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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

10
Mai19

Crónica e votação

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/27-abr-2019/interior/merecer-10830650.html

 

Já votou na sua livraria preferida? Pois bem, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) promove uma vez mais este concurso e é importante votarmos naqueles que fazem a diferença, sobretudo num país em que as livrarias independentes tendem a desaparecer. O link aqui vai. Vote bem.

http://www.apel.pt/pageview.aspx?pageid=974&langid=1&fbclid=IwAR1SbyQUooW5jeM-d90Gnt9_SYFKmrCYVA6yj8LjO4aKJnzVa123KmhDrsg

 

09
Mai19

Esperteza saloia

Maria do Rosário Pedreira

Uma das vantagens de ler um jornal discreto como The Guardian é o facto de os seus jornalistas andarem sempre em cima do acontecimento. Em tempo de fake news, sinto-me confiante neste diário britânico, que foi e é bastante rigoroso. E, de resto, veio agora denunciar uma situação típica da esperteza saloia da Amazon. Ora, parece que os compradores da livraria virtual têm sido enganados constantemente com críticas a determinados livros que, efectivamente, não correspondem à edição que está à venda. Pensem por exemplo num clássico de Tolstoi ou Dostoievski. Claro que é o tipo de obra que merece habitualmente elogios, quer de académicos conceituados, quer de leitores comuns. Mas imaginem que existem edições destes clássicos que, por acaso, foram truncadas, estão mal traduzidas, mal prefaciadas, têm notas de rodapé ridículas, enfim, há muitas coisas que podem transformar uma jóia numa pedra sem valor. E colocar as boas críticas ao pé destas edições más para as despachar é, diria eu, coisa de má-fé e artimanha para despachar livros. Ainda bem que alguém viu e denunciou. Obrigada ao Guardian. Temos de estar mais atentos como compradores porque existe muita gente que nos quer ludibriar. Outra espécie de fake news, em suma.

08
Mai19

O tempo voa

Maria do Rosário Pedreira

À medida que vamos envelhecendo, o tempo parece andar mais e mais depressa. Esta semana fiz anos de casada (nem digo quantos para não me assustar outra vez) e este blogue fez nove anos no domingo passado (já?!). No final da década de 1990 publiquei um livro que dizia que, nos cinquenta anos anteriores,  o mundo mudara mais do que nos quinhentos anos anteriores (ou seja, tudo o que aconteceu nos primeiros 450 foi calmo e pausado e logo a seguir a coisa disparou e chegámos aonde chegámos, sem conseguir tempo para nada). Era um livro de Bill Gates e chamava-se, se não me engano, Negócios à velocidade do Pensamento. Claro que já não está disponível nas nossas livrarias. Em relação a coisas velhas, descobri este recorte engraçadíssimo que vêem abaixo. Mas não se iludam: os que têm a minha idade ainda se lembram de que a lei vigorou até quase ao 25 de Abril, mesmo que ninguém a cumprisse. E pensar que eu ainda fui contemporânea destas regras é perceber que o tempo realmente voa...

 

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07
Mai19

Transcrever

Maria do Rosário Pedreira

Dizem que os miúdos da escola secundária não acertam em transcrições do texto pedidas nos testes pelos professores porque simplesmente não sabem o que quer dizer «transcrever»… Bem, espero que aqui no blogue ninguém tenha dúvidas sobre a palavra e que os mais disponíveis possam abraçar voluntariamente o pedido de transcrever cartas para um projecto que dá pelo nome de Cartas da Natureza. Não pensem logo em coscuvilhice amorosa e em envelopes com pétalas de flores perfumadas, embora por acaso haja plantas e flores implicadas nisto. É que a correspondência histórica que se pretende ver passada a computador é, nem mais nem menos, a que foi dirigida ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra entre 1870 e 1928 por leigos e especialistas, tantas vezes acompanhada por desenhos feitos à mão e caligrafia estupenda, com esclarecimentos, perguntas e dúvidas sobre espécimes. Pois bem: apesar de muito do material estar já digitalizado, era importante extrair o texto dessas cartas fotografadas e reproduzi-lo em caracteres digitais para que possa ser servir melhor os interesses de estrangeiros que visitam a Biblioteca Digital Botânica e de todos os que têm dificuldade em decifrar algumas letras. Ao transcrever os documentos, o copista vai de certeza ganhar um sem-número de informações novas e deliciosas, além de, como podem calcular, dramas e episódios pessoais bastante inspiradores. Quem me dera ter tempo…

