As redes
Recentemente, a grande escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie publicou uma reflexão em três partes extremamente interessante sobre os comportamentos violentos e as mentiras publicadas nas redes sociais, especialmente as que rodeiam as pessoas, chamemos-lhe assim, famosas (o famoso tem um poder que o torna paradoxalmente mais vulnerável, segundo Chimamanda, ideia com a qual concordo em absoluto). As histórias que relata e se passaram consigo são, de facto, realmente assustadoras. Na primeira parte, uma pessoa que frequenta um dos seus cursos de escrita e que ela acaba por acolher excepcionalmente em sua casa, criando-se entre ambas uma relação muito próxima da amizade, só por não concordar com uma afirmação feita pela escritora numa entrevista, insulta-a publicamente, mostra fotografias pessoais e revela impressões sobre outras pessoas que Chimamanda trocara com ela em tom de confidência. Esta pessoa teve ainda a coragem de usar o nome da escritora para conseguir um visto nos Estados Unidos... Na segunda parte, a história é ainda pior, pois a pessoa que a insulta nas redes sociais ao ponto de lhe chamar «assassina» e dizer coisas tão graves como a morte dos pais da escritora (com pouco intervalo entre ambos) ter sido uma espécie de castigo merecido, mais tarde inclui o nome Chimamanda Ngozi Adichie na capa do seu romance de estreia como sua «mentora», tirando daí dividendos óbvios em termos de promoção e vendas. Na terceira parte, aliás parcialmente reproduzida no nosso jornal Público, a escritora conta como os jovens hoje se autocensuram permanentemente nas redes sociais com medo de serem gozados ou saírem do grupo de puritanos que às vezes até lhes pede que denunciem amigos verdadeiros. Leiam, que vale muito a pena:

