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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

15
Jun22

COVID

Maria do Rosário Pedreira

Meus caros, também fui atacada pelo vírus, e é por isso que hoje não tinham o vosso post à espera. As férias que anunciei já nem sei quando foram só meio gozadas, porque em alguns dias não havia mesmo disposição para nada, e nos primeiros era obrigatório o isolamento; e agora, que estou de volta ao trabalho, tenho tanta coisa atrasada para responder e cumprir que só me lembrei do blogue já passava do meio-dia... Tinha deixado o texto de ontem já encarreirado, mas hoje, sem grandes ideias, prometo retomar com mais tino a partir de segunda-feira. Desculpem esta falha, nada costumeira em mim, mas não vale a pena encher chouriços. Digo só a quem estiver interessado em poesia e viva no Porto que estarei lá no próximo sábado, às 17h00, na Biblioteca Almeida Garrett, para falar do meu novo livro de poesia com o jornalista Sérgio Almeida e a poetisa Rosa Alice Branco na próxima sessão do Porto de Encontro. Se por lá estiverem, apareçam. Até para a semana.

14
Jun22

Amália a brincar

Maria do Rosário Pedreira

No Dia da Criança foi lançado no Museu do Fado um livro-CD intitulado Brincar aos Fados: Amália, dedicado, é bom de ver, a Amália Rodrigues. Este projecto, que é organizado por Rodrigo da Costa Félix e já inclui outros livros-discos, pretende que os mais novos conheçam e se afeiçoem ao fado e, no livro que agora se lançou, que se familiarizem com a grande Amália através de fados mais leves e, por vezes, com letras divertidas, bem como de histórias criadas à volta das letras e obviamente da audição desses fados na voz de vários intérpretes dos nossos dias. Assim, com ilustrações belíssimas de Sara Domingues, escrevem, entre outros, para este volume Alice Vieira, Tiago Torres da Silva, Filipa Martins, José Fialho Gouveia e euzinha, e cantam Francisco Salvação Barreto, Kátia Guerreiro, Carlos Leitão ou Márcia. Mostrar às crianças que essa diva que foi Amália é capaz do mais trágico, mas também do mais alegre, é a função deste conjunto de fados e contos na colecção Brincar aos Fados, muito bem acompanhados pela música de grandes compositores do fado. Um presente bem giro para os mais pequenos.

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03
Jun22

Excerto da Quinzena

Maria do Rosário Pedreira

(Para a semana estou de férias, o blogue só volta dia 14.)

Dani sempre quis acreditar que a mãe estava predestinada para voos mais altos, como mãe e como mulher. Que, se o pai não tivesse morrido, ela se teria transformado no suprassumo da nova mulher trabalhadora dos anos noventa, gerindo a casa e um negócio próprio, com todas as ideias que tinha de design de moda infantil que a avó costuraria. Pouco depois de Dani nascer, ela falava em estudar modelagem e moda. Mas o entusiasmo, a alegria e toda a doçura que sabia transmitir através das canções que inventava, das histórias infantis à hora de dormir, de tudo o que contava sobre tesouros, bosques, fadas, monstros bons e solitários, ficou paralisado com a doença do marido. Como se tudo tivesse ficado fossilizado no interior de um rochedo duro, juntamente com os seus jogos de sedução, as suas pestanas compridas, a elegância das maçãs do rosto e as feições delicadas. Uma mulher jovem completamente encerrada no interior de um rochedo e tingida de preto, de um preto fúnebre. O preto podia ter sido sofisticado e mágico, mas ela ainda hoje anda toda manchada de receios. Entrou para a igreja do bairro de uma forma excessiva e encheu os seus dias de catequese, velas e círios pascais. Decidiu deixar a vida feliz para outro mundo, já que assim tinha a certeza de que estar bem não dependia dela.

