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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Dez13

O escritor debaixo de olho

Maria do Rosário Pedreira

Com tudo o que se está a passar actualmente em Portugal – escutas telefónicas, apelo à queixinha, dispensa de jornalistas que falam do que as administrações não querem (normalmente por causa de assuntos que nada têm que ver com a qualidade da informação) – há já quem refira um regresso velado à censura e comece a ter cuidado com o que diz e a quem o diz. É também natural que alguns escritores, enquanto vão compondo a sua obra, sintam espreitar atrás deles o leitor, e isso influencie o que escrevem, embora outros garantam que não. Em todo o caso, esse leitor não é exactamente um espião e nada pode contra o texto. Há, porém, outro tipo de espionagem menos simpática – e um estudo realizado pelo PEN nos EUA revela que, por exemplo, cerca de 85 por cento dos escritores norte-americanos se sentem sob vigilância e acham que isso afecta a liberdade com que escrevem: evitam abordar determinados assuntos, fazer pesquisa na Net sobre outros e, pior do que isso, trocar ideias com colegas estrangeiros. Os que mais temem esta vigilância são os jornalistas e os autores de livros de não-ficção, que precisam de proteger as suas fontes, mas também já muitos romancistas se escusam a escrever sobre certos temas, como o terrorismo ou o fanatismo religioso, a criação do Estado palestino ou a bomba atómica e o Irão. O relatório apresenta números algo impressionantes, sobretudo que 28 por cento dos autores interrogados se recusam a participar em actividades mediáticas, 24 por cento não falam ao telefone sobre questões consideradas sensíveis e 16 por cento desistiram de escrever sobre um tópico específico. Bem, acho que aqui não chegámos a tanto, mas, como diz o povo, o futuro a Deus pertence.

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