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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

11
Set19

A arte do romance

Maria do Rosário Pedreira

Já aqui anunciei, creio que em finais de Junho, a saída do novo romance de José Luís Peixoto, Autobiografia. Para começar, é bastante intrigante chamar a um romance Autobiografia; e talvez seja ainda um maior atrevimento meter dentro de uma Autobiografia o autor de romances José Saramago (sim, o nosso Nobel da Literatura) e um autor mais jovem que tem com ele uma relação formal e reverente, a quem é encomendada uma biografia do grande escritor (biografia que ele tentará transformar numa obra de cariz ficcional, como, de resto, é o próprio romance que estamos a ler). Podíamos também pensar, já agora, que o romance que estamos a ler é autobiográfico (afinal, José Luís Peixoto recebeu o Prémio Literário José Saramago das mãos do próprio Saramago) e que o protagonista, que devia escrever a biografia de Saramago, mas nunca o faz, é o próprio autor desta Autobiografia (que, por acaso, é um romance). Contudo, parece-me que não há aqui exactamente um espelho: como publiquei os seus primeiros livros e conheci JLP nessa altura mais de perto, há no romance (perdão, na Autobiografia) rotinas que não podiam estar mais longe das que relembro; mas, com o avançar do tempo, tudo é possível, claro (algumas coisas, sinceramente, espero que sejam só ficção). Como o Extraordinário Artur já referiu no dia 1, também tem graça encontrar nomes de personagens dos romances de Saramago (e um senhorio amoroso chamado Bartolomeu de Gusmão é engraçadíssimo). Porém, o que para já posso dizer sobre este livro é que ele não tem nada que ver com os livros de ficção de JLP que li (e foram todos) e que é um curioso exercício literário, algo muito mais experimental do que é costume (mesmo que a criança neste livro, filho da Lídia que Artur referiu, também esteja «em ruínas»). Só lendo.

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