As manias dos Nobel
Para o Fólio deste ano, foram convidados três Prémios Nobel da Literatura! Não pude estar no primeiro fim-de-semana e perdi infelizmente, a bielorrusa Svetlana Alexievitch, mas assisti à leitura de um texto sobre genocídio por John Coetzee, o sul-africano que pôs a sala num silêncio absoluto e fez Alberto Manguel dizer-lhe que conduzir aquela sessão foi como arrancarem-lhe um dente. O terceiro Nobel convidado, o mais recente, o húngaro Laszlo Krasznahorkai, teve de regressar intempestivamente a casa assim que chegou, pois estava doente e com problemas respiratórios e, por isso, ninguém pôde ouvi-lo. Já a nobelizada do ano passado, Han Kang, recusa a maioria dos convites para festivais porque quer é escrever sossegada (e presumo que não goste muito de falar inglês, o que acontece com vários asiáticos que conheço). Mesmo nas entrevistas é muito parca; quando lançou o seu último romance, Despedidas Impossíveis, disse que só daria uma entrevista por país, e aqui em Portugal a benesse calhou à Visão. Mas nem por se esconder é menos lida, e nos 60 anos da Dom Quixote, um dos seis livros comemorativos é justamente A Vegetariana, um romance profundamente original que já teve muitas edições. Se ainda não o leu, tem agora esta versão especial.


