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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

12
Jan11

Desaparecido

Maria do Rosário Pedreira

Há alguns escritores que fazem furor em determinada época e, de repente, desaparecem para sempre como se nunca tivessem existido. No tempo em que trabalhava na Gradiva, lançámos o romance de estreia de Frank Ronan, um autor irlandês que veio na ocasião a Portugal (nessa altura, ainda não era comum convidar os autores para os lançamentos dos seus livros) e que, por ser realmente um tipo giro, simpático e inteligente (e ter escrito um livro delicioso que se chamava Os Homens Que Amaram Evelyn Cotton), colheu o entusiasmo unânime da crítica jornalística. Depois disso, publicou outros romances que também se venderam muito bem e estiveram nos top das livrarias (Piquenique no Paraíso e A Morte de Um Herói) e um livro de contos que foi editado em Portugal antes até de o ser no Reino Unido (Os Homens Bronzeados Ficam Bonitos), a que se seguiram os romances Lovely e A Comunidade, que ficavam a dever muito aos primeiros, mas que, pelo que sei, não correram mal em termos de vendas. A vida de Ronan deu, a dada altura, uma volta estranha (acho que teve que ver com drogas, mas não juro) e o escritor acabou por desaparecer completamente dos escaparates, sobretudo em Portugal, que parecia gostar especialmente dele. As novas regras do mercado dificilmente deixarão que o editor recupere os seus livros, o que é uma pena, mas, se alguém tiver coragem para os desencantar algures, não perca uma experiência de leitura deste irlandês desaparecido (A Morte de Um Herói, com Deus como narrador, é talvez o melhor título para se afeiçoar).

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