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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

16
Dez11

Pais autoritários

Maria do Rosário Pedreira

A Feira do Livro de Guadalajara, embora com três dias reservados a negócios, um país convidado (neste ano, a Alemanha), os stands das editoras, o Centro de Agentes e uma área internacional, não se assemelha muito à Feira de Frankfurt; é, acima de tudo, um festival literário – e neste ano tinha cerca de 150 escritores em actividade permanente, encontrando-se com os leitores, os alunos das escolas, apresentando livros, fazendo sessões de autógrafos e conferências. Com as salas sempre cheias, lembrou-me – embora a dimensão fosse outra – as nossas queridas Correntes d’Escritas, nas quais é preciso chegar cedo para não se ficar sentado nos degraus duros ou mesmo fora da sala. Em Guadalajara, uma das sessões mais aguardadas (e com o auditório a abarrotar) era uma conversa com dois Prémios Nobel da Literatura – Herta Müller e Vargas Llosa – conduzida por Juan Cruz. Quando este perguntou ao escritor peruano se se lembrava quando e porque começara a escrever, este foi categórico. Os pais haviam-se separado logo a seguir ao seu nascimento e tivera uma infância felicíssima junto da mãe e dos avós maternos. Inesperadamente, o pai e a mãe reconciliaram-se quando tinha onze anos e isso veio perturbar dramaticamente o seu equilíbrio emocional, até porque – frisou – o pai era um homem muito autoritário. Para fugir a esse jugo, Vargas Llosa começou a ler furiosamente, vivendo vidas diferentes da sua – e isso levou-o naturalmente à escrita. Quase me apetece dizer: Bendito pai autoritário...

 

3 comentários

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    sandra pop 17.12.2011

    À anónima, que falou do pai violento, dedico este texto, escrito pela minha amiga Lena, sobre o Mandamento "Honrarás Pai e Mãe":

    Quer dizer: deve-se honrar pai e mãe, independentemente do que eles são?
    E se eles tratam mal os filhos, humilham-nos, batem-lhes, prendem-nos, obrigam-nos a fazer tarefas indignas? E se eles nunca se dão ao trabalho de compreender os filhos e de lhes ensinar o que quer que seja? E se nunca ligam aos filhos, se os abandonam, lhes dão a entender que não contam, que são merda? E se os molestam sexualmente, ou consentem que alguém o faça? E se passam a vida a rir-se deles e a dizerem-lhes que nunca serão nada na vida? E se os olham com nojo? E se os olham com desprezo? E se lhes fizeram e fazem, a todo o momento, sentir que não são nada, que não contam nada, que só servem para atrapalhar, para os envergonhar? E se lhes incutem sentimentos de culpa e de vergonha, por eles não serem aquilo que eles, pais, desejam? E se os castigam por, em algum momento, os filhos não estarem dispostos a dar-lhes atenção, a brincar com eles, a dizerem-lhes que eles são os maiores? E se os castigam por eles, apenas, se atreverem a dizer não? E se os manipulam, quais lobos disfarçados de cordeiros, para que eles façam o que os pais querem, sem lhes darem hipóteses de desenvolverem o seu carácter, a sua vontade, a sua personalidade? E se exigem dos filhos tudo e mais alguma coisa, enquanto tratam outras pessoas com carinho e simpatia? E se, em público, são pessoas agradáveis e, em casa, fazem a vida negra aos filhos? E se se fartam de elogiar os outros, enquanto não se cansam de pôr defeitos nos filhos?
    Dizes-me que se trata de excepções, sandra? Algumas são bem corriqueiras. De resto, todas acontecem muito mais vezes do que se pensa.
    Porque não há um Mandamento a dizer: “Amarás e honrarás os teus filhos”? A um filho que foi amado, honrado e acarinhado, alguma vez lhe passava pela cabeça não amar e honrar os pais? Eles é que já cá estavam, antes de nascermos, eles é que têm de dar o exemplo, de servir de modelo.
    Eu acho que Deus obteria melhores resultados se se tivesse dirigido aos pais, aos educadores, em vez de aos filhos.
    Mas isto sou só eu a pensar, querida sandra, e eu não conto. Nunca contei.
  • Sem imagem de perfil

    sandra pop 17.12.2011

    P.S. Se quiser ler sobre um pai violento, clique no link para aceder ao blogue onde publico as cartas da minha amiga Lena. Talvez lhe sirva de inspiração.
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