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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Out11

Três vidas

Maria do Rosário Pedreira

As Três Vidas é o título do livro de João Tordo que venceu o Prémio Literário José Saramago em finais de 2009 e que é agora finalista – com a edição brasileira – do Prémio PT de Literatura. O título, para quem não leu o romance, é a tradução do nome de uma livraria de Nova Iorque – Three Lives – que, na história, está ligada à rapariga que o protagonista procura naquela cidade. Mas a expressão serve-me neste momento para outra coisa bem diferente, que vem a propósito de uma chuvada gloriosa de comentários neste blogue a um post que escrevi sobre o pretensiosismo de se citarem edições originais de livros que têm tradução portuguesa. Pois nos EUA e no Reino Unido a maioria dos livros têm três vidas – uma edição em capa dura (hardcover), uma em capa mole (paperback) e uma de bolso (pocket); alguns saltam a primeira, se se prevê que o número de leitores para eles é mais modesto, mas restam-lhes sempre duas. Em Portugal, até há pouco tempo, ficávamo-nos pela edição em capa  mole, já que a capa dura é cara de produzir e as tiragens pequenas não a justificam. Porém, o livro de bolso – ao contrário do que muitos disseram – teve recentemente um crescimento assinalável, com uma colecção de clássicos resultante de uma parceria de três editoras e outras duas colecções regularmente alimentadas pelos dois grandes grupos editoriais portugueses. Mas os leitores continuam a queixar-se de que se faz pouco (quem não se sente não é filho de boa gente) e dos preços dos livros de bolso, sobretudo se comparados com as edições do mesmo tipo noutros países. Ora, não podemos esquecer-nos de que vivemos num país pequeno; e que, se os nossos vizinhos espanhóis podem editar tudo em bolso porque são mais de 40 milhões (e não ficam com livros nos armazéns se fizerem tiragens de 10 000), aqui não podemos quase nunca ultrapassar os 3000 exemplares – e, ainda assim, com o risco de não os vendermos a todos. Além disso, em tiragens assim pequenas o custo unitário nunca desce o suficiente para permitir preços mais baixos do que os praticados. Não creio, pois, que se possa ir mais longe neste campo e penso que o que tem sido feito é já bastante louvável para merecer mais elogios do que críticas.

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