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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

23
Mar20

Vendas de livros

Maria do Rosário Pedreira

No Reino Unido, com a situação de confinamento provocada pelo Coronavírus, as vendas de livros dispararam. Nada melhor para enriquecer o espírito, aprender, desenvolver capacidades e passar bem o tempo. Os britânicos já sabem disso há muito (já tiveram 86% de pessoas que compravam e liam livros regularmente); mas em Portugal não sabemos ainda o que vai acontecer, até porque passámos do analfabetismo real ao funcional num abrir e fechar de olhos e nunca conseguimos formar uma população francamente leitora. Ainda assim, tenho recebido imensos e-mails e mensagens com iniciativas e actividades em redor da leitura, da escrita e dos escritores que podemos acompanhar de casa. E achei especialmente graça a uma delas: a criação de um clube de leitura da Josefinas, uma boa marca nacional de sabrinas (e outros sapatos). Chama-se Josefina's Book Club e pode ser acompanhado no Instagram da marca. Foi criado sob o signo de Malala Yousafzai: «Um professor, uma criança, um livro, uma caneta, pode mudar o mundo.» Mesmo sem fazer parte do clube, hoje aconselho, por sugestão de um Extraordinário, a leitura de A Lição de Anatomia, de Philip Roth. Humor não lhe falta e precisamos dele nestes dias.

20
Mar20

Crónica e solidariedade

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica, e aqui vai o link:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/29-fev-2020/o-estado-da-arte-11870714.html

Aproveito para saudar todos os artistas que têm estado a dar concertos em directo de suas casas, às vezes cantando a capella por falta de outros recursos, como foi o caso de Cristina Branco, que acompanhei; ouvi também Boss AC, que tinha a música gravada e «falava» em cima; e António Zambujo, mas ele toca guitarra e assim fica mais fácil). Lembro que, com tantos concertos anulados, os músicos e intérpretes são obviamente muitíssimo atingidos por este período de confinamento, pois o que ganham é normalmente das tournées e espectáculos que realizam em Portugal e no estrangeiro, já que quase ninguém compra CD. Faço um apelo para que comprem uns discos nas lojas virtuais para os ajudar (mesmo que os direitos de autor sejam pouca coisa), e a talho de foice digo a mesma coisa para os livros. Os escritores também andam por aí a ler excertos da suas obras nas redes sociais e a fazer workshops, leituras e conferências por skype, na maioria gratuitamente. Nestes tempos difíceis, esta gente precisa de ser apoiada por nós.

19
Mar20

O quarentão

Maria do Rosário Pedreira

Um dos Extraordinários (perdoe-me sinceramente não referir o seu nome, mas já não sei em que post pôs o seu comentário) lembrou, e bem, que o JL, Jornal de Letras, Artes e Ideias, fez 40 anos e eu nem uma palavrinha escrevera sobre o assunto. Diabo, realmente foi um esquecmento imperdoável e uma grande injustiça. Comprei o primeiro número do JL, andava ainda na faculdade, descobrindo que um dos meus professores favoritos (Mário Jorge Torres Silva) escrevia no semanário (na altura era semanário) sobre cinema. Porém, outro dos meus professores da altura chamou-lhe A Bola da literatura e aconselhou-nos a ler, em vez dele, coisas mais académicas. As opiniões, enfim, dividiram-se sempre, mas o que é certo é que nunca apareceu outro jornal de livros, exposições, música, etc., que circulasse por toda a lusofonia, que resistisse 40 anos e que, com recursos mínimos, conseguisse fazer mais pela literatura e as outras artes portuguesas do que muitos outros meios de comunicação. Parabéns, quarentão. Continua assim. Deixo-vos um link com capas dos 40 anos:

https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/2020-03-11-jl-40-anos-40-capas/#&gid=0&pid=1

 

