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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

04
Out11

A saga das estrelinhas

Maria do Rosário Pedreira

No dia do lançamento do novo romance de valter hugo mãe, encontrei imensa gente indignada com o facto de o autor da crítica ao livro publicada no Ípsilon da véspera – outro escritor (José Riço Direitinho) – lhe ter dado apenas duas estrelas e meia. A indignação, porém, não vinha só de se dar nota quase negativa ao romance (cinco estrelas é o máximo) – até porque algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido –, mas de, nesse mesmo suplemento, terem sido classificados com quatro estrelas livros de autores de um nível literário francamente mais baixo, como José Rodrigues dos Santos ou Mónica Marques. Na verdade, se os leitores se guiarem por estas classificações para saberem que livros devem ou não ler, a situação pode ser perigosa e extremamente injusta, na medida em que qualquer das obras de um Escritor (com E), mesmo que gore de algum modo as expectativas dos seus leitores, será sempre infinitamente melhor leitura do que uma ficção menor. Parece-me, porém, que o critério do jornal pode ser classificar por tipo de livro e, se assim for, não teríamos hesitações em dar cinco estrelas a thrillers ou policiais notáveis como os de Le Carré ou Agatha Christie e de as dar também a grandes romances como os de Vargas Llosa ou Faulkner (lamento não apresentar exemplos de cinco estrelas em livros de ficção romântica, mas a verdade é que não sou leitora do género). No momento em que escrevo este post, ainda não li o romance de valter hugo mãe, embora já o tenha começado; mas aquilo que me parece desde logo discutível é a crítica do Ípsilon ter sido encomendada justamente a um seu «concorrente», uma vez que sobre os novos valores deveriam debruçar-se os mais velhos, a quem eles já não fazem sombra, sob o risco de, por mais honesta que seja a opinião de um colega da mesma geração (e com menos projecção nacional e internacional), as pessoas falarem logo de dor de cotovelo e de rivalidade. Na verdade, será que pode avaliar condignamente o romance de um autor alguém que se calhar leu menos do que ele, alguém que se calhar nem leu toda a sua obra? Não será por isto que, do júri de prémios literários de relevo, não fazem normalmente parte jovens escritores?

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