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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

14
Abr11

O meu salário

Maria do Rosário Pedreira

O que existe de mais positivo em ter um blogue como este é o estímulo que os comentários acabam por trazer, criando ideias para um sem-número de posts quando andamos com falta de imaginação ou agarrados ao mesmo livro há demasiado tempo para podermos falar de vários. Na semana passada, houve alguém que escreveu num comentário uma frase muito curiosa sobre o meu ordenado, dizendo que ele era provavelmente pago pelos livros que, para abreviar, eu não gosto de ler nem publicar. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Para começar, à excepção das estrelas televisivas, não se pense que a ficção comercial é rendimento garantido. Claro que os autores de renome internacional, que já venderam milhões de exemplares nos seus países, têm a vida facilitada e se tornam quase sempre best sellers. Mas, muitas vezes, isso não é verdade – e o marketing precisa de embrulhar os livros com lacinhos vermelhos ou metê-los em caixas em forma de coração (deixem-me exagerar) para transformar um título num sucesso de vendas; muitos dos que vão despidos para a loja não têm a sorte de vender mais do que a chamada literatura séria e vendem de certeza menos do que qualquer Booker Prize... E também há autores literários que se vendem muito, como é desde logo o caso de Saramago (com tiragens de cem mil exemplares) e de alguns outros que, não conseguindo os recordes dos autores mais mediáticos, contribuem fantasticamente para as receitas que pagam, entre outras coisas, o meu ordenado. Além disso, no grupo em que eu trabalho há imensos editores – mais do que um por cada chancela – e, se me convidaram há cerca de um ano para me juntar a essa equipa, foi certamente pelo que fiz até então, e não para fazer o contrário.

2 comentários

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    Cláudia - Brasil 15.04.2011

    Por gentileza Sr. João Tomás o pudor a que refere-se é acertado, mas o valor em espécie ao editor responsável penso que deva ser pouco para o desafio de revelar autores livres da torre de marfim.
    O desmistificar para o modelo americano está ausente de critérios por editoras que cada vez mais, organizam-se em competir com agressivo volume em títulos e vendas. Inclusive a nível de Brasil a competição acirrada e topete dos espanhóis infiltrando-se na educação brasileira com linha das apostilas, somam americanos, e tendo agora portugueses que demoraram aventurar-se sendo destes a principal identidade no mercado brasileiro.
    Apenas, para esclarecimento anterior a esta instabilidade que cerca a europa, deveria ser possível um editor não trabalhar sob pressão da rentabilidade, tida como certa nos pontos de venda, então vossa experiência é pautada em outra causa, pelo amor a arte.
    Por aqui o movimento é diferente e menos romantico, concorrem custos de divulgação, centralizados no eixo Rio e São Paulo. E a edição de um pequeno editor, corre riscos em virtude da distribuição e controle. Pois, o livro lançado significa gasto certo e lucro incerto para quem aventura-se, sem conhecer nuances do mercado e não propriamente do leitor. Promover uma venda a nível nacional é lucro certo. Então o mercado pertence a quem tem veiculos de comunicação, ou a quem investe neste, assim como o grupo Abril e Globo. Sei o quanto deva parecer estranho assimilar tais variáveis, mas não temos uma fidelização de crítica literária na educação e tão pouco no periódicos de informação regional, mas, há interesses do povo e este preza a importância da leitura, e tem dinheiro para aquisição. Mas, ainda falta o impulso para romper com a cultura do achismo pautada na própria opinião e não a da informação.
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