18
Mar20

Teletrabalho

Maria do Rosário Pedreira

Há muita gente que, estando a trabalhar em empresas, desejaria ardentemente trabalhar a partir de casa. Pois eu sou o contrário: como preciso de trabalhar em casa por motivos pessoais (uma crónica semanal, este blogue, etc.), se trabalho em casa para a LeYa é certo e sabido que depois já não me apetece trabalhar para mim, porque deixa de haver um corte, de horário e de lugar. Além disso, agora tenho de fazer almoço, e eu detesto cozinhar. O meu irmão, que é professor universitário, diz também que lhe é muito mais difícil ensinar pela Internet do que dar as aulas presencialmente. E com os professores do Secundário e do Básico imagino que aconteça o mesmo, ou seja ainda pior, apesar de os principais editores escolares terem aberto de forma gratuita as suas plataformas para os ajudarem. (Pelo menos, não aturam a má-criação.) Tenho dificuldade em perceber o que acontecerá mais para a frente, se a reclusão se prolongar, inclusivamente porque conheço alguns efeitos secundários do isolamento social e não são bons. E mesmo ler, que podia resultar bem em ambiente doméstico, agora não funciona: ora porque estamos sempre a receber emails e whatsapps da empresa (temos de comunicar de alguma maneira), ora porque com o computador ligado estamos atentos a todos os alertas do vírus, ora porque a situação é muito grave e não conseguimos concentrar-nos. Pode parecer uma parvoíce, mas não é que tenho saudades de ir para o emprego...?

17
Mar20

«Coronaleituras»

Maria do Rosário Pedreira

O isolamento social está recomendado e é imprescindível neste momento; mas também é chato e muito custoso de passar, principalmente se as pessoas (e há muitas) não souberem ocupar os tempos livres ou não estiverem, como eu, em regime de teletrabalho. Mas é importante manter o sentido de humor para fugir ao pânico e não estar obcecado com a doença a tempo inteiro, até porque circula muita informação errada, veiculada propositada ou inocentemente, e isso não ajuda nada a manter a lucidez. O que ajuda é, por exemplo, ver como um grande jornal (o britânico The Guardian), com um grande sentido de oportunidade, nos oferece um artigo com sugestões de «coronaleituras», obras de algum modo relacionadas com os tempos que estamos a viver. E em modo de ficção, o que, evidentemente, é mais ligeiro e melhor para o espírito. Deixo-vos o link e lembrem-se: há alguns destes livros traduzidos e há livrarias virtuais!

https://www.theguardian.com/books/2020/mar/13/your-coronavirus-reading-list-reader-suggestions-to-bring-joy-in-difficult-times?utm_term=RWRpdG9yaWFsX0Jvb2ttYXJrcy0yMDAzMTU%3D&utm_source=esp&utm_medium=Email&CMP=bookmarks_email&utm_campaign=Bookmarks

 

16
Mar20

Cortázar

Maria do Rosário Pedreira

Rayuela é um longo romance, mas se vai ficar em casa por precaução (o meu caso) e não tiver de trabalhar, aproveite para conhecer através dele o seu autor, Julio Cortázar, que transgrediu a construção de uma história e a própria língua. Cortázar era argentino, mas nasceu na Bélgica (“O meu nascimento foi um produto do turismo e da diplomacia”, disse) e é exemplar como contista, embora Rayuela (que é o jogo da macaca) seja talvez a sua obra mais emblemática. Deixo algumas das suas maravilhosas frases para abrir o apetite:

«Cada vez sentirei menos e lembrarei mais, mas o que é a recordação senão a língua dos sentimentos, um dicionário de rostos e dias e perfumes que voltam como os verbos e os adjetivos ao discurso.»

«Meu amor, não te amo por ti nem por mim nem pelos dois juntos, não te amo porque o sangue me chame para te amar, amo-te porque não és minha, porque estás do outro lado, nesse lado donde me convidas a saltar e eu não consigo dar o salto […].»

«Aquilo a que muita gente chama ‘amar’ consiste em escolher uma mulher e casar-se com ela. Escolhem-na, juro-te, já os vi fazê-lo. Como se no amor se pudesse escolher, como se ele não fosse um raio que nos parte os ossos e nos faz estacar a meio do pátio.»

