Arte, cultura e humanismo
Na semana passada escrevi aqui um post sobre escritores da mesma família e, mais especificamente, pais e filhos escritores. Os Extrardinários fizeram o favor de me lembrar muitos exemplos que não me tinham ocorrido (e alguns sem desculpa, pois até conheço as pessoas), entre os quais os de Sophia de Mello Breyner e do seu filho Miguel Sousa Tavares ou da sua filha Maria Andresen. Mas o filho de Miguel, neto de Sophia, de seu nome Martim (Sousa Tavares), também acaba de publicar um livro, perpetuando os autores da família; intitulado Falar Piano e Tocar Francês (é mesmo assim, não julguem que me enganei) parte da sua experiência como divulgador cultural e músico para reflectir sobre como hoje, um tempo de ecrãs e leituras de cinco linhas, nos relacionamos com a arte nas suas mais diversas formas: uma cena de um filme, um poema, uma partitura... Lançado publicamente ontem, a obra fala do que, por exemplo, o olhar de alguém que visita um museu acrescenta à pintura que está na parede, da mesma forma que quem lê um poema lerá um poema diferente de cada vez que a ele volte e diferente do de outra pessoa que igualmente o leia. Uma obra de arte precisa, em suma, de dialogar, e são estes diálogos com os objectos artísticos da sua preferência que leremos neste livro de Martim Sousa Tavares que foi apresentado por Salvador Sobral.

