A escrita e o engajamento
Há poucos dias, numa memória do Facebook que o Manel partilhou, descobri um assunto que há anos me persegue. Ainda eu dava os primeiros passos na edição quando comecei a acompanhar a obra de António José Saraiva. E foi num dos seus livros que li a afirmação (com que concordei logo, de resto) de que os escritores, ao escreverem, já estavam a cumprir um acto de cidadania, pelo que não tinham de modo algum de ser engajados no que escrevessem. Porém, nem toda a gente pensa assim: Adam Zagajewski, poeta polaco, numa entrevista ao jornal Expresso aqui há uns anos, disse: «Aprendi que a poesia não deve ser um esforço puramente estético. Se o teu país, se o teu mundo está sob ameaça, tens de discutir essas coisas nos teus poemas, não te podes esconder num paraíso de beleza. Um poeta tem de se interessar por tudo. Tem de abrir os olhos. Para a política, para a filosofia, para as ideias do seu tempo.» Também lhe dou razão. Continuarei com a questão às costas e sem me decidir.

