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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

10
Out14

Amarrados

Maria do Rosário Pedreira

Por estes dias, sai para as livrarias um livrinho muito bonito de José Fialho Gouveia (o excelente entrevistador do infelizmente extinto programa Bairro Alto), acompanhado de um CD cujas músicas foram compostas por Manuel Paulo (da Ala dos Namorados, entre outros). Trata-se de Amarrada à Tua Mão, uma peça de teatro para todas as idades que pode ser lida como um conto sobre esta pressa louca com que hoje vivemos e que nos tira o tempo e o prazer das coisas que são realmente importantes para nós. As personagens são um casal – ele sempre doido de trabalho, sem sequer tempo para ir ver o pai ao lar, ela uma jornalista farta da profissão e desiludida por nunca ter disponibilidade para a filha de ambos (quantas vezes chega a casa e já ela dorme?) – e uma boneca, a boneca que foi o brinquedo preferido da jornalista, mas jaz agora na prateleira de cima de um armário, sem préstimo, e nos canta a sua solidão (essas são as canções presentes no CD). Num dia especialmente triste, o casal resolve fazer um balanço sobre a sua vida e confirmar que os sonhos que tinham antes de se tornarem adultos foram, afinal, completamente ultrapassados por essa vida voraz e triste que levam. Então, também a boneca conhecerá um novo destino... Muito bonito e uma boa lição para todos nós, Amarrada à Tua Mão já esteve em cena, mas queremos que regresse, nem que seja aos palcos de muitas cabeças.

 

P.S. Apareça na Fábrica Braço de Prata dia 16 às 19h para ouvir Alice Vieira falar do livro e também algumas das canções.

 

2 comentários

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    Joaquim Jordão 10.10.2014

    Os livros

    É então isto um livro,
    este, como dizer?, murmúrio,
    este rosto virado para dentro de
    alguma coisa escura que ainda não existe
    que, se uma mão subitamente
    inocente a toca,
    se abre desamparadamente
    como uma boca
    falando com a nossa voz?
    É isto um livro,
    esta espécie de coração (o nosso coração)
    dizendo “eu“ entre nós e nós?

    Manuel António Pina, in “Como se Desenha uma Casa”
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