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Horas Extraordinárias

As horas que passamos a ler.

06
Jul22

Bienal de São Paulo

Maria do Rosário Pedreira

Uma coisa é ouvir falar, outra é ver. Embora já tenha visitado muitos Brasis, não ia a São Paulo desde 1976. Era então uma adolescente em visita a amigos, e a passagem foi curta, a caminho de Santos. Agora, tão-pouco tive tempo para calcorrear a cidade, porque ia em trabalho, e do Museu da Língua Portuguesa (que era mesmo o que queria ter visto) conheci apenas o director, que moderou a mesa da poesia, em que participei com Eucanãa Ferraz. Uma pena. O recinto onde se passava a Bienal e todas as actividades relacionadas com Portugal era longe do hotel e tínhamos de aproveitar os transfers de cá para lá a horas certas, pois não era boa ideia apanhar táxi ou tentar transporte alternativo, à conta dos perigos que isso representa. No meio das filas de trânsito infindáveis, às vezes em avenidas com seis faixas, há homens e mulheres vendendo de tudo - e, se forem atropelados por uma dessas loucas motos que andam a altas velocidades, provavelmente ficarão ali muito tempo a sangrar e alguns morrerão. Há também tendas em todos os jardins e ruas, onde vivem os que não têm casa, e são milhões; as diferenças entre classes são bem mais acentuadas do que eram em 1976, apesar de já então serem muito marcadas. Mas, apesar de um clima de permanente insegurança, apesar de andarmos sempre agarrados à carteira e ao telemóvel, de tremermos de medo quando o motorista de táxi, para fugir a um acidente e nos deixar a horas no aeroporto, passa por zonas onde sabemos que, num semáforo, é bem provável que alguém quebre o vidro para levar o que puder (e nos matar, se for preciso), a verdade é que a Bienal de São Paulo estava cheia de jovens a comprarem livros, o que é um sinal positivo que não vemos em Portugal. Não sei que livros seriam, é certo, mas a Secretaria da Educação deu-lhes dinheiro para isso e até pode ser que alguns tenham acertado em alguma coisa que contribua para a sua formação. Enfim, foi bom lá ir, foi muito duro ver a violência e a pobreza em directo, mas estou de volta ao quinto país mais seguro do mundo, onde não é preciso respirar fundo quando se chega, incólume, ao outro lado da rua, mas estamos velhos e os nossos jovens nãoo gostam lá muito de livros.

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