meus, pessoas da área da história, história militar, etnografia, foram que melhor o recebeu, exatamente pelo que reúno de dados históricos e etnográficos que consegui relacionar e interligar.

    SE, me der o seu contacto terei o maior gosto em retribuir a sua gentil oferta, e assim faremos uma troca... o meu mail particular é: alpacheco.quinta@iol.pt

    Um abraço!
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