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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

26
Jun10

Livro e filme

Maria do Rosário Pedreira

Raramente um filme baseado num bom romance que lemos nos agrada. Temos a escrita demasiado dentro de nós para conseguirmos separar duas linguagens distintas – e o mais frequente é falarmos logo do que não aparece no filme. No entanto, mesmo sacrificando cenas, partes, estrutura, linguagem, ideias, há filmes que nem são nada maus e, entre eles, poderia, por exemplo, citar A Insustentável Leveza do Ser, O Paciente Inglês ou, mais recentemente, Expiação. O do meio pareceu-me uma notável adaptação de um livro que nunca esquecerei: O Doente Inglês, de Michael Ondaatje. Claro que todas aquelas viagens pelo deserto a sós que existem no romance seriam um tédio na tela – mas senti a falta delas; claro que, no livro, a história de amor é só mais um episódio numa narrativa muito cheia sobre um homem apaixonante – e tenho a ideia de que a personagem da enfermeira é bem mais importante que a mulher amada (no filme, a actriz que o desempenhava venceu o Óscar de melhor actriz «secundária»). Em todo o caso, não podemos generalizar nem ser injustos com os realizadores e os argumentistas. Às vezes (raras, bem sei), eles fazem grandes filmes de grandes obras.

2 comentários

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    rita maria 07.07.2010

    Vim à caixa de comentários só mesmo ver se ninguém se lembraria do Morte em Veneza. Nao vou tao longe, acho o livro pelo menos tao bom como o filme que o adapta (a palavra aqui nao faz sentido...recria?), mas os dois sao obras extraordinárias.

    No meu caso há ainda o Quarto com Vista sobre a Cidade. Acho o filme delicioso, muito engraçado e de uma ironia muito humana, terna quase no tratamento das personagens, e o livro apenas razoável, mesmo sendo do Forster .
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