Marta Orriols, Doce Introdução ao Caos, tradução do catalão de Maria João Teixeira Moreno

02
Jun22

As desculpas

Maria do Rosário Pedreira

Quando falamos apaixonadamente de livros, muitas vezes, do lado de lá, está alguém que não percebe o nosso entusiasmo. São geralmente pessoas que dizem que não gostam de ler. Digo «dizem que não gostam», e simplesmente «não gostam», porque creio que existe sempre um livro capaz de atrair um leitor, embora provavelmente não o mesmo para toda a gente. Mas, quando indagamos porque diz o nosso interlocutor que não lê, ele desculpa-se, regra geral, com a falta de tempo (como se ver televisão ocupasse menos tempo do que ler) ou, pior, com o preço dos livros, quando é capaz de dar uma fortuna por um bilhete para um festival de música. A Ler É Essencial desta semana não desiste de tentar fazer leitores e, por isso, oferece sugestões para convencermos a ler os que não o fazem, tais como falar-lhes de um livro que adorámos repetidamente ou convidarmos amigos para uma leitura conjunta de um livro depois de jantar. Diz mesmo, citando Kant, que ler uma coisa que nos ponha bem-dispostos é tão benéfico como o exercício físico. Vamos fazer esse esforço pelos livros?

01
Jun22

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Sendo hoje dia de dizer o que ando a ler, direi que leio, algo desconcertada ainda, O Colibri, de Sandro Veronesi (senhor nascido no mesmo ano que eu), publicado entre nós pela Quetzal e traduzido por Cristina Rodríguez e Artur Guerra. O colibri do título é Marco Carrera, que ganhou essa alcunha por ter nascido incrivelmente pequeno e ter sido, aliás, sujeito a um tratamento hormonal para crescer. Isso não o impediu, porém, de ter sucesso nos amores que, apesar de tudo, são relações irregulares, quer a que leva ao casamento com Marina, com quem Marco tem uma filha problemática (Adele), quer a que mantém desde praticamente a adolescência com Luisa e que, tanto quanto me é dado ver, nunca chega a vias de facto, embora origine uma correspondência profusa e bastante enigmática. Também o é a mantida por Marco com o irmão a propósito da casa dos pais, a cair aos bocados desde a morte destes, ou as situações que respeitam à irmã de ambos (Irene) e a um amigo da adolescência (o Inominável) que resolveu sair de um avião antes de este levantar voo e sabe mais tarde que esse avião teve um acidente em que morreram todos os passegiros. Mas o livro está cheiinho de surpresas e, ainda que exija muita atenção, sobretudo às datas, vale bem a pena ser lido.

31
Mai22

Poema contínuo

Maria do Rosário Pedreira

Não há dúvida de que há muito menos gente a ler poesia do que ficção, e este blogue é já uma prova disso, pois são muito mais os comentários, o interesse e as achegas quando falo de um romance do que quando menciono um livro de poesia (mesmo meu). O Manel um dia destes foi a uma sessão no Instituto Cervantes sobre Francisco Umbral (que é um verdadeiro poeta a escrever prosa) a propósito da saída entre nós de Mortal e Rosa, com tradução de Carlos Vaz Marques, pela editora Tinta-da-China; e veio de lá com uma história curiosa que o jornalista contou. Nos anos 1930, um poeta francês mandou alguns dos seus poemas para uma revista literária e, pouco depois, recebeu uma carta da direcção dessa revista elogiando os textos e dizendo que os publicaria. Como nesse tempo era hábito as revistas literárias em França pagarem os textos seleccionados, o poeta perguntou quanto iria ganhar com a publicação, ao que lhe responderam que... nada, pois pagavam apenas aos autores de prosa (como se um poema desse menos trabalho, enfim). Pois bem, como ele precisava mesmo de dinheiro, respondeu que então anulassem os versos e escrevessem tudo de seguida. Suponho que lhe pagaram, mas não sei o fim da história. De qualquer modo, é assim, tal qual, a prosa de Umbral, um «poema contínuo» deslumbrante.

30
Mai22

Na Torre de Belém

Maria do Rosário Pedreira

Em pleno século XVI – num período em que Portugal se cumpre como Império – a fortaleza da Torre de Belém torna-se palco de uma série de crimes insólitos e violentos. Acessível apenas por mar e aparentemente inviolável, o monumento é o símbolo máximo da expansão do reino, mas, nos seus pequenos detalhes, parece anunciar também a sua queda… António de Mello, o jovem Ouvidor da Casa do Cível encarregado de investigar as ocorrências e descobrir o autor dos homicídios, debater-se-á entre os que atribuem as mortes à sanha do demónio e os que, observando as afinidades das vítimas, crêem nos planos de uma seita que deplora as mudanças que se avizinham. Porém, em vez de soluções, encontrará cada vez mais obstáculos e a ideia de que, quanto mais avançar, mais tudo ficará na mesma. Num thriller absolutamente excepcional pelo qual perpassam muitas personagens históricas – de Pedro Nunes a Garcia de Orta ou Damião de Góis –, bem como temas tão diversos como a Cabala, a Inquisição, a Astrologia ou a corrupção e os actos praticados em nome de Deus, Luísa Beltrão constrói uma teia exemplar na qual o leitor se enredará tanto como o protagonista para concluir que o passado, ao contrário do que frequentemente se pratica, tem de ser compreendido, e não julgado. O lançamento é amanhã, na Biblioteca Palácio Galveias, às 18h30.