06
Mai19

Garrett sem casa

Maria do Rosário Pedreira

Almeida Garrett nasceu numa casa do Porto que foi recentemente objecto de notícia nos jornais e televisões portugueses pelos piores motivos: houve nela um incêndio de grandes proporções que destruiu totalmente o interior, apesar de se ter conseguido salvar a bonita fachada (mesmo que enegrecida). Não se sabe ainda o que aconteceu, mas suspeita-se de que tenha havido vandalismo ou descuido. Ao que li, a Câmara do Porto tinha a intenção de comprar o edifício (para fazer uma Casa-Museu?), mas parece que ainda não tinha feito propostas concretas ao proprietário, e a Polícia Judiciária exclui à partida que o fogo tenha que ver com especulação imobiliária. Mas a verdade é que João Baptista da Silva Leitão Almeida Garrett, o escritor muitíssimo janota que se casou com uma rapariguinha mal saída da puberdade, pugnou pela construção do Teatro Nacional D. Maria II e escreveu, entre outras coisas, as memoráveis Viagens na Minha Terra (obra que dividiu muitos estudantes da minha geração: uns gostavam dos apontamentos de viagem, outros só liam a história de amor entre a Joaninha e o Carlos), está, depois de morto, desalojado… É que, em Lisboa, a casa onde viveu no bairro de Campo de Ourique, depois de grande polémica aqui há uns anos, também foi deitada abaixo para, no seu lugar, ser construído um complexo de luxo… Pobre Garrett, que merecia um museu, mas não me parece que o vá ter… Mais uma folha caída.

03
Mai19

Crónica e o bairro Adília

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/20-abr-2019/interior/as-novas-amendoas-10812675.html

 

A nossa poesia continua a dar cartas lá fora. Já me tinham dito que no Brasil a poetisa Adília Lopes era considerada praticamente uma deusa; e agora é a Colômbia que se mostra rendida à sua poesia. Na última FilBo (a Festa Literária de Bogotá), realizou-se na Universidade dos Andes a actividade «Por el barrio de Adília Lopes», um encontro académico internacional à roda da poética de Adília Lopes, com intervenções e leituras de vários portugueses, como Rosa Maria Martelo, Filipa Leal, Pedro Rapoula, Mafalda Veiga e Raquel Nobre Guerra, e também uma exposição. Olha que bom.

 

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02
Mai19

O que ando a ler

Maria do Rosário Pedreira

Assim que vi que ia sair em Portugal mais um romance de Julian Barnes – o autor que ficou famoso com O Papagaio de Flaubert e que venceu o Man Booker Prize em 2011 com o magnífico O Sentido do Fim, sobre o qual escrevi aqui no blogue –, afiei o dente e guardei espaço (ou melhor: tempo). E é mesmo o novo Barnes que ando agora a ler, o romance intitulado A Única História, traduzido por Helena Cardoso e publicado pela Quetzal, que tem vindo a dar à estampa quase todos os anos um romance deste escritor britânico aplaudido dentro e fora de portas. Pois bem: A Única História conta o primeiro amor de Casey Paul, um rapaz de classe média cuja mãe metediça o inscreve no clube de ténis para ver se ele encontra noiva de estrato superior, o que daria bastante jeito. Mas, ao contrário do desejo materno, Casey apaixona-se por uma parceira de ténis quarentona (com duas filhas universitárias e um marido gordo e instalado esquecido do sexo) que vê obviamente no rapaz de 19 anos uma luz que faz brilhar o seu amor-próprio (e não só). A história – única, claro – é contada pelo próprio Casey com uma desfaçatez desconcertante, como se em nada o atingisse o adultério da sua mais-que-tudo (ele convive com a família de Susan nunca sentindo que os atraiçoa), até ao momento em que, «por razões óbvias» (palavras de um bilhetinho que chega por correio), ambos são expulsos do clube. E é nesta parte que vou – ansiosa por logo à noite ler mais um bocadinho, claro. Até agora, tenho-me divertido muito.

