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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Nov11

Intervalo

Maria do Rosário Pedreira

Pela primeira vez em mais de vinte anos de carreira, uma feira do livro estrangeira convida-me e paga-me para lá estar. Fica longe, bem sei, a cidade mexicana de Guadalajara – e tantas horas de avião vão ser mesmo um suplício. Mesmo assim, não iria dizer que não a um programa que inclui, entre outras coisas boas, dois Prémios Nobel da Literatura à conversa: Herta Müller e Vargas Llosa. Dificilmente teria oportunidade de os ver juntos outra vez... Resultado: aceitei e o blogue é que paga e vai ter de estar parado até ao fim do mês. Que me desculpem os leitores, sobretudo os que cá vêm ler-me todos os dias. Mas podem sempre trocar esta fraca prosa por umas horas extraordinárias com um bom livro.

9 comentários

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    António Luiz Pacheco 23.11.2011

    Ahahah! Bom jogo com as palavras!
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    Cláudia 23.11.2011

    Com todo o respeito meu senhor, não trata-se de jogo, embora seja matemática. Um intervalo de confiança de 95% para um parâmetro populacional fornece um intervalo no qual estaríamos 95% confiantes de cobertura do verdadeiro valor do parâmetro.
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    António Luiz Pacheco 23.11.2011

    Pronto... pronto... retiro o ahahah!
    Deveras a expressão simplista que formaliza uma disposição errónea e perene da minha afirmada condição ignara.
    Perdoe a falta de entendimento manifestado com tão infeliz quanto atrevida aleivosia, quiçá porque a mensagem indevidamente apreendida por tão intrínsecamente elaborada em termos esotéricamente cabalísticos se me apresentasse como nebulosa e tenha adensado as já espessas trevas em que me enfronho!
    Reconheço que para lá da trigonometria plana ou esférica, as altas matemáticas sempre se me alcandoraram a instâncias onde deveras não alcançam as minhas funções de selecção e síntese humanas e por isso assim se quedando a níveis terreais, irremediávelmente.

    Com os meus respeitos, curvo a coluna vertebral que apesar de tudo suporta o meu mísero esqueleto.

    Saudações Campesinas!
    (ufa...)
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    Anónimo 23.11.2011

    oh "Pacheco" (desculpe esta ousadia) permita-me dizer-lhe que gostei muito de o Ler, fez-me até rir, e ainda lhe vou confessar, mas não diga nada à "Cláudia", que nunca percebo muito bem os seus dizeres, mas é certamente culpa minha que não entendo nada de matemática!

    Saudações citadinas!
    Isabel
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    António Luiz Pacheco 23.11.2011

    Ó Isabel...
    Isto é a minha costela de ambaquista ... sem dúvida que influenciado por alguma vivência africana! Eheheh!

    Imagino que não saiba o significado de ser "ambaquista", mas não se rale! É o que de tão estimulante tem este blog! Descobrirmos coisas!
    Fica o convite, a si e aos restantes que não saibam o significado do termo, para que vão à procura! Vão achar graça e depois fazem um brilharete a dizer uns aos outros:
    - Não estejas armado em ambaquista !

    Saudações do campo!
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    Paulo Oliveira 25.11.2011

    Ambaquista ! Eheh !, não conhecia, já fui espreitar e é uma palavra de génese angolana muito interessante. Não está no Priberam, mas devia estar.
    Quanto à Cláudia, é um facto que nem sempre a entendemos, mas tem frases muito belas. Saudações a todos.
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    António Luiz Pacheco 25.11.2011

    Olá Paulo!
    É de facto a riqueza da nossa língua que está à vista!
    Pelo facto de nem sempre a entendermos. É perfeitamente possível escrever um texto, em português actual e correcto, de uma forma que não seja percebido!
    E note-se que este blog é frequentado por pessoas cujo conhecimento do nosso idioma é elevado, como se subentende!
    Diria que muitos de nós somos ambaquistas ...

    Ambaquista, provém da Ambaca, que era uma missão religiosa onde se ministravam as letras.
    Os que dela saíam, normalmente africanos negros e sobretudo mulatos, possuíam letras bastantes e o domínio da língua para ocuparem cargos na administração ou serem secretários dos sobas (a autoridade local tradicional), ou junto de advogados, notários, etc. Mas muitos ganhavam a vida escrevendo cartas, petições, demandas, favores ou interpretando documentos oficiais, leis e posturas que na sua linguagem já então tradicionalmente hermética, eram de difícil compreensão.
    Eram uma espécie de solicitadores, ambulantes!
    Lembro que estamos a falar do séc. XIX em que a população mesmo europeia era iletrada.

    O ambaquista apresentava-se com o seu naterial de escrita itinerante e distinguia-se por trajar cuidadamente e pela sua pose, usando de uma maneira de falar diferente por ser letrado, no que fazia gala, expressando-se por isso de uma forma rebuscada e muitas vezes a despropósito!
    Daí que o termo ambaquista tenha dois significados:
    1- Por definição é alguém culto e que fala bem.
    2- Depreciativamente e o mais comum, designa quem seja pretensioso, digamos intelectualmente presumido e use palavras rebuscadas para se afirmar dessa presunção.
    Ainda hoje há essa tendência nos angolanos... os funcionários e os políticos, os académicos, usam e abusam de uma forma de falar que eles presumem manifestar a sua superioridade e uma cultura, compondo frases e expressões tão a despropósito quanto excessivas, pomposas e quase sempre inadequadas e fazem-no com uma expressão e atitude característica e em tom superior... é ouvir declarações na TV ou rádio.

    No fundo é um estilo que se mantém e copia...
    Afinal as gentes do futebol não falam quase sempre dessa forma? - "O árbitro avisou o treinador que se afastasse da área técnica". É um exemplo... "Criar abertura para explanar o jogo!" Etc.
    E as polícias/GNR? Falam de uma forma também característica: "Foi detectado um indivíduo cuja movimentação era suspeita". "O veículo não se imobilizou à ordem do agente, que agiu em conformidade" etc.
    E os bombeiros? "Foi deslocada para o local uma viatura com 6 elementos". "O material foi identificado como potencialmente inflamável".
    E os economistas? E os políticos?
    Todos ambaquistas!!!

    Um exemplo actualíssimo, parte de uma carta de um professor universitário que me foi dirigida e dizia assim:
    "... em que resumia-me alguns grandes constrangimentos referentes a falta de estrutura funcional administrativa... " (para referir a incompetência do apoio administrativo)
    Mais à frente: "...Ate quando continuaremos a estruturar esperança aos jovens que pela inocência dos factos na verdade se disponibilizaram em detrimento de ano escolar e outros a fazeres acreditam no futuro do projecto..." (para questionar a falta de informação sobre os objectivos por parte dos alunos).

    Por vezes não somos todos ambaquistas?
    Vamos lá então recuperar o termo... ahahah !

    Saudações do campo e bom fim de semana!
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    Paulo Oliveira 28.11.2011

    Seriam então uma espécie de snobs dos trópicos.
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