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27
Mai22

Três mulheres

Maria do Rosário Pedreira

Hoje, não vou estar por aqui pelo blogue e, quando estiverem a ler este post, estarei quiçá já guiando rumo ao Porto, onde acontece o lançamento do romance Três Mulheres no Beiral, de Susana Piedade, o terceiro livro que publico desta autora, que foi duas vezes finalista do Prémio LeYa. O primeiro tinha também que ver com três mulheres e chamava-se As Histórias Que não Se Contam; e o segundo, intitulado, O Lugar das Coisas Perdidas, debriçava-se sobre o desaparecimento de uma criança a caminho da escola e as desconfianças que, a partir de então, recaem sobre toda uma pequena comunidade. Deste que hoje se apresenta já aqui falei no blogue e até já reproduzi um excerto na sexta-feira passada que foi muito apreciado pela maioria dos Extraordinários. Se não conhecem esta autora, leiam-na, E, se estiverem pelo Porto esta tarde, apareçam nesta apresentação: seremos também três mulheres à mesa, o que tem a sua piada.

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26
Mai22

Ai, o verão

Maria do Rosário Pedreira

Vem aí o Verão, e o livro de que hoje falo celebra-o como na minha juventude o celebrava a série espanhola de televisão Verão Azul. Chama-se Os Reis do Mar e o seu autor é David Machado, que já antes nos tinha brindado com o maravilhoso Não Te Afastes, sobre um furacão que acaba por tornar amigos um rapaz e a cria de um rinoceronte fugida do Jardim Zoológico no meio da confusão. No novo romance, o jovem Samuel tem um único objetivo: encontrar a sua casa levada pelo furacão e voltar à vida que tinha com os pais na cidade. O seu amigo Rá contou-lhe as histórias sobre os Piratas do Multiverso e mil outras conspirações intergalácticas que parecem explicar tudo: o velho Benício e o seu tesouro, o veleiro que misteriosamente surge no horizonte, a sinistra criatura que habita na Ilha dos Lobos… e até o paradeiro da casa desaparecida. A jovem Kaya – que sonha ser jornalista – juntar-se-á a eles, ainda que a sua racionalidade nem sempre seja bem-vinda; mas os rapazes gostam ambos dela, e isso pode ser um problema...  Os Reis do Mar é uma empolgante aventura sobre o lugar – e a idade – onde a imaginação e o real se encontram. A ler, por crianças e adultos! A capa e as ilustrações são do magnífico Alex Gozblau.

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25
Mai22

Aramburu

Maria do Rosário Pedreira

Numas férias de há talvez quatro anos, carreguei para a praia diariamente um calhamaço pesadinho. Tratava-se de Pátria, do escritor basco Fernando Aramburu, que trata da divisão de duas famílias muito chegadas por causa da ETA e do homicídio de um dos homens, quiçá pelo filho do outro. As personagens (pais, mãe e filhos) são realmente um primor de desenho, desde o pequeno empresário que vem a casa almoçar e dormir a sesta até à jovem que tem um AVC incapacitante, mas escreve num iPad aos parentes, ou o seu irmão que se junta à organização terrorista. Mais tarde vi a série, basca, muito fiel ao original; e gostei, embora na minha cabeça os rostos das figuras fossem bastante diferentes. Hoje Aramburu estará em Portugal para falar desse livro, claro, que marcou decisivamente a sua carreira, mas sobretudo da sua obra mais recente em Portugal, O Regresso dos Andorinhões, traduzido por Cristina Rodriguez e Artur Guerra. A conversa tem lugar no Cervantes às 18h30 e terá por moderadora Ana Daniela Soares. Imperdível, parece-me.

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