30
Abr19

As cidades e os livros

Maria do Rosário Pedreira

Quem gosta de livros e de ler (bibliófilos e leitores, duas espécies que têm cada vez menos adeptos, segundo os números de vendas de livros em todo o mundo) gosta também seguramente de visitar cidades onde haja bons alfarrabistas, bonitas livrarias e bibliotecas de sonho, e de espiolhar todos os cantinhos destes lugares sem se preocupar com as horas e as dores nas cruzes. Mas também pode preferir escolher como destino cidades onde se passa a acção de alguns dos seus romances preferidos, como, por exemplo, a Sampertersburgo das obras-primas de Dostoievski, a Oxford de Todas as Almas de Javier Marías, a Barcelona de A Sombra do Vento, a Tenerife da escpadinha de Terapia, de David Lodge, ou a Nápoles da tetralogia de Elena Ferrante. E, claro, pode ainda optar por cidades onde viveram os seus autores favoritos e vasculhar os sítios onde estes escreveram as suas obras mais emblemáticas: entrar nas suas casas ou gabinetes, ver como eram as suas secretárias e cadeiras, as suas máquinas de escrever ou, tratando-se de alguém mais antigo, as suas pranchas de escrita, os seus tinteiros, penas e mata-borrões. E até ir ao lugar onde estão enterrados, uma coisa algo mórbida que eu, por exemplo, já fiz com William Butler Yeats em Sligo, na Irlanda, e Joseph Brodsky no cemitério de San Michele, numa ilha de Veneza. Cada amante da leitura terá uma cidade que quer ir visitar por causa de um livro que leu ou do seu autor, mesmo que frequentemente, lá chegando, se desiluda com a cidade real.

29
Abr19

Fora da Casa

Maria do Rosário Pedreira

Leio algures que as instalações da Casa Fernando Pessoa, na Rua Coelho da Rocha, em Lisboa, estão em obras de remodelação. Mas não é por haver trabalhos que param os trabalhos, porque todos os sítios são bons para celebrar a obra do multifacetado poeta, e no Dia do Livro, por exemplo, leram-se textos de Ricardo Reis no topo do edifício do Centro Comercial das Amoreiras, que é um belo miradouro. E amanhã haverá – ainda fora da casa, claro, mas noutro sítio bastante recomendável, as Galerias Municipais nos jardins do Museu de Lisboa – mais um acontecimento que promete ser bem interessante: um colóquio, com coordenação de Maria Andresen e Fernando Cabral Martins, dedicado à poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, de quem este ano se comemora o centenário do nascimento, e aos vestígios de Pessoa na respectiva obra. Dizem que todos os poetas portugueses pós-Pessoa têm algo de pessoano, mas será mesmo assim? Talvez os conferencistas nos dêem a resposta. Eles são Fernando J. B. Martinho, Gastão Cruz, Golgona Anghel, Joana Matos Frias, Margarida Braga Neves e Ricardo Marques. Haverá ainda leituras por Nuno Moura e Madalena Ávila.

26
Abr19

Crónica (e ainda o 25 de Abril)

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e, portanto, aí vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/13-abr-2019/interior/nem-tanto-a-terra-10785058.html

 

Aproveito para dizer que as comemorações do 25 de Abril não se cingem obviamente a Lisboa, e que na Biblioteca Municipal de Setúbal a historiadora Irene Pimentel, vencedora do Prémio Pessoa, vai apresentar no dia 30, às 14h30, o seu livro Os Cinco Pilares da PIDE, que ensina o que a escola não ensina, para que não se repitam os males.