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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

05
Nov18

Leituras

Maria do Rosário Pedreira

Esqueci-me na sexta e, portanto, hoje é dia de cada um dizer o que anda a ler (eu, por razões profissionais – uma conferência sobre poesia e fado que farei em Guadalajara mais para o final do mês –, ando a ler livros sobre fado, nos últimos dias capítulos de Pensar Amália, de Rui Vieira Nery), mas, como já despachei a coisa, aproveito para publicitar um livro que é obra de gente Extraordinária: Contos do Portugal Profundo e Uma História Brasileira. Deixem-me explicar: a Cristina Torrão (julgo que foi ela) andou a desafiar aqui os visitantes deste humilde blogue, presumo que sobretudo os que já escreveram e publicaram livros, para contribuírem com um conto e se montar uma colectânea assinada pelos Extraordinários. Mais tarde, o Pedro Sande perguntou-me se eu não poderia juntar-me ao grupo e respondi afirmativamente (a anfitriã podia lá faltar…), oferecendo uma coisa escrita há vários anos que não chegou ao papel. Ainda não vi o «bicho» senão em fotografia nas redes sociais* (e não prometo lê-lo nos tempos mais próximos porque estou com trabalho até ao tutano), mas posso desde já adiantar que os participantes, além dos dois nomes já referidos, foram, por ordem alfabética, António Breda Carvalho, António Luiz Pacheco, Cláudia da Silva Tomazi, João J. A. Madeira, José Cipriano Catarino e Luís Alves Milheiro. Cito a organizadora (com novo acordo ortográfico e tudo): «Esta coletânea variada, com lugar para a ironia, a diversão, a tristeza, o desencanto e até a filosofia, está à venda na Amazon:

 

https://www.amazon.co.uk/dp/1727085205

 

https://www.amazon.es/gp/offer-listing/1727085205/ref=tmm_pap_new_olp_sr?ie=UTF8&condition=new&qid=&sr=

 

É só encomendar e receber o livro em casa!» Por que esperam?

 

* Afinal, tenho-o desde sábado, oferecido pelo Pedro Sande, mas quando escrevi este post ainda não lhe tinha posto a mão.

02
Nov18

Crónica e o gosto dos outros

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e, portanto, aqui vos deixo o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-out-2018/interior/adeus-futuro-a-irmandade-da-solidao-10085084.html

Amanhã vai ser dia de O Gosto dos Outros na Fundação Calouste Gulbenkian, um programa de debates criado por Nuno Artur Silva e concebido para durar um dia inteiro, em que podemos andar de sala em sala a ouvir falar de coisas muito interessantes (e algumas bem divertidas) como «As 10 melhores Músicas Para Dançar, Os 10 Acontecimentos Culturais Portugueses Mais Relevantes Do Século XXI, Os 10 Melhores Poemas Que Ninguém Conhece ou As 10 Cenas Mais Extraordinárias Do Cinema De Sempre». Eu vou estar logo às 14h30 a falar dos 10 Melhores Livros Portugueses deste nosso século na companhia de Rui Zink e Aurélio Gomes. Entrada livre (mas é preciso reservar). O programa completo vai abaixo:

https://gulbenkian.pt/evento/o-gosto-dos-outros/

 

 

31
Out18

Pensar palavras

Maria do Rosário Pedreira

Ando o dia inteiro de roda de palavras, e um dia destes, ao ler um e-mail de um agente espanhol, olhei para a palavra castelhana «enlace» (que, no contexto, seria aquilo a que chamamos link, adoptando a palavra inglesa, mas que é «ligação, enlace») e perguntei-me porque seria que o «desenlace» de um romance se chama «desenlace», se é o momento em que todas as pontas se atam, e não aquele em que se desatam ou desligam… Não tendo chegado a nenhuma conclusão (a verdade é que também não dei uma importância desmedida ao assunto), encontrei pouco depois num texto os verbos «fincar» e «vincar» separados por meia dúzia de linhas e logo me pareceu que, quer porque as palavras fossem demasiado parecidas (a única diferença está na consoante inicial, surda num caso, sonora no outro) quer porque as acções carregassem ambas uma certa dose de força imprimida (para enterrar/cravar, para marcar/fazer o vinco), ambas deveriam ter a mesma origem. Mas não: ao que parece, «fincar» está mais ligado a «ficar» (ficar com muita força?); e de «vincar», enfim, pouco se sabe, o Houaiss diz que a palavra «vinco» tem origem obscura, embora já existisse no século XIII. Nada feito, às vezes o que parece não é.

