Cruzes credo
Quando estava na Temas e Debates, logo no início, publiquei na colecção de romances estrangeiros uma fábula que podia ser lida por jovens e adultos com a mesma facilidade e o mesmo interesse. Passava-se num reino imaginário e altamente democrático (utópico, bem vistas as coisas) em que era decidido organizar um torneio de religiões para escolher a que melhor podia servir aquele território. Os participantes eram todos altos representantes do judaísmo, do cristianismo, do islão, do budismo, do hinduísmo e, se a memória me não falha, também um ateu. Tinham de apresentar as grandes vantagens da sua religião em relação a todas as outras e ser confrontados com acusações dos seus concorrentes ou rivais. Intitulava-se O Rei, o Sábio e o Bobo, assinava-o Shafique Keshavjee – um especialista em questões interconfessionais – e dava, em duzentas páginas, informações de base (crenças, livros sagrados, rituais, etc.) sobre as principais religiões do mundo embrulhadas numa história que incluía atentados, raptos e outras peripécias. Narrado como o relato de um concurso, era de leitura fácil e aliciante, ideal para quem quer aprender o que não sabe e só gosta de falar de determinados assuntos com conhecimento de causa. Não digo, como é óbvio, quem ganhava o torneio – estragaria por certo o prazer a quem o quiser ler.