13
Mar20

Crónica e etimologia

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é dia de crónica e sexta-feira 13. A crónica foi publicada no sábado de Carnaval e é por isso que tem o nome que tem (e não por causa das máscaras protectoras que não se sabe se protegem assim tanto e estão esgotadas). O link (ou a ligação, se preferirem) aí vai:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/22-fev-2020/mascarada-11833563.html

 

Já sobre o vírus maligno e a sua etimologia, junto um outro link para se entreterem os que gostam de aprender sobre os idiomas e as raízes de certas palavras. Frederico Lourenço, professor de Clássicas, tradutor de clássicos, dá-nos uma lição bem boa, e sem termos de ir à faculdade, sobre o Coronavírus. Aqui vai:

https://www.facebook.com/frederico.maria.lourenco/posts/2951449168241381?__tn__=K-R

 

 

12
Mar20

O vírus e a leitura

Maria do Rosário Pedreira

O Covid-19 está a tomar conta das nossas vidas: eu, por exemplo, já cancelei duas viagens. Uma delas dizia respeito ao Dia da Poesia e acontecia em Roma. Logo a seguir a ter anulado a minha participação, a organização do evento decidiu adiá-lo para o Outono (se no Outono já se tiverem livrado da pequena besta). A outra seria em final de Abril, mas não me apetece neste momento meter-me em aviões e correr o risco, não só de apanhar a doença com alguém, mas de, não a apanhando, ter de ficar de quarentena longe de casa. Como eu, há muitos, e isso chama-se bom senso. Mas também já existe muita gente que não vai a centros comerciais, ginásios, clínicas onde haja salas de espera com muitos pacientes (conheço uma pessoa que anulou a fisioterapia e outra, o dentista). O isolamento social está indicado por precaução, claro (embora tenha aqui um artigo na gaveta que diz que, em ratinhos, está provado que o isolamento social os torna muito mais agressivos); porém, se não for longo demais, além de evitar que o víus se espalhe, é uma boa oportunidade para ler. Será que é desta que vai recuperar o mercado editorial e livreiro com tanta gente fechada em casa? Haverá mesmo males que vêm por bem....?

11
Mar20

Uma coisa e outra coisa

Maria do Rosário Pedreira

Hão-de lembrar-se ou ter ouvido contar que, no dia em foram entregues os prémios César do cinema, quando foi anunciado o prémio de melhor realizador para Roman Polanski, houve um sururu na sala, que muitas mulheres abandonaram a vocieferar (especialmente uma que foi presumivelmente vítima dos seus abusos), e um sururu ainda maior cá fora, uma manifestação contra o cineasta com cartazes em que estava escrita a palavra «violador». Bem, costuma dizer-se que, até se ser sentenciado, se é inocente, mas, além disso, não se pode confundir o homem com o artista, embora haja muita gente que não perceba isto, não queira perceber, ou simplesmente não consiga separar as águas. Uma coisa do mesmo tipo está agora a suceder a Woody Allen, cuja autobiografia, depois de ter sido comprada por uma editora francesa, foi afinal abandonada sob pena de o pessoal feminino da editora se demitir em massa. Oh, céus! Não só o senhor Allen foi ilibado das acusações, como o pessoal dessa editora não deve ser assim tão imprescindível, se não consegue perceber a diferença entre autor e pessoa. Estamos, infelizmente, no mundo que censura a obra por não gostar do homem e isso é que é um escândalo.

10
Mar20

Raridade

Maria do Rosário Pedreira

Hoje passo a correr, apenas para dar uma notícia, pois tenho o trabalho demasiado atrasado e não posso mesmo perder tempo. Em todo o caso, a novidade é boa, é mesmo uma raridade: abriu uma livraria! A BL Livreiros by BooksLive, uma livraria independente e de origem nacional abriu as suas portas há pouco mais de uma semana nas Galerias Alto da Barra, em Oeiras, perto da Estrada Marginal. Tem, ao que se diz no seu press-release, um conceito de loja inovador «que privilegia a exposição dos livros de uma forma mais moderna e original, mas sem nunca esquecer o trabalho livreiro de atendimento personalizado e a organização de eventos culturais». É uma livraria generalista, venderá também livros estrangeiros (aceita encomendas) e promete dar atenção aos livros dos pequenos editores. Entrega gratuitamente em casa nos concelhos de Cascais e Oeiras e propõe-se encontrar livros antigos ou raros que procure.Aceita livros usados com o objectivo de os revender e no final de cada ano doar uma percentagem a uma instituição de solidariedade social. Até amanhã.

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