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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

09
Fev11

Pré-editores

Maria do Rosário Pedreira

Hoje fala-se muito do papel do editor como interventor no processo de edição de um texto com opiniões, críticas e sugestões que visam torná-lo, se é que isto se pode dizer, mais próximo da perfeição. E comenta-se que este editor – que o Reino Unido e os EUA sempre conheceram – é figura recente em Portugal, país onde ao longo de décadas um original ou era publicado tal como estava, ou simplesmente não o era. Não sei, na verdade, se as coisas são bem assim, pois creio que os editores sempre se sentiram com autoridade suficiente para fazer comentários e dar pistas que conduzissem a um melhor resultado final; mas, mesmo que essa não fosse a prática comum, quase todos os autores tiveram e têm os seus «editores» privados – pessoas isentas e informadas que eles consideram capazes de lhes dar um parecer consistente e de sugerir melhores caminhos para chegar aonde querem quando as vias se entortam e tudo parece ir dar a um beco. Em muitos dos livros estrangeiros que publiquei, a lista de agradecimentos era suficientemente clara para eu saber que, antes de mim ou do editor original, tinha havido efectivamente outras pessoas a ler e apreciar o texto e que o que ali me chegava já vinha limpo de impurezas. Lembro-me de que, quando abri o fantástico As Horas, me surpreendi com o número de nomes constantes dos agradecimentos, mas depois percebi que o autor, tendo escrito parte do romance numa residência para escritores, havia podido contar com ajuda privilegiada e não a desdenhara. O pior é quando estes pré-editores são os pais e os amigos do potencial escritor e acham que tudo o que ele faz é perfeito...

2 comentários

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    Areia às Ondas 09.02.2011

    Caro ALP

    Não fui clara: quando falei em pagar referia-me aos serviços de leitura, aconselhamento, sugestão de outras leituras, avaliação, revisão, correcção, etc., etc. Nunca a edições pagas. Nunca.
    Tenho o grato prazer de estar a acompanhar um desconhecido na escrita do seu último romance. As palavras são como as cerejas e 'conhecemo-nos', imagine só, no facebook, onde ele ia colocando ideias que eu comentava! Hoje somos correspondentes e estou a ajudá-lo com um romance histórico, que não vou editar no local onde trabalho, nem sei onde será, embora o autor me garanta que tem editor e a seriedade da 'coisa' me leve a acreditar. Nada sei sobre ele, apenas sei que gosto do que leio.
    Porém, na maioria das vezes, as pessoas querem mais que a opinião: desejam que essa opinião se transforme em convite para editar e isso eu não faço.
    Ler, leio com certeza! Mas também lhe digo que não me sinto muito confortável em dar missa nesta 'igreja' que é da MRP, e que ela sim, pontifica na matéria. Por outro lado, também não quero que ela me acuse de contribuir para a enterrar em vida em papéis e peço desculpa se as minhas palavras de alguma forma levam a que isso aconteça.
    Por outro lado ainda, já por duas vezes pedi conselho a professores de literatura, por me parecerem óbvios avaliadores da escrita. Mais uma vez, não os conhecia: sabia-lhes o nome e respeitava-lhes o trabalho; entrei em contacto com eles, expliquei ao que vinha e ambos aceitaram ler-me. Publiquei os dois documentos e ainda hoje lhes agradeço a orientação.
    A vaidade inerente ao escritor faz(-nos) crer que as palavras que debitamos, naquela ordem e naquela sequência, é a melhor. É muito difícil aceitar de bom grado uma alteração, quando a nossa veia nos diz que aquilo está perfeito!
    No fundo, acredito que, mais difícil do que encontrar quem nos avalie e nos ajude, é aceitarmos ser avaliados. Parece uma incongruência, mas é a realidade...
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