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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Out14

Bibliotecas

Maria do Rosário Pedreira

Vila Franca de Xira inaugurou uma moderníssima biblioteca municipal. E ainda há pessoas que passam uma vida inteira sem ter posto os pés numa biblioteca. No princípio deste século, trabalhei para uma empresa que tinha, na sua sede, um grupo de jornalistas recentemente licenciados, contratados para escreverem entradas de dicionários e enciclopédias sobre tudo e mais alguma coisa, mas que pesquisavam exclusivamente na Internet, não fazendo a mais pequena ideia do que era entrar numa biblioteca e requisitar um livro. Um dia, um dos responsáveis pela empresa pediu a um desses jovens que escrevesse um verbete de quinze linhas sobre João de Deus (o assunto era literatura); e então ela foi ao Google ou à Wikipédia e fê-lo em menos de nada (copy/paste, provavelmente); só que, quando se foi a ver, a figura do verbete era o S. João (o apóstolo preferido de Deus, estão a ver?)… Bem, como homenagem às bibliotecas públicas, junto hoje uma colecção de fotografias que revelam exemplos bem curiosos. Divirta-se a ver e, claro, vá à biblioteca.

 

http://www.telegraph.co.uk/culture/photography/11070618/10-unusual-and-beautiful-public-libraries.html?frame=3024436

2 comentários

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    Joaquim Jordão 07.10.2014

    Ora nem de propósito, ó Zé!
    Quero dizer: foi justamente a pretexto dos jovens jornalistas empregados de uma editora – os quais, segundo Maria do Rosário, com informação recolhida ao acaso se ocupam de escrever aleatoriamente as entradas das enciclopédias e dicionários – que decidi hoje de manhã começar a fazer um texto para o próximo “Ando a Ler”.
    O meu tema será a releitura de J.L.Borges: “Ficções”.
    Para avaliares a razão deste meu pretexto – o fortuito, a coincidência, o acaso (temas tão caros a Borges) – deixa-me transcrever-te este parágrafo que, por acaso, tenho já escrito nas (por enquanto) seguintes palavras:
    «Li algures que, desde criança, Borges lia ao acaso dicionários e enciclopédias. Segundo o seu amigo Alberto Manguel, ele sempre confiou no “acaso ordenado de uma enciclopédia”. »
    Portanto, estás a ver? – isto que Maria do Rosário nos conta (João de Deus vs João, o apóstolo preferido de Deus, no acaso ordenado de uma enciclopédia) – isto, se calhasse nas mãos de Borges… ui!, as “Ficções” teriam ficado diferentes…
    Teríamos, pelo menos, mais uma “ficção”.
    Se bem que, a existir na realidade, esta ficção, por relatar factos reais e verdadeiros, seria falsa – o que, ainda assim, aumentaria a sua qualidade, pois que, segundo Borges, “basta que uma ficção seja possível para que exista. Somente está excluído o impossível”.
    Mas onde começa o impossível?
    Não terá sido por acaso o “bê-á-bá” de João de Deus o mesmo que, uns escassos milénios antes, levou Deus a apostar nas capacidades evangelizadoras do apóstolo João?
    Como comprova o relatado por Maria do Rosário, é perfeitamente possível, ainda que sem querer, ordenar o acaso nas introduções das enciclopédias, dos dicionários – e dos evangelhos.
    Portanto, ó Zé, não tenhas problemas: a tua pergunta não é (pelo menos na minha óptica e na de Borges) nada parva. Somente está excluído o impossível.
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