30
Out18

Magazine

Maria do Rosário Pedreira

Recebi há poucos dias o Magazine, uma nova revista (ou jornal, não sei bem defini-lo), produzida pelo El Corte Inglés, que inclui a programação de actividades do bimestre Novembro-Dezembro no seu espaço cultural (Âmbito Cultural, como lhe chamam). A publicação vai no seu segundo número e existe desde que se fizeram obras no sétimo andar do El Corte Inglés de Lisboa e se criaram salas novas que, ao que parece, servirão melhor quem ali quer fazer lançamentos, por exemplo, mas que também são muito úteis para um sem-número de cursos e actividades que, ao ler a revista, concluo valerem muito a pena. Se já estivesse reformada, digo-vos que iria a muitas destas sessões (aprender até morrer), entre as quais os workshops de História do Cinema e de História da Ciência (António-Pedro Vasconcelos e Carlos Fiolhais são os mestres) e mesmo à Evocação de Herberto Helder por Diana Pimentel (mas nessa data estou a ir para a Feira do Livro de Guadalajara, infelizmente, e não poderei ir). Já passaria melhor sem a sessão de doces conventuais (não sirvo para os comer, menos ainda para os cozinhar) ou a lição de António Valdemar sobre o Natal na cultura portuguesa (mas apenas porque o Natal me deixa sempre de rastos psicologicamente). De qualquer modo, aconselho os Extraordinários a consultarem o Magazine (quiçá podem recolhê-lo na loja ou ver a versão digital no site do ECI) e, podendo, a frequentar alguns dos cursos propostos (todos gratuitos!) para Lisboa e Gaia.

29
Out18

Vida moderna

Maria do Rosário Pedreira

Quando leio esta expressão, seja num site, num jornal ou mesmo num livro, a primeira imagem que me vem à cabeça é a do senhor Hulot perdido na confusão do repuxo eléctrico de uma casa nova-rica, num filme de Jacques Tati, confundindo uma pedra com um nenúfar e metendo a pata no laguinho. E a seguir vem-me à lembrança Tempos Modernos, filme de Chaplin, com o cómico Charlot enredado nos tapetes rolantes de uma linha de montagem, fazendo-nos rir até às lágrimas. Quem diz, porém, que os portugueses riem mais da tragédia do que da felicidade é Maria Filomena Mónica num livro sobre as mudanças a que foi assistindo em Portugal ao longo da sua vida e que também dá pelo título de Vida Moderna. Política, sexualidade, educação, burocracia, televisões – todos estes temas foram tratados pela socióloga e investigadora em artigos vários publicados entre 1985 e 1996, escritos na primeira pessoa e agora reunidos e arrumados por Vasco Rosa num volume que retrata esses anos e mostra bem como são os portugueses. Virá depois um segundo volume? Veremos. Para já, é isto. Uma edição da Quetzal.

 

Vida Moderna (2).jpg

 

26
Out18

Crónica e Lello

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-out-2018/interior/adeus-futuro-um-classico-10021861.html

 

Para quem estiver pelo Porto, a Livraria Lello escolhe-me como autora por um mês; e, além de expor muito bem os meus livrinhos, organiza amanhã à noite uma conversa em que estará também a fadista Patrícia Costa e o jornalista cultural Nuno Pacheco. Na ocasião, será estreado o Fado da Lello, escrito expressamente para a mais linda livraria do mundo, com letra minha e música e interpretação de Patrícia Costa. No domingo de manhã estarei de novo na Lello com crianças e uma «fada» que contará a história de Amália Rodrigues a partir da biografia que escrevi. A ideia de tudo isto é da professora Maria Bochicchio. Apareçam!

 

cartaz.jpg

 

 

25
Out18

Papel para sempre

Maria do Rosário Pedreira

Em 2008, um estudo que envolveu mais de mil editores de todo o mundo, «os maiores gurus da feira de Frankfurt», como refere o jornal El Pais, concluiu que, precisamente dez anos depois, o livro electrónico destronaria o livro em papel e este acabaria por morrer. Mas, afinal, a Feira do Livro de Frankfurt de 2018 fechou há uma semana e estava cheiinha de livros em papel. E não como relíquias, mas como o centro do próprio negócio. O vaticínio era falso e precipitado e, depois de um início bastante optimista do e-book, veio um inesperado retrocesso: o negócio do livro electrónico nunca ultrapassa 10% do mercado (na Alemanha, 8%, e é dos países onde se vendem mais livros desse tipo). Apesar de ter várias vantagens (podemos levar connosco 500 livros electrónicos para uma viagem – e isso explica porque grande parte dos e-books de literatura são comprados sobretudo nos meses de férias), os leitores ainda acham que o livro digial pouco mais é do que uma reprodução do livro em papel, e a falta de novidade conduziu certamente à diminuição de compras, além de que, por exemplo, uma boa percentagem de compradores de e-books em Inglaterra (entre os 18 e os 34 anos), quando gostam muito de um livro que leram no e-reader, vão comprá-lo a seguir em papel. Não sei o que vaticinaram há trinta anos os gurus da Feira de Frankfurt sobre os audiolivros. Esses continuam cá, também sem grande expressão, embora em certos países se vendam muito a pessoas que fazem longas viagens de carro entre a casa e o emprego e preferem ouvir um livro a ouvir rádio.

24
Out18

Conhecer Torga

Maria do Rosário Pedreira

Um dos primeiros autores que li com paixão, ainda na adolescência, foi Miguel Torga – que, segundo se diz, foi o primeiro candidato sério ao Prémio Nobel da Literatura (português, entenda-se). Lembro-me até hoje de muitos dos seus contos lidos ainda nos anos 1970, quer de Os Bichos, quer de Contos da Montanha ou Novos Contos da Montanha. A Dom Quixote está há cerca de vinte anos a publicar a sua obra (além dos contos, os diários, a poesia, o teatro e os ensaios) e recentemente deu à estampa uma nova edição da fotobiografia do mestre escrita pela sua filha, Clara Rocha, professora na Universidade Nova de Lisboa e ensaísta. Miguel Torga – Fotobiografia tem prefácio de Manuel Alegre e está organizada cronologicamente, incluindo mais de cem fotografias do autor e muitos outros documentos, entre manuscritos e cartas, páginas do dossier da PIDE sobre Torga e outras imagens, algumas de lugares que amou profundamente, como Sabrosa, onde hoje há um museu que lhe é dedicado com um projecto arquitectónico maravilhoso de Souto Moura. Para conhecer Torga dentro e fora dos livros.

 

23
Out18

O autor português

Maria do Rosário Pedreira

Uma equipa de investigadores do ISCSP-Lisboa, coordenada pelo académico Paulo Castro Seixas, apresentará hoje às 18h00, no Auditório Frederico de Freitas (na Sociedade Portuguesa de Autores, que fez a encomenda), um estudo de duas centenas de páginas que tenta traçar o perfil do autor português. Este Perfil do Autor Português contém, ao que se anuncia, dados fundamentais para sabermos quem são os nossos criadores (imagino que o «autor» aqui seja num sentido mais lato e inclua pintores, compositores, fotógrafos...), o que fazem na vida além de criar, quais os graus de formação académica que possuem, como estão geograficamente distribuídos pelo País, como é a proporção homens/mulheres e muitas outras coisas que, lendo o estudo, se apurarão. Além de José Jorge Letria, presidente da SPA, que abrirá a sessão como anfitrião, e do já mencionado coordenador do estudo, falará o professor Manuel Meirinho, presidente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Fico curiosa com os resultados desta investigação, e esperançosa de que ela seja um bom instrumento quer para a SPA, quer para todas as entidades que trabalham com a cultura, desde as autarquias ao próprio ministério.

22
Out18

90 anos

Maria do Rosário Pedreira

O grande historiador António Borges Coelho (estive quase a entrar num filme dos anos 1980 por causa dele), que foi catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa (e professor de um dos meus irmãos), faz noventa anos – e a Caminho, que está a publicar a sua História de Portugal, já com seis volumes publicados (o último Da Restauração ao Ouro do Brasil), vai fazer-lhe esta semana uma homenagem completamente merecida na Livraria Buchholz. Essa homenagem terá a participação de grandes personalidades da História, num ciclo de palestras que vai acontecer diariamente às 18h00. Hoje é o dia de Cláudio Torres, director do núcleo arqueológico de Mértola. Amanhã teremos Silvestre Lacerda, actualmente a dirigir a Torre do Tombo; na quarta será a vez de Vítor Serrão, da área da História de Arte; na quinta, Manuel Loff, da Faculdade de Letras do Porto, que também escreve no jornal Público. E, por fim, na sexta, fará a conferência Hermenegildo Fernandes, da Faculdade de Letras de Lisboa. Um festim para quem possa ir a todas, sobretudo porque a vida deste senhor tem muito que se lhe diga, tendo ele sido um lutador contra o regime de Salazar e estado preso muitos anos. Ah, e saiu a 6ª edição de Raízes da Expansão Portuguesa.